Arjen Robben chegou ao Bayern de Munique ainda jovem, mas com uma carreira já bastante experimentada em alto nível. O ponta revelado pelo Groningen foi campeão pelo PSV, foi parte importante em um esquadrão do Chelsea, teve sua chance no Real Madrid. Também possuía um currículo extenso com a seleção holandesa. Mesmo assim, a percepção ao seu redor se transformou a partir daquela temporada 2009/10. Afinal, se alguns preferiam taxar o atacante como um mero “amarelão” (e até se reforçou isso em seus primeiros anos na Baviera), ele não precisou de tanto tempo para se consagrar como um dos maiores (se não for o maior) símbolo da era vitoriosa estabelecida pelos alvirrubros. Decidiu final de Champions, empilhou taças na Bundesliga, decidiu infindáveis jogos. Até foi o melhor de uma Copa. E às vésperas de completar 35 anos, anunciou o que parece inescapável: deixará a Allianz Arena ao final da temporada, quando seu contrato se encerrar.

“Posso dizer com clareza e honestidade que este é meu último ano no clube. Foram dez temporadas maravilhosas. Tomei essa decisão sozinho, acho que é o momento certo. O clube segue em frente. Talvez eu possa continuar minha carreira, mas isso será o fim de um período muito bom e excelente com o Bayern”, declarou o atacante à TV alemã, durante um encontro com torcedores do Bayern no final de semana. Momento perfeito para oficializar seu anúncio, ainda mais depois de uma atuação devastadora como a que teve na semana passada, quando anotou dois golaços e comandou a goleada sobre o Benfica na Liga dos Campeões. De qualquer forma, abre alas a uma renovação mais do que necessária no elenco.

“Obviamente, havia muitos pensamentos sobre o futuro, depois de estender o contrato por mais um ano na temporada passada. Este ano falamos recentemente sobre a extensão, então eu decidi que era melhor partir. Terei 35 anos no próximo verão e acredito que é melhor para todos, para mim e para o clube. É uma questão de sentimento. Espero que ainda desempenhe um papel importante ao time até o final e o ajude a ser campeão. Meu objetivo é dizer adeus ao menos com um título”, complementou.

A confirmação de Robben acontece num momento em que também se espera o adeus de Franck Ribéry. Uma dupla que teve os seus desentendimentos dentro de campo, mas que, quando jogou ao seu máximo, transformou o Bayern em uma potência continental. O título da Champions em 2013 ajudou a encerrar uma série de frustrações dos bávaros além das fronteiras, em uma época na qual bateram cartão nas fases decisivas do torneio. Além disso, os dois monstros contribuíram bastante à maior sequência de títulos na história do Campeonato Alemão. Que o protagonismo tenha diminuído nas últimas temporadas, a importância é inegável.

Robben, em especial, superou muitos entraves pessoais. Não se negava o talento do ponta incisivo e driblador, dono de um chute indefensável. Todavia, se cobrava mais, sobretudo depois de sua frustração no Real Madrid, bem como dos lances decisivos que desperdiçou na final da Copa de 2010 e na final da Champions de 2012. O Robben que surgiu depois disso, então, não permitiu margens às dúvidas para que se questionasse o seu poder de decisão. O título continental em 2013, quando não era titular absoluto dos bávaros, estabeleceu um marco. E a Copa infernal que fez quando veio ao Brasil só reforçou, em meio à sequência de taças na Bundesliga que ele abrilhantou. Outro ponto importante também foi a maneira como o holandês se livrou das lesões que o perseguiam. Embora elas tenham voltado à incomodar nas temporadas mais recentes, a sequência saudável contribuiu à afirmação.

Robben já indicou em outras oportunidades que gostaria de encerrar a carreira no Groningen, o clube que o projetou ao futebol. Ainda não dá para saber se haverá alguma outra etapa nesta caminhada, casa resolva destruir em uma liga alternativa – e ainda que suas condições não sejam tão boas para aguentar a sequência competitiva na Alemanha, bola não falta para brilhar em outros cantos. Fato é que a idolatria na Allianz Arena se torna eterna. São 305 partidas e 143 gols, além de 18 títulos. A torcida terá mais uma porção de jogos para aproveitar o talento da lenda e exaltá-la mais um pouco. Toda gratidão é necessária depois de tudo o que o camisa 10 ofereceu ao Bayern.