Bayern de Munique e Liverpool possuem um histórico curioso por competições oficiais. Os dois clubes já se enfrentaram por todos os torneios continentais, mesmo que seus encontros não tenham sido tão frequentes assim. No início da década de 1970, antes que as equipes se firmassem como potências continentais, se pegaram pela Copa da Uefa e pela Recopa Europeia. Os ingleses se deram melhor na primeira, ainda batizada como “Taça das Cidades com Feiras”, enquanto os alemães alcançaram a revanche na temporada seguinte, pela Recopa. O duelo mais memorável aconteceu em 1980/81, pelas semifinais da Copa dos Campeões. Mesmo encarando Karl-Heinz Rummenigge, melhor do mundo na época, o esquadrão de Bob Paisley provou sua força com a vaga na final. Por fim, o embate mais recente até esta terça foi o único que valeu taça. Em 2001, a Supercopa da Uefa botou os gigantes frente a frente. E os Reds voltaram a celebrar, com a vitória por 3 a 2 em Mônaco.

O ano de 2001 seria especial tanto na Baviera quanto em Merseyside. O Bayern encerrou o jejum de 25 anos sem faturar a Champions, em tempos inspirados de Oliver Kahn. O goleiro era a grande estrela no time de Ottmar Hitzfeld, que ainda contava com Élber, Bixent Lizarazu e Hasan Salihamidzic. Nem todos os astros entraram em campo naquela Supercopa, com o departamento médico cuidando de referências como Mehmet Scholl e Stefan Effenberg mas ainda era uma equipe de respeito. O Liverpool, por sua vez, atravessava momentos copeiros. O time de Gérard Houllier faturou a Copa da Inglaterra, a Copa da Liga e a Community Shield nos meses anteriores. Além disso, encerrou uma espera de quase duas décadas no cenário continental ao erguer a Copa da Uefa, depois da insana final contra o Alavés. Michael Owen estava em sua melhor fase. Tinha ao seu lado ainda Steven Gerrard, Jamie Carragher, Emile Heskey e outros nomes importantes em Anfield.

A tarimba daquele Liverpool em jogos decisivos preponderou no Estádio Louis II. Mesmo que o Bayern controlasse a posse de bola, os Reds criavam mais chances e abriram o placar aos 23 minutos. John Arne Riise roubou a bola de Owen Hargreaves e se lançou ao ataque, concluindo o cruzamento de Owen após o contragolpe. E antes do intervalo, saiu o segundo gol. Heskey passou no meio de dois defensores, tocando com sutileza na saída de Kahn para anotar um lindo tento. Quando se esperava uma postura mais contundente dos alemães na volta do intervalo, Owen praticamente matou a partida. Carragher fez um baita lançamento para o atacante, que ganhou do marcador na corrida e tirou do alcance de Kahn. Os bávaros ainda não se entregaram e descontaram duas vezes, em gols de cabeça de Salihamidzic e Carsten Jancker. No entanto, a reação parou por aí. “Michael Owen é um dos melhores do mundo e simplesmente não pudemos lidar com sua ameaça”, sentenciou Hitzfeld, após a derrota.

Aquele foi o segundo título do Liverpool na Supercopa. E, de certa maneira, antecipou uma noite memorável no Estádio Olímpico de Munique. Exatamente uma semana depois, Alemanha e Inglaterra se enfrentaram pelas Eliminatórias da Copa de 2002. Os Three Lions aplicaram a inapelável goleada por 5 a 1, uma das mais memoráveis do clássico. Enquanto Kahn era titular do Nationalelf ao lado de outros dois jogadores do Bayern (e um do Liverpool), os Reds possuíam quatro representantes na escalação de Sven-Göran Eriksson. Heskey e Gerrard anotaram um gol cada, enquanto a grande marca da noite seria o hat-trick de Owen. O camisa 10 acabaria levando a Bola de Ouro naquele ano, superando justamente Kahn.