O Sevilla tinha sua chance de ouro para eliminar o Barcelona na Copa do Rei. O jogo de ida, no Ramón Sánchez-Pizjuán, viu apenas um time jogar bola e a vitória por 2 a 0 sobre o mistão catalão era mais do que merecida. A vantagem dos andaluzes causava temores para o reencontro no Camp Nou e anotar um gol poderia dificultar bastante a vida dos anfitriões. No entanto, o que se viu foi um Barça sedento e capaz de transformar a ocasião em goleada. Sim, os rojiblancos tiveram alguns bons momentos ao longo da noite e por um bom tempo ficaram a um gol de cometer o crime, mesmo já goleados. Ao final, pesou a magia do ataque comandado por Lionel Messi. A beleza do sexto gol talvez tenha sido até mais humilhante que os 6 a 1 no placar, levando os blaugranas às semifinais.

Como tem sido praxe na Copa do Rei, Ernesto Valverde usou força máxima dentro do Camp Nou. E os anfitriões teriam que reverter a diferença construída pelo Sevilla. O time partiu ao ataque e começou a criar as primeiras chances de gol, até abrir o placar aos 13 minutos. Messi sofreu pênalti e permitiu que Philippe Coutinho batesse. O brasileiro espantou a má fase e converteu, mandando no cantinho do goleiro. Os rojiblancos bem que poderiam ter empatado na sequência. Para tanto, Jasper Cillessen foi fundamental. O goleiro fez uma defesa monumental após toque de calcanhar de André Silva. Desviou a bola com a ponta dos dedos, antes que ela batesse também na trave. Já aos 27, Éver Banega teve o empate em seus pés, a partir de outra penalidade. O holandês pegou o chute, no primeiro pênalti defendido de sua carreira profissional.

O Barcelona não tardaria a ampliar a diferença, facilitando o seu caminho. Arthur deu uma enfiada cirúrgica e Ivan Rakitic desviou com a pontinha da chuteira, garantindo o segundo gol aos 30 minutos. E, depois de diminuírem o ritmo ao final do primeiro tempo, os blaugranas encaminharam a classificação na volta do intervalo. Foram mais dois gols em menos de nove minutos. Coutinho guardou o terceiro. Depois de uma envolvente troca de passes, Luis Suárez inverteu os papéis e cruzou para o brasileiro desviar de cabeça, feito um centroavante. Já o quarto gol foi cortesia de Messi, que arrancou pela direita e deu um passe excepcional por entre os marcadores, conectando Sergi Roberto dentro da área. O lateral bateu cruzado e correu para o abraço.

Coutinho teve um gol bem anulado aos 13, até que o Sevilla voltasse ao jogo por uma bobeira de Cillessen. O goleiro saiu jogando errado e entregou a bola nos pés de Banega. A jogada seguiu até o outro lado da área, onde Guilherme Arana acertou um foguete, indefensável. Neste momento, os andaluzes precisavam de apenas mais um gol para se classificar. Wissam Ben Yedder e Franco Vázquez saíram do banco, aumentando o potencial ofensivo. Enquanto isso, Messi perdeu um gol que não costuma jogar fora, prendendo a bola demais até forçar uma defesaça do goleiro Juan Soriano. As chances de uma eliminação, todavia, seriam reduzidas a pó nos minutos finais.

O quinto veio em um contra-ataque, aos 44. Messi foi lançado em velocidade e abriu com Vidal. Jordi Alba recebeu na esquerda do chileno e deu um cruzamento perfeito a Luis Suárez, que concluiu no segundo pau. Por fim, a obra de arte. O sexto gol do Barcelona mostra o melhor que o clube pode produzir, contra um rival abatido. Prevaleceu a excelência no toque de bola, nem sempre cultivada com Ernesto Valverde, e o talento de Messi se transformou na cereja do bolo. A pelota rodou por diferentes pés. Messi deu o seu primeiro toque de classe com uma inversão a Vidal. Suárez tabelou com Gerard Piqué, já se aventurando como centroavante, até rolar a Jordi Alba. O lateral só ajeitou a bola, dando um sutil toque de calcanhar a Messi. Então, o camisa 10, com requintes de crueldade,  deixou o marcador no vácuo, antes de concluir as redes. Poesia em forma de futebol.

O Sevilla volta a colocar os pés no chão com esta derrota. O sonho na Copa do Rei se esfarela e o clube volta a se concentrar na conquista da vaga à próxima Champions, enquanto tem uma Liga Europa a jogar. O Barcelona, por sua vez, segue em frente na competição que domina ao longo dos últimos anos. Apesar dos riscos, foi uma classificação mais tranquila do que se esperava. Ainda contou com um goleiro decisivo, desta vez Cillessen, e um Messi primordial, sobretudo por se encarregar da armação. Mas também é preciso reconhecer os méritos do conjunto que tratou de maneira séria a eliminatória, com Coutinho finalmente dando um basta à sequência ruim. Graças a esses elementos, o Barça segue forte por mais um título na temporada.