“Vendo Dimitar no Tottenham, eu sentia que ele faria a diferença porque tinha uma certa compostura e consciência que estava faltando para nosso grupo de atacantes. Ele desfilava a habilidade de Cantona e Teddy Sheringham: não era rápido como um raio, mas conseguia levantar a cabeça e fazer um passe criativo. Eu achei que ele poderia nos levar um nível acima e ampliar nossa gama de talentos”. Como o nível em que o Manchester United estava era o de bicampeão inglês, apenas esse relato de Alex Ferguson em sua autobiografia dá uma boa medida da qualidade absurda que o atacante Dimitar Berbatov possuía.

Dezoito meses depois de seu último jogo como profissional, pela Superliga Indiana, já uma espécie de casa de repouso para jogadores de futebol experientes, Berbatov percebeu que havia se aposentado, mas não contara a ninguém. Por meio de uma publicação no Instagram, corrigiu a falha:

“Eu não sei por que…eu sei que alguns de vocês pensavam que eu estava aposentado, e agora talvez estejam ‘WTF (palavrão, em inglês), nós sabemos que você parou’, mas eu tentei encontrar alguma coisa ano passado. Não aconteceu. Então alguém me disse que eu precisava dizer alguma coisa, com as pessoas me perguntando, especialmente na Bulgária. Eu precisava passar uma mensagem de adeus. Então, lá vai”.

“Meu último jogo foi há mais de um ano, então eu acho que é o momento certo para parar – e já estava na hora. Embora, quando penso nisso, não seja O fim porque continuarei no jogo, de um jeito ou de outro, chegou a hora de dizer que, após quase 20 anos jogando futebol, estou encerrando minha carreira ativa de jogador de futebol”.

“Sentirei falta. Sentirei falta para caralho. De tudo. Os jogos, os treinos, os gols, a preparação, a pressão, os companheiros… o grito dos torcedores quando eu marcava mais um golaço. Eu fui abençoado e trabalhei duro para ter a oportunidade de jogar com um dos melhores de todos os tempos e contra alguns dos melhores de todos os tempos. Ter saído de um país pequeno torna isso ainda mais especial para mim”.

“Espero que todos tenham gostado do meu jogo e tudo que eu dei para entretê-los em campo. Porra, eu vou sentir falta de tudo isso, galera, porque eu amo muito o futebol. Mas tenho certeza que vocês sentiram falta de mim também. Obrigado”.

O curioso das declarações de amor de Berbatov ao futebol é que não era raro encontrá-lo parecendo extremamente entediado durante uma partida. Tinha um ar um pouco blasé cercando seu futebol e um biotipo físico que não era nem particularmente rápido, nem particularmente forte. Mas nada disso escondia o que ele sabia fazer com a bola. O desejo de que “todos tenham gostado do seu jogo” foi realizado em muitos que acompanharam o futebol da Alemanha e da Inglaterra no começo deste século. Para deixar bem claro: Berbatov jogava bola para caramba.

Começou carreira no CSKA Sofia e com apenas 20 anos foi contratado pelo Bayer Leverkusen. Após marcar alguns gols no time reserva, subiu ao principal e participou de uma campanha histórica do clube alemão, finalista da Champions e da Copa da Alemanha, além de vice-campeão da Bundesliga. Ele acabou com 16 gols em 41 partidas e entrou no lugar de Thomas Brdaric na decisão de Glasgow. Estabeleceu-se como titular e emendou duas edições seguidas do Campeonato Alemão fazendo pelo menos 20 gols antes de se transferir para a Premier League.

Embora o Tottenham não fosse um time tão forte quanto hoje em dia, Berbatov colecionou números de craque. Em 102 partidas, anotou 46 gols e deu 21 assistências. Foi o que chamou a atenção de Ferguson para reforçar o Manchester United que havia conquistado as últimas duas edições da Premier League e era o atual campeão europeu. Berbatov chegou jogando e deslocou Carlos Tevez a uma posição de coadjuvante, o que acabou levando à saída do argentino.

Fez três temporadas como titular do Manchester United, com um ápice de 20 gols na Premier League de 2010/11, artilheiro do campeonato, ao lado de Tevez, e importante para mais um título dos Red Devils. Foi reserva em seu último ano e, com a chegada de Van Persie, seguiu para uma nova etapa da sua carreira. Já com 31 anos, deu um passo atrás, acertando com o Fulham, e contribuiu com ótimos 15 gols em sua primeira campanha. Na seguinte, a produção caiu bastante e, em janeiro, ele já estava no Monaco. Naquele momento, já encaminhava o fim da carreira. Jogou até que bastante no Monaco e muito menos no Paok, da Grécia, que foi seu último clube relevante, em 2016.

Em todos eles, houve algo de comum. Berbatov impressionou pelo carinho com o qual tratava da bola e pelos golaços que anotava. Lances que podem ser relembrados abaixo, em homenagem ao búlgaro que tanta gente encantou.

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