O Athletico Paranaense continua engrandecendo sua história nas competições continentais. A Arena da Baixada viveu outra noite marcante nesta quarta-feira, no primeiro duelo da Recopa Sul-Americana de 2019. Se o placar não foi tão elástico quanto o da emblemática vitória sobre o Boca Juniors na Libertadores, o Furacão teve uma atuação dominante para cima do River Plate. O placar de 1 a 0 premiou o controle que a equipe de Tiago Nunes manteve durante a partida. Os rubro-negros foram bem mais agressivos e cederam raros espaços aos millonarios. Irão ao Monumental de Núñez com uma interessante vantagem para ficar com a taça.

Bastaram 11 segundos para o Athletico criar sua primeira chance de gol. Lucho González avançou pelo meio e soltou uma bomba de fora da área, forçando a defesa de Franco Armani. O meio-campista começou bem a partida, em um Furacão que construía suas jogadas velozmente. O River Plate tentava pressionar a saída de bola e até gerou certas dificuldades. Mas não demorou para que os rubro-negros encontrassem os espaços à frente e tornassem as oportunidades frequentes.

O Athletico cresceu a partir dos 15 minutos. Confiava nos passes longos de Bruno Guimarães e na movimentação de seus homens de frente. Além do mais, Renan Lodi fazia ótimo papel no apoio. O gol poderia ter vindo aos 23, em lance que Rony furou dentro da área. Um minuto depois, porém, os atleticanos já comemoraram. Foi uma jogada que contou com os quatro grandes destaques individuais da equipe na noite. Bruno Guimarães fez o lançamento à esquerda. Lodi escapou e cruzou de primeira, na linha de fundo. Rony dominou na área e foi esperto ao fazer o giro sobre o marcador, passando a Marco Ruben. E o artilheiro se esticou para mais uma vez punir os compatriotas, depois da atuação excepcional contra o Boca Juniors.

Após o gol, o Athletico ganhou confiança. Parecia pronto a abrir uma vantagem maior antes do intervalo. Boa parte dos ataques se iniciavam com Renan Lodi. Aos 30, ele fugiu da marcação e fez o cruzamento no primeiro pau. Armani ficou pelo caminho, mas Ruben não pegou em cheio na bola e mandou para fora. A intensidade física dos rubro-negros era impressionante, entre a distribuição providenciada por Bruno Guimarães, as aproximações de Lucho González e a participação de Rony.

Durante o segundo tempo, o River Plate tentou recobrar seu prejuízo e, com a bola, se postou mais no campo de ataque. De qualquer maneira, pouco conseguiu incomodar a defesa do Athletico. Quem aparecia era Nicolás de La Cruz, sem sucesso em suas conclusões. Santos não precisou fazer uma defesa difícil sequer na noite. Os únicos perigos aconteceram em um chute que desviou na marcação, mas seguiu para fora, e em um cruzamento que, com o gol escancarado, Matías Suárez não conseguiu cabecear.

Apesar da necessidade dos argentinos, o Athletico seguiu melhor no segundo tempo. Sobretudo, porque não tinha receio de arrematar. Armani foi muito mais exigido em sua meta. Aos dez minutos, Renan Lodi encheu o pé e o arqueiro pegou. Além disso, Nikão começou a chamar o jogo para si e arriscou bastante. O Furacão estava mais inteiro na busca pelo segundo gol. E a situação melhorou aos 35 minutos, graças ao VAR. Em uma confusão na área, Milton Casco acertou um soco em Rony. O árbitro Wilmar Roldán revisou a jogada na tela e puniu a agressão com a bola parada, mostrando o vermelho ao lateral. Javier Pinola foi outro que correu o risco de ser advertido, por também empurrar o atacante rubro-negro.

Com um a menos, foi aí que o River Plate cessou os seus avanços. Renan Lodi voava baixo pela esquerda e, substituto de Jonathan durante o segundo tempo, Madson também aparecia no apoio pela direita. Cruzou uma bola que Ruben desviou com perigo para fora e depois finalizaria um bom passe de Rony, mas sem tanta eficiência. Tiago Nunes ainda resolveu ampliar o número de opções ofensivas, com Thonny Anderson na vaga de Wellington. Por fim, uma cobrança de falta fechada de Nikão obrigaria Armani a uma última defesa. Apesar do bom resultado, a impressão é a de que o Furacão teve bola para mais.

Os números de passe e posse são enganosos. Transmitem uma falsa impressão de equilíbrio. Fato é que o Athletico Paranaense se defendeu de maneira sólida e soube muito bem aproveitar suas armas, com ímpeto nas investidas ao ataque. Foi uma grande atuação coletiva, impulsionada pelas individualidades afiadas de talentos como Bruno Guimarães e Renan Lodi. O Furacão continua devastando os visitantes sul-americanos na Arena da Baixada. Agora, terá que lidar com a pressão no Monumental de Núñez e melhorar seu rendimento fora de casa. A taça da Recopa será uma conquista para ser exaltada, mas também serve de teste àquilo que os rubro-negros podem realizar nos mata-matas da Copa Libertadores.