É perfeitamente possível contabilizar mentalmente e em não muito tempo quantos jogadores estão a uma década em um determinado clube. Marek Hamsik é um deles. Em 2017, completam-se dez anos desde que o eslovaco foi vendido pelo Brescia ao Napoli, onde permanece até hoje. E em um texto de autoria do jogador publicado no The Players’ Tribune, ele conta exatamente como foi se transferir da pequena cidade em que nasceu para a capital de seu país, depois mudar novamente para um lugar pequeno onde jogou pela primeira vez na Itália, e, por fim, chegar a Nápoles. Ele descreve, em uma mensagem muito bonita e sincera, o sentimento que tomou conta dele logo quando chegou e foi conhecer a cidade e o clube, antes mesmo de ter começado de fato a vestir a camisa partenopea.

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“Em poucas horas, eu já conseguia dizer que este lugar era diferente de todos que já estive antes, e todos que provavelmente eu irei”, revela o meia em determinada parte do texto. Ele relembra com carinho como foi viver em Bréscia ainda bastante jovem. Fala muito bem sobre a receptividade de lá e como os moradores foram acolhedores com ele. Mas trata com um sentimento diferente Nápoles, onde, ao contrário da outra cidade italiana, as pessoas já o conheciam e o reconhecem em todo lugar que vai desde que chegou. Sua contratação, que custou algo em torno de 5,5 milhões de euros, aconteceu em junho de 2007, quando Hamsik tinha 20 anos, e se deu no mesmo período da aquisição de Ezequiel Lavezzi. O eslovaco, conforme ele recorda com afeição, conheceu junto com o argentino as instalações do San Paolo. “Vi imagens de grandes jogadores do Napoli nas paredes do estádio, de lendas como Madadona, Ferrara e Bruscolotti. Vi as taças da Serie A e da Copa da Itália. Ali ficou óbvio que Nápoles era uma cidade especial e que o Napoli era um clube especial”.

Hamsik também cita Romário e Bebeto ao longo do texto, quando rememora as noites que ficava acordado até tarde enquanto seus pais dormiam para assistir aos jogos da Copa do Mundo de 1994. “Fiquei hipnotizado por eles dois”, confessa. “Os dribles, os passes, a velocidade. Eu assisti a todos os jogos deles que eu pude. O futebol que os brasileiros estavam jogando ali era diferente de tudo que eu já tinha visto na Eslováquia ou em qualquer grande clube europeu, que eu acompanhava pela TV vendo os jogos. Aquele futebol brasileiro era livre e criativo”. Apesar da inspiração vindo de dois atacantes, Hamsik, que, àquela altura já jogava bola, sempre atuou no meio-campo. “Por isso, eu passei a observar na televisão jogadores que jogassem na minha posição. Vi Zinedine Zidane e Pavel Nedved. Eles eram rápidos, mas não muito rápido, assim como eu. Tinham ótimo passe e sabiam ler o jogo muito bem. Eu queria ser como eles. Então eu me assegurei que em qualquer time que eu estivesse, eu continuaria sendo meia”.

No fim, o meia agradece o Napoli e Nápoles pelos últimos dez anos e elogia a característica da cidade de ter o futebol como uma religião. “Futebol é no que eles pensam quando acordam, é sobre o que eles conversam durante o dia e o que eles sonham à noite”, descreve. “Tenho tudo que eu sempre precisei em Nápoles e na Itália. O futebol é importante para mim, e poder jogar pelo Napoli por dez anos tem sido uma das maiores honras da minha vida. Mas a razão pela qual eu fiquei tanto tempo é mais do que futebol. Em Nápoles, eu sou parte de uma comunidade – uma família – que tem um lugar muito especial dentro do meu coração. Preciso ter mais do que ter um salário e taças. Eu preciso sentir algo na minha alma. Nápoles me deu isso, e eu sou eternamente grato. Obrigado”.