O Campeonato Brasileiro nem sempre costuma seguir uma lógica em seu início. E o Atlético Mineiro, que ainda lida com os reflexos da eliminação na fase de grupos da Copa Libertadores, ganha um motivo para sorrir com a campanha perfeita na Série A. O Galo manteve os 100% de aproveitamento neste sábado, em visita difícil ao Castelão. O empate parecia incontornável no placar até os acréscimos do segundo tempo, quando Jair apareceu na área e decretou a vitória por 2 a 1 sobre o Ceará. E que as primeiras rodadas tenham oferecido rivais teoricamente mais acessíveis, os atleticanos não derrapam. Permanecem na dianteira, com três triunfos, dois deles como visitante.

Foi um jogo bastante movimentado no Castelão, em que as duas equipes criavam as suas oportunidades. Os goleiros não demoraram a trabalhar, entre a tentativa de pressão do Ceará e a velocidade do Atlético. Diogo Silva fez uma boa defesa contra Chará, enquanto Victor pegou a tentativa de Ricardinho. E se o arqueiro cearense começou a ser um pouco mais exigido pelo Galo, o Vozão respondeu com gol do outro lado. Aos 23 minutos, Samuel Xavier cruzou e Ricardo Bueno cabeceou. O desvio de Réver no meio do caminho acabou sendo crucial para que a bola entrasse, deixando os anfitriões em vantagem.

A sorte do Atlético é que o empate demorou apenas dois minutos a sair. E com a assinatura de Nathan, que tenta encontrar o seu espaço no Galo. O tento nasceu a partir de uma ótima construção pela direita, com Guga e Geuvânio tabelando. O lateral cruzou para o jovem chutar firme, beijando o travessão antes que a bola entrasse. O Ceará ainda tentou apertar antes do intervalo, mas no máximo carimbou a trave. Carleto soltou um foguete em cobrança de falta na intermediária, Victor tocou na bola e a desviou rumo ao poste. Tiago Alves desperdiçou o rebote, mandando para fora.

O primeiro tempo elétrico não permitia apontar qualquer prognóstico à etapa complementar. E as redes balançariam mais vezes, embora o VAR também tenha ditado os rumos da partida. O Ceará foi o primeiro a marcar, aos seis minutos, novamente com Ricardo Bueno. O assistente levantou a bandeira e o árbitro de vídeo confirmou a irregularidade. E após algumas chances perdidas dos dois lados, o apito soou novamente aos 25. Ricardo Oliveira fez, mas a arbitragem assinalou a interferência de Igor Rabello.

O jogo ficou mais morno na reta final e o empate era o esperado no Castelão. Isso até que um escanteio definisse a noite, aos 47. Guga mais uma vez participou do tento. O lateral fez o cruzamento e conectou com Jair, subindo no primeiro pau. A bola entrou no canto, resvalando na trave, e não deu chances para Diogo Silva. Resultado enorme, não apenas por acontecer fora de casa, mas também pelo trabalho que o Ceará deu e pela maneira como os anfitriões conseguiram neutralizar Ricardo Oliveira. O triunfo dá confiança.

Por enquanto, Rodrigo Santana segue à frente do Atlético. Já são nove pontos para que o Galo some às suas pretensões no Brasileirão. Até pela pressão recente e pelo sofrimento vivido na Libertadores, o significado dos números é considerável. O Ceará, por sua vez, permanece com os três pontos conquistados contra o CSA. Vem de duas derrotas, mas por detalhes que não permitiram um resultado melhor contra os rivais de Belo Horizonte. Outro time que fez sua troca no comando ao fim do estadual e vê perspectivas razoáveis.