Quando foi campeão da Premier League, em 2011/12, o Manchester City teve o melhor ataque da competição, com 93 gols. Na temporada seguinte, quando a decepção foi maior do que o vice-campeonato pode indicar, o ataque produziu apenas 66 tentos, o quinto melhor. Números que deixam claro o principal motivo da queda de rendimento e que foram tranquilamente absorvidos por Manuel Pellegrini em seus primeiros dias no Estádio Etihad.

Em sua estreia na Premier League 2013/14, o novo técnico optou por uma escalação bastante ofensiva. Sergio Agüero e Edin Dzeko comandaram o ataque no 4-4-2 utilizado pelo chileno. O meio-campo tinha Jesús Navas e David Silva abertos pelos lados, enquanto Yaya Touré e Fernandinho formavam uma dupla pródiga na saída de jogo. Até nas laterais havia apoio, dadas as subidas constantes de Pablo Zabaleta e Gaël Clichy.

Passes certos do City: volume na intermediária, verticalidade mais à frente e vários cruzamentos (Fonte: Squawka)
Passes certos do City: volume na intermediária, objetividade no terço ofensivo e muitos cruzamentos (Fonte: Squawka)

O resultado? Vitória com sobras em cima do Newcastle, em que o placar de 4 a 0 foi até pequeno pela superioridade do City, graças também às boas defesas do goleiro Tim Krul. Com um a menos desde o final do primeiro tempo, os Magpies demonstraram pouca resistência e, assim como em 2012/13, tiveram uma atuação aquém do elenco que possuem.

Se os gols faltaram no último ano, eles devem ser problema dessa vez. Principalmente porque os Citizens agora tem cara de um time, com jogo coletivo bem mais aflorado do que nos tempos de Roberto Mancini. O “bumba meu boi” que se tornou padrão na temporada passada, com o time sem jogadas para sair em vantagem nos primeiros minutos e apelando para o bombardeio quando o desespero começava a bater, nem de longe foi visto no Etihad nesta estreia.

Pelo contrário, a atuação do City foi consistente tanto pelo placar como pela forma em que foi construídas. A equipe manteve a troca intensa de passes na intermediária, esperando o momento certo de atacar. Quando fazia isso, era de maneira incisiva, aproveitando as brechas deixadas pelos Magpies. Assim nasceram os gols de David Silva, Agüero e Samir Nasri, enquanto Yaya Touré deixou o dele em uma cobrança de falta magistral. Além do mais, Navas e Silva tiveram ótima atuação pelos lados, explorando o jogo aéreo de Dzeko.

Os mapas de calor de Fernandinho e de Yaya Touré na partida
Os mapas de calor de Fernandinho e de Yaya Touré na partida (Fonte: Squawka)

O marfinense, aliás, continua sendo o motor do time, mas em uma função diferente daquela que desempenhava antes. Ao lado de Fernandinho, Touré ficou mais preso, responsável pela saída de jogo e pela proteção da defesa. As subidas à área não foram constantes, mas a eficiência seguiu a mesma. Já o brasileiro teve uma excelente atuação na estreia oficial, construindo inclusive a jogada para o segundo tento, de Agüero.

Tanto quanto o apetite ofensivo, porém, outro recado foi dado: os líderes de desarmes foram justamente Zabaleta e Clichy, um sinal de como os laterais foram sobrecarregados. A fórmula pode ser bastante eficiente contra os médios e os pequenos da Premier League, mas a falta de proteção pode custar caro contra rivais mais poderosos – sobretudo na Champions, onde tem obrigação de avançar. De qualquer forma, a imposição na estreia não deixa dúvidas que o City vem para esta temporada querendo levar tudo o que deixou escapar nos últimos anos.