A primeira fase da Eurocopa chegou ao fim. Foram 36 partidas de bola rolando para definir os 16 classificados às oitavas de final. A expectativa é que o bicho finalmente comece a pegar na França, depois de quase duas semanas que ficaram devendo um pouco em emoção e futebol.

Temos dois dias de folga até o começo do mata-mata, no sábado, que são boas oportunidades para refletirmos sobre o que aconteceu até agora. Por isso, fizemos um pequeno balanço da fase de grupos, que você confere abaixo.

Os favoritos
A Itália classificou-se às oitavas de final (Foto: AP)
A Itália classificou-se às oitavas de final (Foto: AP)

Antes de a primeira bola rolar em campos franceses, os favoritos mesmo para vencer a Eurocopa eram o time da casa e a campeã mundial Alemanha, com a Bélgica e a Espanha um pouco menos cotadas.

À medida que a primeira fase foi se desenvolvendo, a lista não ficou necessariamente mais larga, mas a Itália mostrou força. Garantiu a liderança do seu grupo com uma rodada de antecedência, vencendo a Bélgica, e se deu ao luxo de poupar jogadores na partida final. Chega às oitavas descansada para enfrentar a Espanha.

Será um páreo duro. Depois da decepção da Copa do Mundo do Brasil, a Espanha parece estar buscando o ponto ideal entre o alívio de não ser mais considerada favorita e a vontade de recuperar o seu orgulho. Foi o primeiro time a ganhar por três gols de diferença na Eurocopa e também passeou nos dois jogos iniciais.

Preocupa os espanhóis a derrota para a Croácia, que desempenhou um bom futebol até aqui. Perisic foi um dos destaques da primeira fase, com dois gols, e o meio-campo está voando, liderado por Rakitic e Modric. Está na chave menos tradicional do mata-mata. Enfrenta Portugal, o vencedor de Suíça x Polônia e estaria nas semifinais, contra, no máximo, a Bélgica. Tem bola e caminho para fazer um bom torneio, superando a campanha de quartas de final de 2008, seu melhor resultado.

Os croatas estão no mesmo lado da Bélgica, com um possível encontro nas semifinais. Os belgas perderam a estreia para a Itália, venceram bem a Irlanda e se acomodaram contra a Suécia. Precisam subir de nível para justificar a badalação.

O mesmo vale para os favoritos originais, que não fizeram nada além do básico. Tropeçaram ao menos uma vez e ganharam sem empolgar. A França arrancou duas vitórias com gols nos últimos minutos. A Alemanha só não perdeu da Polônia porque Milik desperdiçou duas grandes chances.

Ainda não ficou claro quem tem mais garrafas vazias para vender na Eurocopa.

A decepção
Alaba é consolado após a eliminação da Áustria (Foto: AP)
Alaba é consolado após a eliminação da Áustria (Foto: AP)

Temos bons candidatos. Portugal não ganhou um jogo ainda, mas pelo menos se classificou às oitavas de final e tem chance de reverter o seu quadro. A Ucrânia foi eliminada com três derrotas, cinco gols sofridos e nenhum marcado, mas qual era realmente a expectativa em cima dela?

No entanto, esperava-se um bom futebol da seleção austríaca, ainda mais em uma chave acessível. O time de Alaba e Arnautovic até empatou com o favorito Portugal, mas perdeu da Hungria e da Islândia, ficou com um ponto, na lanterna do grupo. Olha o lado bom: liderou a nossa lista de decepções da Eurocopa.

A despedida
Ibrahimovic despede-se da seleção sueca (Foto: AP)
Ibrahimovic despede-se da seleção sueca (Foto: AP)

Zlatan Ibrahimovic e sua Suécia escaparam por pouco do pódio de decepções, mas achamos por bem destacar que a derrota por 1 a 0 para a Bélgica foi a última partida do atacante pela sua seleção. Ibra, um dos melhores jogadores do mundo nos últimos anos, despede-se dos palcos internacionais sem ter feito um grande torneio pela sua seleção. O melhor foi a Eurocopa de 2004, quando chegou às quartas de final, mas ele ainda era jovem demais para ser considerado o dono do time. Fica o legado de muitos golaços, dos quais separamos dez aqui.

A torcida

A melhor atuação da primeira fase da Eurocopa foi da torcida irlandesa. Sempre com muita alegria (e álcool na veia), eles fizeram a festa na França. Trocaram pneu de velhinhos, cantaram para a polícia, surfaram no asfalto e colecionaram uma série de peripécias que juntamos neste post. Mas nada os define melhor do que a seguinte frase:

“Irlandês com máscara de cavalo marca gol em janela no segundo andar de prédio e leva a torcida à loucura”.

A Albânia
A comemoração da Albânia após sua primeira vitória (Foto: AP)
A comemoração da Albânia após sua primeira vitória (Foto: AP)

Depois de setenta anos de figuração, a seleção albanesa finalmente conseguiu classificar-se para uma grande competição internacional e não fez feio. Foi protagonista de belas histórias. A única vitória, sobre a Romênia, foi comemorada com uma explosão de sentimentos, e os jogadores receberam passaportes diplomáticos depois dela, tornando-se, quase oficialmente, embaixadores do país.

E quer uma imagem mais simbólica do que a mãe de Granit e Taulant Xhaka – o primeiro atleta da Suíça, o segundo da Albânia – usando uma camisa com as duas bandeiras, na partida em que seus filhos estiveram em campo, um contra o outro?

Pausa

Uma pequena pausa para jogarmos Football Manager com Griezmann, craque da seleção francesa e grande entusiasta do jogo. Depois de ser pego fuçando no Chelsea, confirmou que treina o Lyon no joguinho virtual.

O herói
Bale comemora, com Ramsey, gol de Gales
Bale comemora, com Ramsey, gol de Gales

Toni Kroos talvez tenha tido as melhores atuações individuais, mas Gareth Bale cumpriu o seu papel de líder, craque e capitão de País de Gales. Marcou três gols, um em cada partida da fase de grupos, e carregou sua nação à classificação histórica às oitavas de final. Contra a Irlanda do Norte, um adversário bem acessível, precisa assegurar que o conto de fadas ainda não chegue ao fim.

A surpresa

Olha que conta maravilhosa do Telegraph: um em cada mil homens islandeses entre 20 e 30 anos está jogando pela seleção da Islândia na Eurocopa de 2016. Kari Arnason disse que pelo menos reconhece metade da torcida que compareceu aos jogos para ver o time jogar. Mais de 8% da população do país foi à França acompanhar a primeira participação da seleção islandesa em uma grande competição internacional.

E dentro de campo, a nação com dimensões comparáveis às de Taubaté está longe de fazer feio. Defendendo com qualidade e sabendo quando atacar, a Islândia empatou seus dois primeiros jogos por 1 a 1 e se classificou às oitavas de final em segundo lugar no grupo com a vitória sobre a Áustria, com gol nos acréscimos. Suficiente para um narrador islandês perder a cabeça.

Cristiano Ronaldo

O mais famoso craque da Eurocopa demorou para brilhar. Antes de dar uma assistência e fazer dois gols no decisivo empate contra a Hungria, tudo que fez colecionar polêmicas. Menosprezou os jogadores islandeses, que comemoraram o empate com Portugal. “Isso é mentalidade pequena. Por isso, eles nunca serão nada”, disse. Jogou o microfone de um repórter em um lago. E mesmo durante a partida contra os húngaros, teve esta reação que só podemos chamar de “piti”. Portugal precisa que ele coloque a cabeça no lugar e se acalme para chegar longe na Eurocopa.

 

Cenas lamentáveis
Cenas de violência envolvendo russos e ingleses em Marselha (Foto: Jean-Paul Pelissier/Reuters)
Cenas de violência envolvendo russos e ingleses em Marselha (Foto: Jean-Paul Pelissier/Reuters)

Os primeiros conflitos entre torcidas aconteceram em Marselha, onde a combinação de russos, ingleses e ultras do Olympique foi previsivelmente desastrosa, embora as forças de segurança da França parecessem surpresas com os problemas. A Uefa chegou a ameaçar excluir a Rússia e a Inglaterra da Eurocopa, se os seus torcedores continuassem causando confusão.

A Federação Croata também fez a entidade europeia se mexer, depois de alguns de seus torcedores lançarem objetos ao campo e usarem fotos de artifício na partida contra a República Tcheca, tudo isso acompanhado de comportamento racista. Multa de € 100 mil, ou, no popular, bala de troco.

Os golaços

Dimitrit Payet – França 2 x 1 Romênia

 

Marek Hamsik – Eslováquia 2 x 1 Rússia

 

Luka Modric –Croácia 1 x 0 Turquia

 

O jogaço

De um lado, Portugal, que poderia ser eliminado tragicamente na primeira fase. No outro, a grata surpresa que foi a Hungria. E Cristiano Ronaldo finalmente resolveu jogar. Todos esses elementos fizeram desse empate por 3 a 3, na rodada final da fase de grupos, o melhor jogo da Eurocopa até aqui.

Gera abriu o placar para os húngaros, em jogada de escanteio, mas Nani, com passe de Ronaldo, empatou. Dzsudzsák, no começo do segundo tempo, cobrou falta e contou com um desvio para fazer 2 a 1 para a Hungria. Ronaldo empatou de letra. Dzsudzsák voltou a marcar, com um chute de fora da área – que desviou uma segunda vez na zaga portuguesa. E Ronaldo, de cabeça, fechou o placar.

As melhores comemorações

A Hungria superou expectativas nesta Eurocopa, com uma campanha invicta na fase de grupos: uma vitórias e dois empates. Classificou-se em primeiro lugar no grupo. Tem o seu goleirão de calça de moletom, um verdadeiro tiozão do churrasco, e uma maneira muito bacana de comemorar os gols. Sempre se abraçam, mostrando que são um grupo unido, e às vezes correm em direção à torcida.

Às vezes dá errado, como neste escorregão de Dzsudzsák no segundo gol contra Portugal.