As discussões em torno do Paris Saint-Germain se alongam por estas semanas de pré-temporada. Além das contratações de renome já feitas (e abordadas em colunas anteriores), o PSG tem um caso complicado de gerenciar. Como também já foi tratado aqui, há atletas que desejam uma transferência e obter um espaço que certamente terão bem reduzido dentro da equipe, ainda mais com a chegada constante de reforços. Nenê precisará se reinventar para continuar como um dos mais queridos do time.

O brasileiro viu frustrada sua tentativa de deixar o time da capital e voltar ao Brasil, onde havia despertado o interesse do Corinthians. Sem a bênção liberatória de Leonardo, Nenê agora vislumbra um futuro pouco promissor. Antes dono de uma vaga de titular, ele provavelmente ficará no banco de reservas. O técnico Carlo Ancelotti já mostrou sua preferência em escalar o recém-contratado Ezequiel Lavezzi para o setor ofensivo – e, claro, nenhum clube investe tanta grana em alguém para deixá-lo como segunda opção.

Nenê passou da condição de uma das estrelas da companhia a um mero componente de bastidor. Com um ano de contrato a cumprir, ele ainda tem a esperança de se transferir para algum clube europeu (o Galatasaray estava em negociações), mas nada houve de muito concreto até o momento. O Lille também aparece como uma opção menos provável de se tornar real. De qualquer forma, o desejo do atleta em retornar ao seu país-natal foi jogado por terra.

O desejo de Nenê por uma oportunidade se fez claro no amistoso contra o Chelsea nos Estados Unidos. Ficou nítida a vontade do brasileiro em mostrar serviço e exibir suas qualidades, quase se como aquela partida fosse seu vestibular. O meia-atacante se movimentou intensamente pelo campo, com um bom entendimento com Lavezzi (os dois foram escalados como titulares) e trocas de posicionamento com o argentino. Nenê fez o gol do PSG e tentou provar a Ancelotti que pode jogar ao lado de Lavezzi e formar um excelente setor ofensivo com Pastore e Ibrahimovic.

Cabe lembrar, porém, outros momentos nos quais Nenê esteve ameaçado de perder sua condição de titular ou vivia momentos ruins na equipe. Quando precisava dar a volta por cima, o meia-atacante enveredou para uma tática que lhe causou ainda mais críticas da torcida e da imprensa, agravando sua situação. Nenê optou por carregar mais a bola e tentar resolver tudo sozinho. Como resultado, houve diversas boas jogadas abortados por conta do excesso de individualismo e uma irritação crescente por parte de seus companheiros de time.

Por um lado, Nenê teve o mérito de chamar a responsabilidade para si em um momento no qual o PSG se via em dificuldades para figurar no topo da Ligue 1. No entanto, ao mesmo tempo em que demonstrava tal preocupação, a forma como ele buscou traduzi-la se mostrou um fiasco.

Se realmente quiser manter sua vaga entre os titulares de um time estelar, o brasileiro deve pensar em outra maneira de se destacar em meio a tantos jogadores de renome. Apostar em carregar a equipe nas costas apenas reforçará o plano de Ancelotti mantê-lo no banco. O mais adequado seria repensar sua forma de jogar, aprimorando esse trabalho de revezamento no ataque aliado ao seu posicionamento em campo. Fortalecer o lado coletivo será um fator fundamental para o PSG enfim deslanchar – e Nenê precisa de urgência para entrar neste esquema.

Nova moda?

O Le Mans se orgulhava (?) por ser o primeiro e até então único clube francês a explorar os naming rights de seu estádio, o MMArena. Christian Estrosi, prefeito de Nice, confirmou a empresa que batizará a nova casa dos Aiglons. A companhia de seguros Allianz convenceu tanto o Nice como os políticos locais e pagará a bagatela de € 1,8 milhão de euros por temporada durante os próximos nove anos.

O Allianz Riviera será inaugurado em junho de 2013 e terá capacidade para 45 mil torcedores – mais do que o dobro do público máximo no Stade du Ray, atual casa do OGC e que pode receber quase 19 mil pessoas. O clube já se prepara para as benesses trazidas com a confirmação do parceiro, que já empresta seu nome para o Allianz Arena, em Munique, e considerado como um dos mais belos estádios europeus.

Nas últimas temporadas, o Nice tem se arrastado na Ligue 1 e escapou por pouco do rebaixamento ao final da última edição do torneio. Com as contas no vermelho, o clube não vê a hora de espantar as moscas que estão em seus combalidos cofres. Para isso, vislumbra um público maior em suas partidas. Em 2011/12, os Aiglons tiveram um público médio de 9.207 pessoas por jogo – a segunda pior do campeonato, à frente apenas do Ajaccio.

A situação, porém, mostra-se pior se analisarmos a taxa de ocupação do estádio durante a última Ligue 1. Foram pífios 49,2% e, mesmo no jogo com seu estádio mais lotado, o Nice não conseguiu enchê-lo. Logo na primeira rodada, quando enfrentou o Lyon, o OGC viu 14.405 pessoas no Stade du Ray – o equivalente a 77% de sua capacidade. O Lille, melhor time francês neste critério, apresentou uma taxa de 94,5%. Curiosamente, o campeão Montpellier ficou à frente apenas do OGC no quesito casa cheia (neste caso, vazia) com 53,1%.

Para evitar uma sensação mais desconfortável de jogar para ninguém, o Nice se vê obrigado a fazer uma campanha decente na próxima Ligue 1. Uma tarefa complicada, principalmente com o orçamento reduzido e já definido a conta-gotas quais serão os gastos. Sem a perspectiva de grandes reforços, o jeito será torcer por um milagre quase do mesmo tamanho daquele que permitiu ao Montpellier formar um bom grupo com atletas baratos.

O Nice terá outra dificuldade para capitalizar com sua futura casa. Algumas alas de torcedores se revoltaram com aquilo que chamam de “perda de identidade” do clube com a venda do nome do estádio. São aqueles mesmos que criticam o tal futebol moderno e o odeiam por ser algo mercantilizado, quase como se o Nice tivesse feito pacto com o diabo e oferecido sua alma como garantia – com direito até àquelas risadas maquiavélicas do Cão. Uma visão tacanha, diga-se de passagem, desta parcela da torcida.

O Allianz Riviera também será utilizado na Eurocopa-2016 e servirá como uma vitrine especial para o Nice. Pode ser uma daquelas chances que aparecem apenas uma vez na vida para o clube viver dias mais dignos. Obviamente, de nada adianta ter uma casa cheirando a alfazema se for preenchida com cadeiras de isopor, cortinas de pelúcia roxa e pintura azul-elétrico. Um pouco de qualidade e bom gosto cai muito bem, por mais simples que seja sua morada.