Outra vez o Atlético Mineiro estava contra a parede na Libertadores. Não em um território hostil, como na última rodada. Porém, mesmo empurrado pelo Independência lotado, o Galo precisava vencer o Independiente Santa Fe para dar sequência a sua recuperação no torneio. Conseguiu. Não foi a vitória mais exuberante do time de Levir Culpi, mas a vibração do time e o ambiente intimidador do Horto serviram para empolgar os atleticanos. E o placar de 2 a 0 mantém o clube respirando, assim como aumenta suas chances de classificação no torneio continental. Crescer neste momento é fundamental, ainda que o Atlético precise de mais nos mata-matas.

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Foi importante para os mineiros resolverem a partida logo nos primeiros minutos. Os anfitriões partiram para a pressão sob o Santa Fe, com a ajuda principalmente de Dátolo, que controlava as ações ofensivas da equipe. E encontraram o gol a partir de uma roubada de bola, que permitiu a Carlos sair de frente para o gol e finalizar longe do alcance do goleiro Castellanos. Já ajudava o Galo, ainda que não livrasse o time da pressão.

O Atlético até contava com o domínio da partida na maior parte do tempo e pressionava, mas não tinha organização para produzir tantas jogadas de perigo. Lucas Pratto dá outra cara para a equipe e Luan chamou bastante o jogo durante a partida, mas os atleticanos não eram tão incisivos para aumentar a diferença. Além disso, a marcação fortíssima comandada por Leandro Donizete permitia que as jogadas começassem em boas posições no campo, em vão. Do outro lado, o Santa Fe pôde se acomodar mais com o passar dos minutos. Começava a sair para o jogo, mas apresentando uma deficiência ainda mais clara na conclusão. Omar Pérez é um ótimo camisa 10, mas útil apenas nas bolas paradas, sem companheiros de ataque que criem espaços para a sua armação.

A situação só levou mais perigo ao Galo durante meados do segundo tempo, quando o Santa Fe começou a apostar de maneira mais sistemática nas bolas alçadas na área. Mesmo jogando em casa, o time de Levir Culpi passaria a apostar nos contra-ataques – em especial, com Guilherme dando novas energias ao setor ofensivo, em sua volta após seis meses longe do time por lesão. Miguel Borja poderia ter empatado, mas furou uma chance claríssima dentro da área. Sorte dos atleticanos, que deram o golpe fatal já aos 45 do segundo tempo. Um lançamento de Victor deixou Guilherme em boas condições no ataque, graças ao erro da zaga, e o camisa 17 ratificou a vitória.

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Para quem viu o Atlético jogando o fino durante a conquista da Copa do Brasil, a forma neste início de ano ainda deixa a desejar. Naturalmente, diante da perda de Diego Tardelli (peça fundamental para a dinâmica no ataque e para as trocas de posições) e das seguidas lesões durante as primeiras semanas de 2015, que atrapalharam o reencaixe da equipe. De qualquer forma, falta um pouco mais de identidade aos alvinegros neste início de temporada. Não dá para depender apenas de momentos isolados para vencer. Os atleticanos contam com vários bons valores individuais, mas coletivamente não está afinado. Por sorte, a vontade preponderou no Independência.

A força do estádio, aliás, talvez tenha sido o grande trunfo do Galo nesta quinta. No terceiro maior público no Horto desde a reforma, com 21 mil pessoas nas arquibancadas, a pressão pesou bastante na cabeça do Santa Fe. E deu forças para os mineiros buscarem o resultado difícil. Para uma equipe que conquistou o título há dois anos acumulando milagres em casa, está claro que este apoio vale muito. Mas, em desafios maiores, aquele time também tinha suas virtudes em campo. Mais do que as apresentadas até aqui pelo Atlético.

Para avançar de fase, por enquanto, parece ser suficiente, mas os mata-matas devem exigir mais. Neste momento, os alvinegros igualaram os seis pontos do Santa Fe na segunda colocação da chave, enquanto o Colo Colo lidera com nove. Tanto quanto confrontos vitais para a continuidade no torneio, os dois últimos jogos do Atlético na fase de grupos, contra o Atlas no México e o Colo Colo em BH, também serão bons parâmetros de como o time deverá se colocar na etapa decisiva da Libertadores.