O alarme já havia soado. O Atlético Mineiro não jogou completamente bem na maior parte de sua participação na fase prévia da Libertadores, exceção feita ao jogo de ida contra o Defensor. Todavia, os momentos de fúria ofensiva valeram a classificação contra dois adversários claramente inferiores. Alguns problemas, no entanto, persistiram na estreia da fase de grupos. E contra um oponente mais duro, a derrota aconteceu. Os atleticanos têm motivos para reclamar no Mineirão, com a arbitragem se tornando figura central no duelo. Mas também precisam ter consciência do que não deu certo no encontro com o Cerro Porteño, para evoluir após o revés por 1 a 0. Não foi uma boa apresentação, novamente.

O Atlético parecia pronto a resolver o jogo logo cedo. Começou a partida se postando no ataque e pressionando o Cerro Porteño, apesar do chute cruzado de Nelson Haedo Valdez que assustou. As chances de gol não demoraram a surgir para os anfitriões e as redes até balançaram aos oito minutos. Em cobrança de falta de Cazares pela lateral, ninguém completou e a bola beijou a trave antes de entrar. A impressão inicial foi de que o lance havia sido anulado por impedimento de Luan, uma infração inexistente. Contudo, a falta deveria ter sido batida em dois lances e, de fato, ninguém realizou o segundo toque antes que a bola entrasse. Sem o auxílio de vídeo nesta fase da Libertadores, o árbitro demorou um tempo, mas manteve a marcação do bandeira.

Minutos depois, o Galo ainda carimbou a trave. Cazares arriscou de longe e, após desvio, a bola explodiu no poste. Ricardo Oliveira ainda tentou aproveitar o rebote, mas só conseguiu escanteio. Porém, o time perdeu ritmo na sequência do primeiro tempo. Seguia com dificuldades na transição ao ataque, algo recorrente nesta campanha pela Libertadores, ainda mais com a presença de três volantes. Cazares chamava a responsabilidade, só que não tinha apoio para dar continuidade às jogadas. Aos 20 minutos, Ricardo Oliveira até desafiaria o goleiro Juan Pablo Carrizo, em novo lance anulado pela arbitragem. Mas os atleticanos diminuíram sua imposição, com o Cerro ganhando espaço e equilibrando as ações. Os atleticanos só voltaram a ameaçar realmente no final da primeira etapa, com Cazares e Luan comandando as tentativas.

A volta para o segundo tempo até parecia dar um novo ânimo ao Atlético, que criou boa jogada logo nos primeiros minutos, com Ricardo Oliveira batendo por cima. Mas o Cerro Porteño seguia vivo e logo passou a investir nos contragolpes. Aos 15 minutos, Levir Culpi deixou o time mais ofensivo, com Chará no lugar de Elias. Os atleticanos voltaram a insistir mais e perdiam boas chances. Cazares quase anotou um gol da entrada da área na sequência, antes de Ricardo Oliveira cabecear para fora, com liberdade. Erros que custaram caro, quando o Ciclón finalmente encontrou a brecha que espreitava. O gol da vitória veio aos 32 minutos. Óscar Ruiz fez o cruzamento em profundidade e Diego Churín se meteu entre os zagueiros, tocando por cima de Victor. O atacante, que havia saído do banco, estava ligeiramente impedido. Desta vez o bandeira não marcou.

No final, o Galo partiu para cima, mas não conseguiu passar pelo goleiro Carrizo. O veterano conseguia prevalecer nas bolas alçadas na área e também fez seus milagres, especialmente diante de Fábio Santos. Aos 41 minutos, Luan serviu o lateral, que bateu à queima-roupa, no canto. O arqueiro conseguiu espalmar. E a certeza de que o grito de gol dos atleticanos ficaria preso na garganta veio já aos 45. Ricardo Oliveira foi lançado em profundidade e, pegando a zaga aberta, bateu no canto para balançar as redes. O assistente avistou o impedimento milimétrico e levantou a bandeira, frustrando o que seria o empate heroico do Galo. Seria necessário aceitar a derrota.

O sinal claro da infelicidade do Atlético aconteceu no apito final, com vaias no Mineirão. E o grupo equilibrado colocará um jogo delicado no caminho dos brasileiros durante a próxima rodada. O Galo visita o Nacional de Montevidéu, encarando a pressão da torcida no Gran Parque Central. Precisará arrancar ao menos um empate para não tornar sua situação mais complicada. A qualidade individual dos atleticanos continua atravancada por um plano coletivo pouco eficiente. Diante das chances desperdiçadas, a insatisfação se torna maior. Terão que repensar o seu jogo e, principalmente, a formação ofensiva se quiserem engrenar na competição continental.