Há jogos que você não precisa assistir muito para saber o resultado. E este parecia ser o caso de Chelsea x Arsenal, nesta terça-feira de Premier League. Os Blues dominavam o clássico em Stamford Bridge e, apenas em 25 minutos, abriram o placar, bem como ficaram em vantagem numérica após a expulsão de David Luiz. Os Gunners mal conseguiam passar do meio-campo, quanto mais ameaçar a meta adversária. No entanto, diante das chances que pareciam mínimas, o time de Mikel Arteta fez milagre. Leno foi vital sob as traves, com várias defesas difíceis. Já na frente, as únicas duas finalizações renderam dois gols ao Arsenal. Gabriel Martinelli devastou a defesa azul como um tornado e, mesmo quando o tento de Azpilicueta (o segundo do Chelsea) poderia abater os visitantes, Bellerín assinou outra pintura. O empate por 2 a 2 premia a resistência e a coragem dos Gunners, enquanto é absorvido com decepção pelos Blues.

Antes mesmo da expulsão, o Chelsea já mandava no dérbi. O Arsenal tentou equilibrar a intensidade dos Blues durante os primeiros cinco minutos, mas o time de Frank Lampard logo passaria a imperar em Stamford Bridge. As brechas surgiam e a bola pipocava na área dos Gunners. Bernd Leno segurava a bronca. Aos 15 minutos, o goleiro agarrou firme a cabeçada de Tammy Abraham e, logo no ataque seguinte, quase foi surpreendido pela bola por cobertura de Callum Hudson-Odoi, que bateu no travessão.

A pressão do Chelsea aumentava e o Arsenal retardava um gol que parecia pronto a acontecer. E, quando ele veio, foi da pior forma possível aos Gunners. É difícil classificar o tamanho da besteira cometida por Shkodran Mustafi. O zagueiro cometeu uma pixotada que nem os juvenis são capazes. Recuou mal uma bola e deixou Abraham de frente para o crime. O centroavante passou por Leno, vendido, e acabou parado com um pênalti de David Luiz. O árbitro mostrou um discutível vermelho direto ao zagueiro, que encerrou precocemente sua volta nada feliz a Stamford Bridge. Na cobrança do penal, Jorginho mandou no canto e Leno não alcançou.

Com Granit Xhaka improvisado na zaga, o Arsenal parecia acabado neste momento. O Chelsea tinha a partida em suas mãos e seguiu se impondo no campo de ataque. Leno voltaria a mergulhar para evitar o segundo, de Hudson-Odoi. Os Gunners até ciscaram na área de Kepa Arrizabalaga por volta dos 40, tentando com Nicolas Pépé. Faltava contundência, e a tendência era que o cenário piorasse com o desgaste no segundo tempo.

Na volta do intervalo, o Chelsea sitiava a área do Arsenal. Os Blues se mostravam dispostos a resolver a partida, mas era Leno quem dava o respiro aos Gunners. De novo trabalharia, parando Azpilicueta. E o impensável não demorou a acontecer. Aos 19 minutos, quando o escanteio beneficiava o time de Frank Lampard, os visitantes descolaram um contragolpe fulminante. Méritos totais de Gabriel Martinelli, que assinou a jogadaça sozinho. O brasileiro recebeu na intermediária defensiva e arrancou em velocidade máxima. Contou com o escorregão de N’Golo Kanté, é verdade, mas também deixou os outros marcadores comendo poeira e exibiu sua frieza na hora da conclusão. De frente a Kepa, não titubeou e chutou com muita categoria. Um fenômeno, para assinar com muito talento já seu décimo tento pelo clube.

Aquela foi a primeira finalização do Arsenal em toda a partida. Quando menos se esperava, a equipe de Mikel Arteta ressuscitou. E o ânimo dos Gunners se notou nos minutos seguintes, com outros lances perigosos e mesmo um tento bem anulado por impedimento. Quando o Chelsea acordou, Leno permaneceu protagonizando a resistência. O alemão rebateu uma bomba de Willian, com pouco ângulo, e segurou a finalização de Abraham na sequência. Já a melhor intervenção veio numa casquinha de Ross Barkley, com a nuca, para que o arqueiro voasse e mandasse para fora.

Arteta reforçava sua zaga já visando o empate, com Rob Holding no lugar de Pépé. A persistência do Chelsea, todavia, daria resultado diante de outro vacilo da defesa do Arsenal. Aos 39, Hudson-Odoi cruzou da esquerda e os adversários pararam para ver Azpilicueta mandar para dentro, sem dificuldades. Desta vez, não deu a Leno. O problema dos Blues é que os Gunners tinham outro coelho na cartola. Três minutos depois, o segundo gol aconteceu na segunda finalização dos visitantes. Foi a redenção de Héctor Bellerín, depois de tantos meses problemáticos. O lateral limpou a marcação dupla e desferiu um chute milimétrico, que saiu do alcance de Kepa e bateu na lateral da rede. A precisão valeu ouro ao Arsenal.

Por fim, o desespero voltava a ser do Chelsea. Michy Batshuayi, que dava mais presença ofensiva no lugar de Willian, esteve próximo do terceiro. Estava livre dentro da área, mas pegou mal na bola e mandou ao lado da meta de Leno. Depois disso, não haveria tempo para novas reviravoltas e loucuras. O apito derradeiro caiu como um raio sobre os Blues e muitos jogadores desabaram no gramado, claramente frustrados. A torcida da casa permanecia silenciosa. O desprazer era bastante diferente do orgulho sustentado pelo Arsenal, por toda a valentia.

Incapaz de matar muitos jogos, o Chelsea atravessa um mau momento, mas se vale da gordura acumulada para seguir no G-4. Os Blues somam 40 pontos, aguardando os compromissos de Manchester United e Wolverhampton para ver se alguém diminuirá a distância atual de seis pontos na quarta colocação. Já o Arsenal, que não engrenou com Arteta, pelo menos conquista um empate longe de ter a sensação de tropeço. O resultado pesa ao moral dos Gunners – só não serve tanto à tabela. O time ocupa o 10° lugar, com 30 pontos, em meio ao pelotão intermediário da Premier League. É ver o que Arteta pode extrair deste pequeno milagre.

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