O Arsenal ainda não é uma equipe totalmente confiável e a partida disputada neste domingo comprova isso. Os Gunners tomaram gols evitáveis e sofreram claros riscos até os minutos finais do confronto com o Everton. No entanto, também há um clima diferente no Estádio Emirates. Num jogo entre duas equipes que trocaram recentemente seus técnicos e sobem de produção, os londrinos criaram os caminhos à sua vitória. Foi uma noite ofegante no Emirates, sobretudo pela maneira como o primeiro tempo se desenrolou, muito intenso. Ao Arsenal, pesa o mérito de se refazer dos problemas. Com o poder de decisão de Aubameyang e a resistência de Leno, além de outros bons coadjuvantes, a equipe de Mikel Arteta superou os Toffees por 3 a 2. Parece embalar para subir alguns degraus na tabela da Premier League.

Os 45 minutos iniciais no Estádio Emirates ofereceram uma intensidade ao melhor nível Premier League. E o Everton sequer precisou de um minuto para abrir o placar. A partir de uma falta na intermediária, Gylfi Sigurdsson levantou a bola para o meio da área. David Luiz vacilou no corte e permitiu que Dominic Calvert-Lewin virasse uma acrobacia. Finalização difícil do atacante, que permanece em ótimo momento com os Toffees. O tento precoce ajudaria a elevar o ritmo do duelo.

Depois de certo baque pelo gol, o Arsenal saiu mais para o jogo e ameaçou primeiro com Héctor Bellerín, batendo para fora. No entanto, o Everton botava muita velocidade em suas ações e Alex Iwobi quase ampliou, em outro tiro que saiu pela linha de fundo. A partida era lá e cá, parando apenas para a substituição de Sead Kolasinac, que lesionou o ombro. A saída do bósnio, de certa forma, beneficiou os Gunners com a entrada de Bukayo Saka. O garoto deu mais energia ao apoio pela esquerda e primeiro faria uma jogada para a finalização de Nicolas Pépé, que Jordan Pickford segurou. Logo depois, a assistência para o gol viria do substituto.

O empate saiu aos 27. Aproveitando o cruzamento preciso de Saka, Eddie Nketiah se desvencilhou da marcação e esticou o pé para marcar. Foi o primeiro tento do atacante na Premier League, após voltar de empréstimo ao Leeds. O Arsenal ganhou confiança com o gol e passou a encontrar mais espaços na defesa do Everton. A virada já aconteceria aos 33. David Luiz se redimiu da falha com uma assistência magistral. O zagueiro deu um passe em profundidade, para a arrancada de Pierre-Emerick Aubameyang. Djibril Sidibé não conseguiu acompanhar o gabonês, que concluiu no cantinho da meta de Pickford.

O Arsenal parecia no controle da partida, quando o Everton reapareceu com suas bolas na área. O novo empate se deu nos acréscimos, em mais um erro defensivo dos Gunners. Após uma cobrança de escanteio rechaçada, a bola foi recolocada na pequena área e, depois da casquinha de Yerry Mina, a disputa ficou entre Bernd Leno e Richarlison. O lance estava mais para a defesa do goleiro, que calculou mal e preferiu tentar fechar o ângulo. Meio sem querer, Richarlison desviou para dentro e pôde comemorar. O VAR analisou a jogada e validou o tento.

Depois de um primeiro tempo tão insano, as expectativas à segunda etapa eram altas. Meio minuto após o reinício, o Arsenal já retomou a vantagem. Pépé cruzou no capricho pela direita e Aubameyang foi ainda melhor na finalização. Consciente, o gabonês nem precisou sair do chão para cabecear, tirando do alcance de Pickford. Em ambas as finalizações dos gols, Auba demonstrou muita qualidade. E os Gunners poderiam administrar mais o ritmo do confronto a partir de então.

O Arsenal recuou na sequência do segundo tempo. Já o Everton não deixou de acreditar e tentava forçar os erros dos adversários. A bola começou a rondar a área dos londrinos, que davam sorte pela falta de contundência dos visitantes. E, aos 27 minutos, quem se redimiu foi Leno. Calvert-Lewin dominou na pequena área e bateu, mas o alemão salvou incrivelmente. O lance à queima-roupa, de qualquer forma, seria anulado por impedimento. O goleiro cresceria também para cima de Richarlison, pegando um tiro rasteiro aos 33, antes de ver Calvert-Lewin errar o alvo pouco depois.

Vivendo perigosamente, o Arsenal não defendia com solidez e nem se desafogava no ataque. Mikel Arteta, então, recorreu ao seu banco de reservas. Lucas Torreira e Matteo Guendouzi davam mais firmeza ao meio-campo, nas vagas de Dani Ceballos e Mesut Özil. Mesmo com a entrada de Moise Kean para aumentar a pressão, o Everton não manteve o momento. Um pouco mais seguros, os Gunners quase fizeram o quarto em um erro forçado na saída de bola. Nketiah mandou no travessão. Já a última bala dos Toffees foi atirada nos acréscimos. Bernard cruzou e Calvert-Lewin cabeceou, mas a bola passou ao lado da meta de Leno. Alívio aos londrinos, vencedores de uma batalha duríssima.

O Arsenal vinha de atuações melhores com Arteta, embora os empates fossem excessivos. Já nos últimos jogos, a equipe emendou três vitórias e parece encontrar os seus rumos. A maneira como os riscos persistiram neste domingo mostra como há muito a ser resolvido. Porém, o novo treinador oferece um alento nos Emirates. Com o importante resultado desta rodada, a equipe alcança os 37 pontos, no nono lugar. Ainda esta a sete do Chelsea no G-4. Já o Everton vê brecada a sua ascensão recente e perde três postos, em 11°. Na próxima rodada, os Toffees fazem um embate essencial às suas ambições contra o Manchester United, em Goodison Park.

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