Durante a última temporada, a transferência de Nabil Fekir ao Liverpool era dada como certa. Às vésperas da Copa do Mundo, o meia-atacante já tinha alinhado sua mudança a Anfield e os Reds fechavam os trâmites com o Lyon. Porém, houve uma mudança de rumos drástica sobre a contratação. A diretoria do clube francês não teve suas exigências atendidas pelos ingleses e, de uma hora para outra, resolveu encerrar as tratativas. E, de possível campeão europeu com o time de Jürgen Klopp, Fekir surgiu em um destino bastante diferente nesta segunda-feira. Será o novo reforço do Betis para a próxima edição de La Liga.

O Lyon certamente é o grande perdedor nesta história toda. Os termos do negócio com o Liverpool girariam entre €55 e €60 milhões, mais bônus de €5 milhões. Os ingleses queriam acertar a transação antes da Copa do Mundo, temendo que o jogador se valorizasse durante a competição. Em contrapartida, o presidente Jean-Michel Aulas temia que a venda sem uma reposição imediata derrubasse as ações do Lyon. Por sua personalidade intempestiva, não surpreendeu a atitude de encerrar a negociação de repente. Entretanto, o dirigente acabou perdendo dinheiro com isso.

O Betis pagou apenas €25 milhões na compra de Fekir. O meia-atacante não renovou seu vínculo com o Lyon e o contrato com fim em junho de 2020 explica bastante a queda drástica do preço. Seu valor de mercado, conforme o site Transfermarkt, ainda é de €60 milhões. Apesar disso, também não se nega que o rendimento na última temporada desvalorizou um pouco o camisa 18. Não teve um desempenho tão arrebatador quanto se esperava pelo clube, com nove gols pela Ligue 1, metade dos 18 que anotara em 2017/18. Apesar de algumas boas atuações pela Champions League, isso não teria sido suficiente para elevar a pedida ao redor do francês.

Fekir, por sua vez, também parece dar um passo para trás. A afirmação de alguns jogadores no elenco do Liverpool, sobretudo de Divock Origi, impediu que o interesse dos ingleses por seu futebol se renovasse. Valencia e Sevilla, que demonstraram certa abertura à contratação, buscaram outras opções no mercado. O Napoli foi mais um a se prontificar pelo negócio, mas dando prioridade a James Rodríguez. Assim, juntando a vontade do atleta em se mudar à Espanha e a oferta do Betis, os verdiblancos ganharam a disputa.

A economia do Betis no custo da transferência renderá também um aumento salarial considerável a Fekir. Segundo o jornal L’Equipe, ele deve receber €7,2 milhões brutos por ano, cerca de €3 milhões a mais em relação ao que ganhava no Lyon. Além disso, a transferência inclui a contratação de seu irmão mais novo, Yassin Fekir, ponta de 22 anos que atuava pelo segundo quadro do clube francês. As lesões no joelho, que chegaram a ser motivo de dúvida nas negociações com o Liverpool, não impediram o acerto com os verdiblancos.

Fekir preferiu deixar o Lyon, onde era ídolo e capitão, para se tornar a aposta em um projeto ambicioso do Betis. Ao invés de ser coadjuvante em um clube grande, como provavelmente aconteceria no Liverpool, terá a responsabilidade de carregar o protagonismo da nova equipe. Esta torna-se a grande cartada de sua carreira, quem sabe para se mudar a uma agremiação maior em breve, já que os 26 anos de idade não deixam muito tempo a manobras.

E o Betis acaba como o grande vencedor nesta negociação, seja pelo investimento relativamente módico ou mesmo pelo acréscimo de qualidade. Após a demissão de Quique Setién, os verdiblancos promovem uma renovação sob as ordens de Rubi, treinador que subiu com o Huesca e vem de bom trabalho à frente do Espanyol. O clube fez algumas contratações na atual janela e promete realmente movimentar o mercado se vender Giovani Lo Celso à Premier League, conforme o especulado. Fekir é o primeiro passo desse processo.

Os acréscimos que o novato proporciona ao Betis são óbvios. Mesmo sem brilhar tanto no último ano, Fekir é um dos atacantes mais completos disponíveis no mercado europeu. Possui muita qualidade nas finalizações, inclusive em chutes de fora da área e cobranças de falta. Une a isso sua habilidade para os dribles e também a capacidade na criação, acumulando assistências. Que não tenha um porte físico tão avantajado e por vezes oscile, vale bastante o investimento. Pode se encaixar de diferentes formas na linha de frente, seja como um armador centralizado, como um segundo atacante ou como um falso nove. A tendência é ser o dono do time nesta nova fase dos andaluzes.

Talvez o maior passo para o Betis seja justamente o da ambição. O clube chegou a apresentar um bom futebol em parte do trabalho de Quique Setién, mas sofreu uma queda ao não manter a sua regularidade. Há um elenco amplo e digno de brigar por uma vaga na Liga dos Campeões, mas que não consegue pegar embalo. Fekir pode ser a chave a pontos extras, a partir de seu poder de definição. É ver como os beticos continuam reagindo no mercado, especialmente se encorparem um pouco mais o plantel. O momento anima os torcedores diante daquilo que podem aprontar.