O Athletico Paranaense já havia feito história contra o Boca Juniors nesta Copa Libertadores. O triunfo por 3 a 0 dentro da Arena da Baixada é daqueles jogos que serão recontados por muito tempo pelos torcedores. No entanto, o Furacão poderia fazer ainda mais história nesta quinta-feira. Visitava os xeneizes na Bombonera, em busca da liderança do Grupo G. O empate beneficiava os rubro-negros, que nem assim deixaram de jogar pela vitória. E, de fato, foram melhores que os anfitriões em boa parte do tempo. Todavia, a expulsão de Wellington e a pressão do Boca no final mudaram os rumos da partida. Aos 49 do segundo tempo, Carlitos Tevez reforçou sua idolatria com a camisa azul y oro. Acertou um tirambaço de fora da área e determinou a virada por 2 a 1. Os atleticanos voltam para casa com a segunda colocação na chave e também com justas queixas a algumas decisões da arbitragem.

Antes mesmo que a bola rolasse, o Athletico precisou lidar com seus percalços. Referência no meio-campo do Furacão, Bruno Guimarães foi cortado por uma amigdalite. Léo Cittadini começou em seu lugar. O Boca Juniors começou a partida dando sufoco, sobretudo pelas bolas alçadas na área. Foram 15 minutos nos quais os xeneizes se impuseram no campo de ataque e incomodaram os visitantes. Mauro Zárate mandou para fora, antes de Darío Benedetto arriscar de letra e parar nas mãos do goleiro Santos. E o pior ainda viria com Lisandro López, que recebeu em ótimas condições na pequena área, mas acabou errando o alvo.

Após um início duro, o Athletico passou a tomar conta do jogo. Não sofria os mesmos riscos na defesa e construía mais com a bola, escapando da marcação adiantada dos argentinos. Aos poucos, as jogadas ofensivas começaram a acontecer. A melhor chance se deu aos 39, após bom lance de Rony. O atacante passou a Lucho González que mandou por cima da meta de Esteban Andrada. O Boca Juniors ainda perdeu sua referência no ataque. Aos 40 minutos, Darío Benedetto sentiu lesão e foi substituído por Ramón Ábila. O centroavante era quem mais incomodava a defesa rubro-negra.

Na volta ao segundo tempo, o Furacão parecia mais resoluto. Nikão logo soltou a bomba e forçou o goleiro Andrada à primeira defesa, em dois tempos. As jogadas iam saindo com mais fluidez e os atleticanos ficaram com bronca da arbitragem, especialmente por um toque de mão de Julio Buffarini dentro da área. Nada que o juiz tenha marcado. E quando o Boca parecia pronto a equilibrar, após um chute de Zárate no lado de fora da rede, os rubro-negros abriram o placar. Aos 19 minutos, Nikão cobrou falta na intermediária. O cruzamento no meio da área contou com a complacência de Andrada, péssimo na saída. Então, Marco Rubén se esticou para dar um peixinho na bola, balançando o barbante. O carrasco da Baixada peitava a Bombonera.

O problema é que o Athletico nem teve muito tempo para comemorar. O Boca Juniors empatou aos 25. Zárate cruzou da esquerda e, depois do desvio de Carlos Izquierdoz no meio do caminho, Lisandro López apareceu livre na área para escorar. O zagueiro estava ligeiramente impedido, o que o árbitro também não assinalou. Neste momento, o físico pesava contra os veteranos do Furacão e Tiago Nunes realizava suas alterações. Já o Boca tentava vir com mais ímpeto ao ataque, após a entrada de Carlos Tevez entre um tento e outro.

Neste momento, o objetivo do Athletico era se segurar na defesa e descolar um contragolpe. O Boca crescia e Zárate forçou uma boa defesa de Santos aos 30. Só que o destempero de Wellington custou caro demais aos rubro-negros. O volante deu uma entrada dura em Tevez e recebeu o vermelho direto – realmente justo. A esta altura, os rubro-negros precisariam se segurar com um a menos durante 15 minutos. Os xeneizes confiavam principalmente nos cruzamentos e nos chutes de fora da área. E a arbitragem parecia ainda mais complacente, depois que não viu o soco de Lisandro López em Marco Ruben.

O prenúncio da virada aconteceu aos 40, em cabeçada de Nahitan Nández que o árbitro anulou por impedimento. O Athletico se segurava de todas as formas e parecia pronto a arrancar um heroico empate. Mas o verdadeiro salvador estava do outro lado, um velho conhecido dos boquenses. A zaga ia conseguindo afastar a maioria dos perigos, mas, no quarto minuto dos acréscimos, o corte foi apenas parcial. A bola sobrou a Tevez na entrada da área e o veterano acertou um belo chute rasante, no canto de Santos, que nada pôde fazer. A Bombonera pulsava.

O Boca Juniors, mesmo sem apresentar um futebol tão convincente neste período de reformulação, chegou aos 11 pontos. Ganhou todos os jogos na Bombonera, mas também arrancou dois empates fora. O Athletico Paranaense, também 100% na Baixada, pecou longe de seus domínios. Com nove pontos, avançou na segunda colocação. E o Tolima, que derrotou o Jorge Wilstermann por 2 a 0, irá apenas à Copa Sul-Americana. Os xeneizes tentarão aproveitar seu momento nos mata-matas – “quando a Libertadores realmente começa”, já diria Riquelme. Os rubro-negros, por outro lado, tentam não lamentar este resultado que escapou logo no sorteio das oitavas.