O Barcelona não conseguiria vencer a Premier League no primeiro ano, e quem afirma isso é Piqué

Antes de confronto contra a Inglaterra, zagueiro falou de diferença de estilos e apontou caminhos para o futebol inglês triunfar

Os campeonatos nacionais europeus deram uma pausa para mais uma data Fifa, e enquanto algumas seleções começam a disputar a repescagem das Eliminatórias para a Euro do próximo ano, outras, já classificadas, se encontram em partidas amistosas. É o caso de Espanha e Inglaterra, que se enfrentam nesta sexta-feira, em Alicante. Pela passagem que teve pelo Manchester United e pelo papel importante que desempenha tanto no Barcelona quanto na Roja, Piqué foi procurado pela imprensa inglesa, e o jornal Telegraph, em especial, fez uma entrevista bacana com o defensor, falando da diferença de estilos entre os dois países, sobre qual caminho a Inglaterra precisaria percorrer para voltar a conquistar alguma coisa e sobre como o Barcelona teria dificuldades em levantar a taça se jogasse na Premier League. Isso mesmo.

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Piqué destacou a diferença de estilos de jogo e a adaptação pela qual o time necessariamente precisaria passar para conseguir triunfar na Inglaterra como os motivos pelos quais seria inimaginável mesmo o atual Barcelona, campeão da Champions League, vencer o Campeonato Inglês. “Acho que se o Barcelona ou o Real Madrid fosse para a Premier League, no primeiro ano jogando lá, não há chance de vencer.” Mesmo? “É, eu acho, porque se você vai jogar contra o Stoke fora de casa, ou contra outros tipos de times, é muito difícil. É um debate, poderíamos passar horas falando disso. Se o Manchester United ou o Chelsea for para a Espanha, seria a mesma coisa: sem chances de vencer a liga”, explicou.

O zagueiro do Barça utilizou a liga inglesa também como exemplo para passar uma “lição”: é preciso intercâmbio de ideias para se triunfar no futebol atual: “Lembro que, quando eu cheguei à Inglaterra, muita gente disse que meu estilo de jogo não era para a Inglaterra. Agora isso está mudando. Lembro também quando Fàbregas e Cazorla chegaram à Inglaterra, e as pessoas diziam ‘não, não é o mesmo estilo de jogo’. Mas todos amaram, e agora eles são as estrelas da liga. Acho que, finalmente, os torcedores ingleses precisam aceitar que esse é o jeito como o futebol é jogado em todo o mundo. É verdade que eles amamo jogador box-to-box, mas se você quer conquistar títulos, talvez você tenha que mudar um pouco.”

Piqué tocou no assunto porque, é claro, o Telegraph quis ouvir sua opinião sobre a seleção inglesa e o que vinha faltando para que os Three Lions voltassem a conquistar algum título importante. O defensor destaca a campanha de dez vitórias seguidas da Inglaterra nas Eliminatórias para a Euro, mas fala da falta de estabilidade e da troca constante no núcleo da equipe como dificultadoras do trabalho e aponta a continuidade espanhola como a alternativa.

“Acho que agora eles estão em uma boa sequência. Isso é um bom sinal. Mas acho que, na Inglaterra, o problema sempre foi não haver estabilidade. Para mim, tudo depende das categorias de base. Lembro de quando a seleção espanhola venceu a Euro (em 2008). Antes disso, havia muitas críticas. Venceram a Euro, e então vencemos a Copa do Mundo e a Euro de novo, e havia jogadores, como Andrés Iniesta e Fernando Torres, que trabalhavam juntos desde que tinham 12 ou 13 anos e então estavam conseguindo os resultados na equipe principal”, exemplificou Piqué.

O que confere autoridade para Piqué falar de tal maneira, apontando caminhos para os outros, é a carreira repleta de conquistas que teve até aqui. Foram cinco títulos de La Liga, quatro de Champions League, duas Eurocopas e uma Copa do Mundo, além de uma série de outras vitórias de menor expressão. Um currículo pesado, mas que o zagueiro tenta deixar de lado para manter a motivação no dia a dia: “Na minha vida, nunca imaginei que venceria todos esses torneios. Mas quero vencer mais e tenho uma boa chance de fazer isso. Tenho mais quatro ou cinco anos de carreira. Mas tenho que atuar em alto nível. Se, apenas uma vez, eu disser ‘olhar, não quero trabalhar tanto’, então eu vou para o banco. De lá para as arquibancadas. E então para fora (do futebol). Aí está acabado. Você tem uma responsabilidade quando você vence tanto quanto eu venci, tanto quanto os times pelos quais eu joguei venceram. Os torcedores esperam mais.”