O Bournemouth ainda é um clube sem grande expressividade na Inglaterra, que apenas acumula sua quarta participação na primeira divisão. Ainda assim, as Cerejas constroem sua história de maneira contínua. Tamanho não é garantia de vitória fácil sobre os rubro-negros, muito pelo contrário. A equipe aguerrida e bem montada de Eddie Howe já desbancou boa parte dos poderosos da Premier League. E nenhuma dessas vitórias é tão simbólica quanto a construída nesta quarta-feira, diante do Chelsea, sua vítima preferida. Pela terceira vez em quatro temporadas, o Bournemouth derrotou os Blues. Pulverizou os londrinos, com a goleada por 4 a 0 construída diante da torcida em Dean Court. Foi um senhor segundo tempo dos anfitriões.

O Chelsea entrou em campo com força máxima e, inclusive, promoveu a estreia de Gonzalo Higuaín na Premier League. A primeira meia hora de jogo, aliás, parecia indicar que o time de Maurizio Sarri arrancaria mais uma vitória. A pressão era toda dos Blues, que iam finalizando bastante, mas esbarravam no goleiro Artur Boruc. Aos 38 anos, o veterano polonês raras vezes aparece em campo. Nas poucas chances que tem ganhado, no entanto, reforça o talento que sempre permeou sua carreira. E não seria diferente desta vez. Logo nos primeiros minutos, o arqueiro operou um milagre, desviando a cabeçada de Mateo Kovacic, que ainda bateu no travessão. Depois, demonstraria muita segurança contra Pedro e Eden Hazard.

O Bournemouth melhorou a partir dos 15 minutos finais. Os anfitriões começaram a encaixar os seus ataques e pegavam a defesa dos Chelsea aberta, graças à velocidade de suas transições. Pouco a pouco, invadiam a área e a criavam lances de perigo, testando Kepa Arrizabalaga. Só uma prévia que viria no segundo tempo, por mais que César Azpilicueta tenha forçado mais uma bela ponte de Boruc. As Cerejas voltaram do intervalo em um ritmo mais forte. Assim, o gol se tornou consequência logo aos dois minutos. Joshua King iniciou o lance pela esquerda e depois apareceu na área para completar o cruzamento rasteiro de David Brooks.

A desvantagem levou o Chelsea ao ataque. Os Blues começaram a rodar a bola, mas tinham extremas dificuldades para encontrar espaços às finalizações. O Bournemouth se defendia muito bem, aguardando o momento certo aos contragolpes, o que não demorou a acontecer. Aos 18 minutos, Brooks ampliou. David Luiz saiu jogando errado e entregou o presente nos pés do galês. Apesar do corte parcial do brasileiro, a bola espirraria a King, que logo lançou Brooks. O jovem então mostrou sua habilidade, dando uma finta seca no próprio David Luiz, antes de chutar no contrapé de Kepa.

Sem exibir poder de reação, o Chelsea batia a cabeça no muro formado pelo Bournemouth. E ia definhando nos contra-ataques mortais dos anfitriões. Herói da noite, Joshua King anotou o terceiro aos 29. Mais uma transição veloz das Cerejas, em que o lançamento de Nathaniel Clyne proporcionou a oportunidade. Junior Stanislas ganhou de David Luiz na corrida e passou  para o centroavante escorar. Na melhor chance dos Blues para diminuir o prejuízo, mais uma vez Boruc se agigantou diante de Azpilicueta. Por fim, o golpe de misericórdia aconteceu nos acréscimos. Em cobrança de falta na lateral da área, Jordan Ibe cruzou e Charlie Daniels deu uma casquinha de cabeça para dentro.

O Chelsea não sofria uma derrota por quatro gols de diferença na Premier League desde setembro de 1996, muito antes da chegada de Roman Abramovich. É este o tamanho do desastre do time de Maurizio Sarri, que não anda jogando bem e nem vê Higuaín ajudar neste início. E a rodada foi ainda pior aos Blues, considerando que tanto Arsenal quanto Tottenham venceram. A equipe aparece na quinta colocação, com 47 pontos, superada pelo Arsenal no número de gols marcados. Já o Bournemouth, após perder fôlego na virada do ano, volta a emendar bons resultados. Ocupa a décima colocação, com 33 pontos. E terá uma memória para seus torcedores recontarem por muito tempo, mesmo quando a jornada na elite acabar.