Não existe participação na Copa Libertadores sem aflição. Está na essência do torneio continental o sofrimento de seus jogos cardíacos. O Atlético Paranaense só não esperava que seus temores chegassem a níveis tão alarmantes logo nesta quarta, recebendo o Deportivo Capiatá pela terceira fase preliminar. A partida na Arena da Baixada foi tomada por uma sensação de desnorteamento, diante de tantas reviravoltas – no placar, nos acontecimentos, na confiança. A noite teve gols para os dois lados, arbitragem contestável para os dois lados, momentos de desesperança para os dois lados. Mas, no final das contas, o sabor do empate por 3 a 3 foi bem mais doce aos auriazuis. O Furacão precisará da vitória na visita ao Paraguai, contra um adversário que já se mostrou matreiro.

Pelos minutos iniciais, não se desenhava um embate de emoções tão fortes ao Atlético. O time de Paulo Autuori não era tão efetivo, mas mantinha o domínio da partida. Encontrava um oponente pragmático, limitado a se defender. E a vantagem inicial foi dos rubro-negros, abrindo o placar aos 20 minutos. Em cobrança de falta na entrada da área, Felipe Gedoz contou com o desvio na barreira para estufar as redes. O Furacão tinha mais volume de jogo e se aproximou do segundo tento nos minutos seguintes, em cruzamento que Pablo não alcançou e em bomba de Gedoz que passou ao lado da meta paraguaia.

Contudo, como diz o jargão, o Atlético deixou que o Capiatá “gostasse do jogo”. Viu os visitantes tomarem a iniciativa antes do final do primeiro tempo e recuou. Então, o empate se tornou iminente. Weverton contou com a sorte aos 35, em chute de longe de Irrazábal que triscou o travessão. Já aos 44, não houve remédio. Após cruzamento da esquerda, o veteraníssimo Bonet ajeitou de cabeça para Noguera botar para dentro. Pane geral da defesa rubro-negra, dando enorme liberdade aos auriazuis.

O Atlético Paranaense voltou com atitude para a segunda etapa. Nikão aparecia bem, juntamente com Pablo. Grafite, por sua vez, brigava bastante na frente, mas não acertava as jogadas. No entanto, o que já era ruim ficou pior aos sete minutos. Outro erro dos anfitriões na bola aérea e outro gol do Capiatá, decretando a virada. A partir de uma cobrança de falta na lateral, Paredes tocou de cabeça e Nestor González completou na pequena área. Os atleticanos reclamaram de um possível impedimento, mas a posição era legal.

A festa do Capiatá acabaria durando pouco. Cinco minutos depois, Paredes cometeu pênalti infantil ao tocar bola com a mão na linha da área, em chute de Gedoz. O próprio camisa 10 partiu para a cobrança e encheu o pé, para deixar tudo igual novamente. E as expectativas dos paraguaios cairiam por terra logo na sequência, com a expulsão de Paredes. Em ataque rápido do Atlético, Grafite forçou o contato com o defensor e caiu na entrada da área. Falta discutível, que o juiz assinalou. Diante da marcação, fez sentido o segundo amarelo ao camisa 4, deixando os auriazuis com um a menos.

A partir de então, a loucura se instaurou de vez na Arena da Baixada. O Deportivo Capiatá se abraçou à estratégia do confronto de 180 minutos, se resguardando para segurar o empate. Diego Gavilán recompôs a zaga e renovou as energias no ataque, sacando o artilheiro Roberto Gamarra, decisivo na classificação contra o Universitario. Porém, o Atlético partiu para sufocar. Grafite era bastante acionado, mas não conseguia fazer seu trabalho e acertar as redes. O tempo passava e a agonia aumentava. Até que a nova virada aconteceu aos 40. Nikão cruzou, Paulo André desviou e Pablo emendou para o barbante. Parecia o alívio dos rubro-negros. Só parecia.

Afinal, o Capiatá não esmoreceu. E, mesmo com um a menos, saiu em busca do empate, graças às bolas paradas. Por duas vezes, Irrazábal cobrou escanteio fora do quarto de círculo. Na segunda, a bola seguiu em direção ao primeiro pau, com Nestor González se antecipando a Weverton e fechando a conta, ao anotar seu segundo gol na noite. Ainda houve a chance do quarto para o Furacão, em bola que sobrou na área para Pablo. Todavia, o camisa 8 isolou. Não era o dia dos atleticanos.

Para o reencontro, Paulo Autuori tem um problema sério para resolver na defesa, especialmente pelos recorrentes erros de Sidcley. O Atlético não pode ser tão vulnerável no jogo aéreo, como aconteceu nesta quarta. Foi a primeira vez que a equipe sofreu três gols em casa, desde a instalação do gramado artificial na Arena da Baixada. Nem o retorno de Thiago Heleno ajudou. Enquanto isso, o ataque ficou devendo. Pablo e Nikão até apareceram nas pontas, enquanto Gedoz se destacou principalmente nos chutes. Mas faltou criação, assim como Grafite não aproveitou as brechas que teve. Na visita ao Paraguai, fazer um gol será mais do que necessário. E, pela falta de segurança demonstrada pela zaga, talvez mais do que um. Mesmo sem ser uma equipe tradicional, o Deportivo Capiatá apresenta organização e repertório de jogadas ensaiadas para ameaçar o sonho de Libertadores dos rubro-negros. O aviso foi dado em plena Baixada.