O Athletico Paranaense desejou a Recopa Sul-Americana. O Athletico Paranaense jogou a Recopa Sul-Americana com afinco e como a oportunidade de se afirmar no cenário continental. Se o título não costuma oferecer tanto brilho, o ímpeto dos rubro-negros ajudou a valorizar a disputa. E também a resposta do River Plate, que não queria perder sua hegemonia copeira desta vez. Depois de um jogo interessante na Arena da Baixada, o Monumental de Núñez recebeu uma partidaça. Os dois times viveram o duelo à flor da pele e, depois da derrota na ida, os millonarios apertavam em busca da vitória. Seria uma noite dos goleiros, que até parecia propensa aos pênaltis. Mas, já nos acréscimos, o time de Marcelo Gallardo decretou sua superioridade. Anotou dois gols decisivos para garantir o triunfo por 3 a 0 e erguer mais uma taça.

A impressão após a partida em Curitiba era de que o Athletico Paranaense poderia ter construído uma vitória mais ampla. O placar de 1 a 0 era favorável ao Furacão, mas insuficiente para demonstrar a dominância dos rubro-negros. E, diante de um clima inflamado no Monumental, seria difícil conter o impulso do River Plate. Logo nos primeiros minutos, os millonarios trataram de partir para cima e mostrar que estavam dispostos a fazer também uma grande final, para fechar sua temporada com outro troféu.

O jogo começou muito disputado, com o River dominando a posse de bola, mas o Athletico apresentando vigor nos combates. Quando teve espaço para finalizar, porém, o time da casa arrancou suspiros de sua torcida. Rafael Santos Borré encontrou o espaço pelo lado direito da área e acertou um tiro fechado, que carimbou a trave de Santos. Essas bolas agudas, pela lateral da área, se tornaram o caminho aos argentinos. A pressão aumentou, até que Santos operasse seu primeiro milagre, aos 23. Lucas Pratto recebeu e bateu forte, no canto. O arqueiro se esticou no contrapé e realizou uma defesa sensacional.

Apesar da iniciativa e da insistência do River Plate, o Athletico também conseguiu encaixar os seus ataques por volta dos 30 minutos. Foi quando Franco Armani apareceu pela primeira vez. Após bom giro de Roni, Lucho González tinha tudo para marcar. Arrematou à queima-roupa, mas Armani saltou e conseguiu desviar o chute com o corpo. Apesar do susto, era uma partida favorável aos millonarios. Tinham mais de 60% de posse de bola e finalizaram o triplo de vezes. Pouco antes do intervalo, novamente Santos precisou intervir, com mais uma ótima defesa, desta vez contra Santos Borré.

O empate favorecia o Athletico. Por isso mesmo, Gallardo deixou o River Plate mais ofensivo, com a entrada de Nicolás de la Cruz no lugar de Exequiel Palacios. Os argentinos voltaram a pressionar, mas encontravam dificuldades para furar o bloqueio defensivo do Athletico. Assim, o primeiro gol só saiu graças a um pênalti. Javier Pinola chutou e a bola explodiu contra o braço de Lucho González, em uma distância curta. O árbitro revisou o lance através do VAR e resolveu assinalar a infração. Santos defendeu a cobrança de Ignacio Fernández e a bola bateu na trave, mas a sobra ficou com o próprio meia, que aproveitou a meta aberta para inaugurar o marcador.

Santos continuava muito exigido. O goleiro fazia uma partida excepcional. Chegou a realizar uma defesaça com os pés, em lance anulado, e depois pegaria um chute venenoso com firmeza. Tiago Nunes deu novo vigor ao seu ataque com Marcelo Cirino, na vaga de Nikão. E o Athletico ganhou velocidade, sobretudo pela esquerda. Quase Renan Lodi empatou em chute de longe, para grande defesa de Armani. Com o jogo indo para os pênaltis, a situação parecia mais aberta. E o Athletico foi superior no fim do tempo regulamentar, mais próximo do empate. Léo Cittadini, outro que saiu do banco, quase marcou aos 44, mas perdeu o tempo da bola e permitiu que a defesa fizesse o corte.

Os golpes fatais do River Plate só vieram nos acréscimos. Primeiro, em uma roubada de bola no campo de defesa, que culminou no contragolpe. Matías Suárez, que substituíra Santos Borré, fez bom avanço pela esquerda e descolou um ótimo lançamento. Lucas Pratto se desvencilhou da marcação de Léo Pereira, dominou e mandou sob o braço de Santos. Gol de centroavante. Diante do prejuízo, o Athletico foi com tudo para cima. E permitiu o terceiro gol logo na sequência, em novo contra-ataque. Após chutão de Armani, Paulo André errou o tempo de bola e viu Matías Suárez fechar a contagem.

Foi uma atuação inferior do Athletico Paranaense, seja em relação ao primeiro jogo ou ao River Plate. Ainda assim, o time de Tiago Nunes não jogou mal. Contou com o trabalho de Santos, conteve a pressão incessante do River Plate durante boa parte do tempo e teve seus momentos em cada tempo. O problema é lidar com a força deste time de Marcelo Gallardo, que a cada partida decisiva prova a sua grandeza. Os millonarios se adaptam às condições de jogo e se impõem. Jogaram com muita concentração e fizeram valer seu favoritismo em casa. Ainda que as circunstâncias no final tenham sido excepcionais, foi mesmo uma atuação superior dos argentinos. Terminam festejando mais uma taça – a décima de Gallardo como treinador e a terceira na Recopa desde 2015.