O Auckland City fez história no Mundial: 13 momentos em que a Oceania se orgulhou de seu futebol

Clube da Oceania conquistou um merecidíssimo terceiro lugar no Mundial de Clubes: veja outros grandes episódios do futebol do continente

O Auckland City fez uma campanha no Mundial de Clubes para encher de orgulho toda a Oceania. A equipe semiprofissional contrariou todos os prognósticos para ir muito mais longe do que se esperava na competição. Depois de eliminar Moghreb Tétouan e Sétif, que contavam com o apoio massivo da torcida, os neozelandeses estiveram a um triz de eliminar o San Lorenzo, levando heroicamente a semifinal até a prorrogação. Já na decisão do terceiro lugar, mais um motivo para se alegrar: após sair na frente, a equipe bateu o Cruz Azul nos pênaltis. Nunca um clube da Oceania havia feito tanto em uma competição da Fifa.

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Certamente os jogadores do Auckland serão recebidos como heróis na volta para casa. Não é para menos. O desempenho vale mais do que os seis títulos continentais juntos. E vale para exaltar a história do futebol na Oceania. Longe de possuir a força dos outros continentes, a região teve alguns momentos de glória no esporte. Abaixo, relembramos 13 episódios marcantes – que contemplam também a Austrália, embora parte da confederação asiática atualmente:

A Oceania estreia em Copas do Mundo

A primeira participação de uma seleção da Oceania no Mundial aconteceu em 1974. A Austrália avançou pelas Eliminatórias que também contemplavam a Ásia, eliminando Irã e Coreia do Sul nas fases mais agudas. E a equipe não fez um papel tão ruim naquela Copa. Apesar das derrotas para a Alemanha Oriental e para a Alemanha Ocidental, os Socceroos arrancaram um honroso empate por 0 a 0 contra o Chile, que acabou eliminando os sul-americanos da competição.

Os primeiros do continente a triunfar na França

Jacques Zimako se consagrou com a camisa do Saint-Étienne. O atacante era uma das peças fundamentais na equipe que se sagrou campeã francesa em 1980/81. Nascido na Nova Caledônia, tornou-se o primeiro jogador nascido na região a defender a seleção principal francesa, participando das Eliminatórias da Copa de 1982. Já o primeiro a disputar um grande torneio pelos Bleus foi o taitiano Pascal Vahirua, que fez parte do elenco da Euro 1992.

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A Austrália quase deixa a Argentina de fora da Copa de 1994

O moral da Argentina estava bastante abalado pelos 5 a 0 que a Colômbia enfiou em pleno Monumental de Núñez pelas Eliminatórias. Isso não minimiza, contudo, o grande papel feito pela Austrália na repescagem. Após o empate por 1 a 1 em Sydney, os Socceroos só caíram em Buenos Aires por 1 a 0, gol contra de Alex Tobin. A atuação impressionou tanto Diego Maradona que, após a partida, o craque foi parabenizar o capitão Paulo Wade: “Suas lágrimas de dor serão um dia lágrimas de orgulho”.

Quando o artilheiro da Champions era neozelandês

Wynton Rufer é considerado o melhor jogador da Oceania no Século XX. O atacante nascido na Nova Zelândia começou a carreira no país, mas logo migrou para a Inglaterra. Teve passagens de sucesso pelo futebol suíço, chegando ao seu auge com a camisa do Werder Bremen. Pelos Verdes, Rufer conquistou uma Bundesliga e uma Recopa Europeia como protagonista do time. Teve a chance de disputar a Champions League em 1993/94 e acabou como um dos artilheiros da competição, ao lado de Ronald Koeman. O goleador anotou oito gols, dois na épica vitória por 5 a 3 sobre o Anderlecht.

A Austrália chega à final de um torneio Fifa

De certa forma, as palavras de Maradona em 1994 se concretizaram três anos depois. A Austrália conquistou a melhor campanha da Oceania em um torneio Fifa na Copa das Confederações de 1997. A equipe venceu o México na primeira fase e avançou na segunda posição da chave. Já nas semifinais, o feito veio contra o Uruguai, com Harry Kewell anotando o gol de ouro. Na decisão, Romário e Ronaldo destruíram nos 6 a 0 do Brasil, mas a história estava feita.

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Karembeu se torna o primeiro campeão do mundo da Oceania

Christian Karembeu defendia a França na Copa do Mundo de 1998. Uma seleção multicultural, que teve o meio-campista como representante da Polinésia Francesa. O ex-jogador do Real Madrid nasceu na Nova Caledônia, mas mudou-se para a França aos 17 anos, para estudar e jogar futebol. Seu bisavô, entretanto, já havia feito o mesmo caminho muito antes. No início do Século XX, ele foi levado para Paris em uma exibição dos “canibais” das ilhas do Pacífico. Karembeu também se tornou o primeiro campeão da Champions, levantando a taça com os merengues por duas vezes, em 1998 e 2000.

O Sydney FC se impõe sobre o Al Ahly

Até o Auckland City, a melhor campanha de um time da Oceania no Mundial de Clubes tinha sido a quinta colocação. Conquistada de maneira mais emblemática pelo Sydney FC, em 2005. A equipe australiana caiu para o Saprissa nas quartas de final, pelo placar mínimo. Já na partida de honra, bateu o respeitável Al Ahly, com Aboutrika e tudo do outro lado. O primeiro tento na vitória por 2 a 1 foi anotado pelo veteraníssimo Dwight Yorke, enquanto o lendário Kazu Miura também fazia parte daquela equipe titular. O técnico era o alemão Pierre Littbarski, tricampeão do mundo em 1990.

A Austrália tira o Uruguai da Copa de 2006

Sempre que cruza com um time da Conmebol na repescagem das Eliminatórias, a seleção da Oceania é considerada zebra. No entanto, não foi assim em 2006, quando os Socceroos fizeram história. A equipe estrelada por Schwarzer, Kewell e Viduka perdeu para o Uruguai no Centenário, mas deram o troco em Sydney com um gol de Bresciano e se classificaram nos pênaltis. Na Alemanha, os australianos também fizeram bom papel. Passaram na segunda posição do grupo do Brasil, deixando para trás Croácia e Japão, e deram muito trabalho para a Itália nas oitavas – caíram apenas com um gol de Totti nos acréscimos finais.

Os australianos que fizeram sucesso na Premier League

Eles podem não ter sido protagonistas. Mas vários jogadores da Oceania fizeram sucesso em suas passagens pela Premier League. Com as camisas de Leeds e Middlesbrough, o goleador Mark Viduka anotou 92 gols pela competição. Já o goleiro Mark Schwarzer é o terceiro na lista entre aqueles que mais passaram jogos sem sofrer gols, atrás apenas de David James e Petr Cech. Dentre outros tantos que tiveram passagens marcantes pela Inglaterra estão Harry Kewell, campeão da Champions de 2005 com o Liverpool, e Tim Cahill, idolatrado no Everton após oito anos no clube. Todos membros da geração de ouro dos Socceroos.

A Nova Zelândia sai invicta da Copa de 2010

Tudo bem que os All Whites jogaram um futebol pragmático ao extremo no Mundial da África do Sul. Não foi o suficiente para a classificação, mas ajudou a derrubar ninguém menos do que a Itália, então dona da taça. Os neozelandeses buscaram um empate nos acréscimos contra a Eslováquia, seguraram o 1 a 1 diante da Azzurra e não foram além do 0 a 0 diante do Paraguai. Para quem seria o saco de pancadas de um grupo razoavelmente forte, valeu bastante.

Taitianos após a derrota para o Uruguai: eles não esperavam tanto apoio do povo brasileiro

A lição que o Taiti deu no Brasil

A campanha do Taiti na Copa das Confederações de 2013 esteve longe de ser boa. A equipe amadora veio ao Brasil para tomar o menor número de gols possível e, com a bola rolando, seu melhor momento foi o gol solitário na derrota por 6 a 1 para a Nigéria. Mesmo assim, os taitianos deram exemplo. De desportividade, pela maneira que se portaram na competição, e de simpatia, pela forma como trataram o público e os jornalistas. Deixaram saudades. Depois, ainda tiveram sua recompensa por vias tortas no Mundial de Futebol de Areia de 2013, quando acabaram na quarta colocação.

Cahill marca um golaço e entra para a história

Quando saiu o sorteio da Copa do Mundo de 2014, a Austrália sabia que teria uma vida dificílima. Pela frente, Espanha, Holanda e Chile. E, mesmo perdendo todos os seus jogos, os Socceroos fizeram um papel digno ao não se entregarem em nenhum momento. Tiveram o seu ápice com o golaço de Tim Cahill contra a Holanda, que entrou na lista da Fifa para o Prêmio Puskás. Aquele tento também foi o quinto do meia em Mundiais, maior artilheiro do continente na história do torneio.

O Western Sidney Wanderers conquista a Ásia

Após a mudança de confederação, o maior feito de um clube australiano veio na Liga dos Campeões da Ásia deste ano. O novato Western Sydney Wanderers contrariou os prognósticos ao eliminar os poderosos Guangzhou Evergrande e Al Hilal, dando ao país o primeiro título no novo continente – em 2011, a Austrália havia sido vice na Copa da Ásia. A taça ainda valeu a vaga no Mundial, embora a equipe tenha parado no Cruz Azul. Acabou vingada pelo Auckland City.