O Besiktas atravessa um momento excelente nos últimos meses. Inaugurou o seu novo estádio e conquistou o Campeonato Turco após sete anos de jejum. Nesta temporada, busca o bicampeonato nacional. Já na Liga dos Campeões, acabou saindo na fase de grupos, embora tenha feito uma campanha digna no grupo que também contava com Napoli e Benfica. Foram eliminados com apenas uma derrota em seis rodadas. Mas, olhando para frente, a queda não foi tão ruim assim. Afinal, a terceira colocação garantiu os alvinegros na Liga Europa. E o time de Senol Günes iguala seus melhores desempenhos na história das competições continentais. Chega às quartas de final, ao golear o Olympiacos por 4 a 1 na Vodafone Arena, após o empate por 1 a 1 na Grécia.

O placar exagera um pouco o que foi a partida. De fato, o Besiktas começou melhor e abriu o placar com apenas 10 minutos. Em fase inspirada, Vincent Aboubakar completou o cruzamento de Anderson Talisca para marcar. Ryan Babel ampliou aos 22, com colaboração generosa do goleiro Nicola Leali. Já aos 31, Tarik Elyounoussi descontou de voleio. Neste momento, o Olympiacos precisava de apenas um gol. E viu o caminho se abrir quando Aboubakar foi expulso de maneira infantil, por uma cabeçada em Panagiotis Retsos.

Os gregos jogaram todo o segundo tempo com um a mais. Buscaram a pressão. Entretanto, o Besiktas conseguiu se segurar, matando o jogo nos 15 minutos finais. Babel fez o seu segundo, em outra falha de Leali. Já Cenk Tosun, que saíra do banco de reservas, fechou o placar aproveitando excelente enfiada de Talisca. O brasileiro, aliás, teve grande atuação e saiu de campo aplaudido. Ao apito final, os jogadores se reuniram no círculo central e comandaram a festa nas arquibancadas, com a torcida que não deixou de cantar por um instante sequer.

Em 39 participações nas competições europeias, o Besiktas aparece nas quartas de final pela terceira vez. Em 1986/87, caiu para o fortíssimo Dynamo Kiev na Copa dos Campeões. Já em 2002/03, não resistiu à Lazio na Copa da Uefa. Naquela campanha, o time treinado por Mircea Lucescu tinha entre seus destaques Óscar Córdoba, Ronaldo Guiaro, Daniel Pancu, Tayfur Havutçu e Ilhan Mansiz. Ainda assim, o histórico está abaixo do que seus maiores rivais já fizeram nos certames continentais. O maior orgulho do Galatasaray é o título da Copa da Uefa de 2000, enquanto o Fenerbahçe bateu nas semifinais da Liga Europa há quatro temporadas.

Por aquilo que vem fazendo, o Besiktas pode sonhar. Os turcos contam com um time qualificado e bastante tarimbado, com jogadores de currículo extenso nas copas europeias. Além disso, há talento individual para desequilibrar – em especial, Anderson Talisca e Ricardo Quaresma, enquanto Aboubakar e Cenk Tosun atravessam fases goleadoras. No banco de reservas há Senol Günes, um dos melhores técnicos da história de seu país, sempre lembrado por levar a seleção às semifinais da Copa do Mundo de 2002. E isso sem falar na torcida fanática, que faz a diferença nas arquibancadas, diante do excelente aproveitamento como mandante – a equipe sofreu apenas uma derrota em casa desde a inauguração da Vodafone Arena, em abril de 2016. Se as Águias avançarem um pouco mais, não será nenhuma surpresa.

Nos outros jogos do horário

Celta de Vigo e Genk também avançaram na Liga Europa, no primeiro horário da rodada das oitavas de final. O ‘EuroCelta’ repete o sucesso que teve na virada do século, quando atingiu as quartas de final da antiga Copa da Uefa em três oportunidades: 1998/99, 1999/00 e 2000/01. Os galegos, que venceram o jogo de ida por 2 a 1, bateram o Krasnodar também na Rússia, por 2 a 0. Os tentos foram anotados por Hugo Mallo e Iago Aspas. Já o Genk, depois de golear o Gent por 5 a 2, segurou o empate em casa por 1 a 1, suficiente para a classificação. Nunca o clube belga chegou tão longe nas competições continentais.