O Atlético Tucumán exalou paixão e vibração para seguir sua história na Libertadores

Em festa linda de sua torcida, o Atlético Tucumán amassou o Junior de Barranquilla e confirmou sua presença na fase de grupos

Já tinham se passado duas semanas daquela noite lisérgica em Quito. A insanidade coletiva que se transformou em epopeia e terminou em euforia, com a classificação do Atlético Tucumán contra El Nacional – mesmo depois das horas perdidas no aeroporto, da velocidade máxima na estrada e do escudo da seleção argentina no peito. Desde então, o Decano não voltara a pisar no gramado do Estádio Monumental Presidente José Fierro. No máximo, cruzou com sua torcida em êxtase pelas ruas, mas não pôde compartilhar a costumeira loucura febril nas arquibancadas. Nesta quinta, a espera acabou. Os tucumanos se reencontraram com seu time em dia de Libertadores, para seu segundo jogo em casa na história da competição, mas já com assunto para rechear um livro. E, de novo, entraram em transe. Com uma atuação massacrante no primeiro tempo, o Atlético Tucumán derrotou o Junior de Barranquilla por 3 a 1 e avançou à fase de grupos.

Como era de se imaginar, toda a aventura vivida em Quito impulsionou ainda mais a fanática torcida albiceleste nas arquibancadas. O Atlético Tucumán desfrutou de um recebimento digno de quem disputa a Libertadores há décadas, muito embora esteja em sua primeira participação. Afinal, a paixão que é a essência do torneio nunca foi alheia aos tucumanos. Em meio a papeis picados, bobinas, bexigas, trapos, bandeiras, fumaça colorida e fogos de artifício, os heróis do Decano entraram em campo. Espetáculo só completo também com a vibração intensa da hinchada – cantando, pulando, subindo no alambrado. A classificação dos anfitriões já começou neste momento.

Quando a bola rolou, bastou aos jogadores do Tucumán corresponderem a toda aquela fé. E eles nem precisaram de muito tempo. Em apenas dez minutos, entre os 20 e os 29 da primeira etapa, o confronto estava decidido. O Decano amassou o Junior de Barranquilla, aproveitando muito bem as ocasiões, especialmente nas bolas alçadas à área. Rodrigo Aliendro e Cristian Menéndez, pegando sobras, anotaram os dois primeiros gols. Já o terceiro saiu dos pés de Fernando Zampedri, o responsável pelo milagre em Quito. No alambrado, além dos sorrisos, era possível ver também lágrimas. A emoção pela história que se concretizava na frente dos olhos, da grande paixão se afirmando no maior palco das Américas.

Já no segundo tempo, o Junior de Barranquilla tentou pressionar. Como venceram o jogo de ida por 1 a 0, os colombianos só precisavam de dois gols. A sobrevida nasceu com Sebastián Hernández, descontando aos 39 do segundo tempo. Os alvirrubros partiram para o tudo ou nada. Mas sucumbiram. Não existiria deus do futebol maldoso o suficiente para ferir os tucumanos deste jeito, depois de tudo. Não existiria deus do futebol que não quisesse ver a simbiose entre jogadores e torcedores na comemoração pela inédita presença na fase de grupos da Libertadores. O apito final já se abafou com o barulho de dezenas de foguetes estourando nos céus. E este barulho também foi abafado pela cantoria daqueles que estremeciam as estruturas, enquanto pulavam junto com seus ídolos.

Tecnicamente, o Atlético Tucumán pode não ser o melhor dos times. Todavia, nunca apenas a técnica é suficiente na Libertadores, um torneio que se joga com o coração, com empenho e com inteligência. Isso, os albicelestes demonstraram não faltar. O Palmeiras é o favorito da chave, que também conta com Peñarol e Jorge Wilstermann. Não é um grupo tão inacessível assim para os tucumanos ampliarem sua epopeia. Quem sabe, registrando também grandes resultados contra um clube lendário como o Peñarol. Paixão não faltará.