A metade final da década de 90 foi marcante para os amantes do futebol virtual. Enfim, o mercado tinha uma boa variedade de games voltados ao desporto bretão. Havia os então rivais FIFA e International SuperStar Soccer (ISS) acirrando a disputa pela preferência dos fãs; o então “jovem” Winning Eleven preparando-se para substituir ISS como jogo “oficial” da Konami; e Actua Soccer, que buscava voltar a rivalizar com as demais séries do gênero. No entanto, há, ainda, um quinto jogo que surgia com certo destaque na época, e embora ofuscado pelos demais para o público geral, foi um dos games marcantes do extinto Sega Saturn. Fala-se aqui da série Sega Worldwide Soccer (SWS).

O software marcou época no antigo aparelho da Sega, onde ganhou reconhecimento de especialistas do ramo e entrou no seleto grupo de jogos para Saturn que “deram certo”, como Daytona USA e Virtua Fighter, por exemplo, embora tenha sucumbido quando levado ao Dreamcast, fracassando junto do próprio console. SWS foi lançado inicialmente como Victory Goal, no Japão, em 1995, sendo um dos primeiros para Saturn e tendo, à época, apenas as equipes da J-League. No final do mesmo ano, pouco depois de desenvolver Victory Goal 96, a Sega, baseando-se na boa resposta que o jogo teve no Oriente, produziu uma versão internacional do game, lançando-a, curiosamente, antes no resto do mundo para depois levá-la à Ásia — era o Worldwide Soccer.

Versão histórica

A primeira versão, no entanto, não foi lá muito positiva. Visualmente, na jogabilidade e nas opções propiciadas, o game era bem limitado, e acabou ganhando público com os “saturnistas” principalmente por ser um jogo além da série FIFA disponível para o console, que não tinha ISS ou Winning Eleven à disposição. O que mudaria drasticamente no fim de 1996, quando SWS 97 foi às lojas, sagrando-se o mais marcante da franquia, sendo o que mudou totalmente a cara da série. A mecânica já estava muito mais solta e com liberdade para criação de jogadas. Muitas análises da época consideram o jogo, ainda, o de melhor jogabilidade em sua geração, superando FIFA e Actua Soccer, por exemplo. Os gráficos também eram muito mais bem feitos, os melhores no meio console até a chegada de ISS 64.

O aspecto de realidade do jogo também era de se elogiar, com a capacidade de, apertando apenas um botão, que podia ser previamente configurado, pedir que o time agisse em determinada tática, formando linhas de impedimento ou que se pressionasse a defesa adversária. No entanto, nem tudo é perfeito, como um detalhe sórdido na jogabilidade: imagine que seu atleta dispara rumo à área — aliás, adianta-se aqui a crítica de ter que se pressionar, repetidamente, o botão de corrida para dar velocidade ao jogador — seguido por um zagueiro, que vai ficando para trás. Ao se apertar a tecla de chute, o atleta para e efetua o arremate, mas antes disso, é desarmado. Aí era problema.

Há, em todo o jogo, 48 seleções (quatro vezes mais que a versão anterior), sendo que, no montante de jogadores criados, havia um único atleta “oficial”: o cabeludo Cobi Jones, que, aliás, foi capa do game em seu lançamento nos Estados Unidos. Tratava-se de um momento em que o “soccer” começava a ser mais atentado nos por lá. Adiciona-se a isso a necessidade, por parte da Sega, em tentar desenvolver o mercado do Saturn no continente americano, que já via uma disputa latente entre Nintendo 64 e Playstation, enquanto o console dos japoneses fracassava consideravelmente.

A variedade de modos também está maior, embora não fuja muito do habitual em games de futebol. O único estilo mais diferente é a Worldwide Cup, em que você precisa passar pelas eliminatórias para chegar na Copa. Algo que seria mais bem produzido, à bem da verdade em ISS 64, pouco tempo depois, e que já era feito nos modos Championship da série da Konami — onde, os fãs devem se lembrar, bastava vencer UM dos dois jogos para avançar para o Mundial… Ainda assim, os modos tinham bom nível de dificuldade, ou seja, “davam jogo”, que era o que importava naquele elogiável software “saturinista”.

Apesar de algumas limitações, no entanto, SWS 97 — que também seria lançado para PC, pouco tempo depois, devido à demanda — deu orgulho aos proprietários do Saturn, que podiam dizer, enfim, que tinham um ótimo jogo de futebol — e exclusivo — em mãos. E com a natural tendência de que um jogo de sucesso pode sempre melhorar, aprimorar ainda mais os polígonos, os efeitos sonoros e a variedade de equipes e modos, as expectativas para Sega Worldwide Soccer 98 eram enormes. Certo? Teoricamente sim, e até por isso a rejeição à versão seguinte do game torna-se bastante explicável.

Queda eminente

Atualmente, as críticas que são feitas a Pro Evolution Soccer tratam da falta de reais novas opções, ou algum modo de jogo mais criativo. Algo que, durante o começo da atual década, era comentado em FIFA. E foi justamente esse o sério problema de SWS na continuidade da série. A Sega tentou diferenciar ao colocar, pela primeira vez, clubes das ligas inglesa, espanhola e francesa à disposição do jogador. O que, vale lembrar, já mostrava uma tendência dos jogos de futebol na ocasião, que era abrir espaço para times. Curiosamente, as equipes vinham com nomes originais, diferentemente do que ocorria com as seleções, que seguiam com “ilustres e inexistentes desconhecidos”.

Mas foi só. E o pior: você só poderia jogar com o Manchester United, por exemplo, se escolhesse o idioma inglês. Caso o objetivo fosse levar o Barcelona às glórias, então deveria se para o espanhol. O que dizer? Tanto é que, em uma análise feita por um site inglês de fãs do Saturn, a nota dada no quesito originalidade foi um redondo e colorido zero — com louvor. Além disso, a frase final do resumo que o site fez sobre SWS 98 foi perfeita: um exemplo primoroso de produtores que ficam preguiçosos com uma franquia de sucesso.

Pode-se até perguntar: mas PES e FIFA, mesmo quando fracos, seguiam com destaque em vendas e com públicos ferrenhamente defensores de seu jogo favorito. Por que o mesmo não poderia ocorrer com Sega Worldwide Soccer? Por algumas razões. Primeiramente, a própria fase internacional que vivia o Saturn não dava muita brecha para fracassos, e, evidentemente, a versão 98 do jogo acabou recolocando a série no anonimato. E anonimato em time que está perdendo é mau sinal. Em segundo lugar, o sucesso, nos arcades, de Virtua Striker mobilizou a Sega em prol do game, que ganharia versões especiais para a Copa do Mundo de 1998. Há, ainda, outro fator: a versão a fracassar foi justamente no período em que FIFA 98 arrebentava, Winning Eleven crescia e até ISS, na versão 98, mantinha-se firme na concorrência.

Além disso, com a eminência do Dreamcast, próximo de ser lançado, pretendeu-se levar o título para o novo console. O problema é que o videogame não teve a resposta esperada nas lojas, de forma geral, e seguiu preterido por consoles “menores” como Playstation e Nintendo 64. E quando PS2 e Game Cube chegaram às lojas, foi a ruína do “console dos sonhos”, e de boa parte de suas produções, inclusive as de Sega Worldwide Soccer. Tanto que apenas duas versões — sendo ambas referentes à edição “2000” — foram lançadas.

Se hoje pudesse ser feita uma escolha de que game da série o fã escolheria, certamente, dentre todos os criados, SWS 97 seria a opção, superando mesmo as versões para Dreamcast, obviamente mais bonitas e com uma jogabilidade levemente melhor. É certamente, também, um daqueles jogos que os admiradores da Sega, e que não abandonaram a empresa nas vacas magras — e aí vai um aviso: não diga para um nintendista que o Mega Drive era melhor que o Super Nintendo, e vice-versa, sob pena de uma discussão digna de torcedores em mesa de bar —, guardam com carinho dos difíceis, mas, no fundo, proveitosos anos em que o Saturn esteve no mercado.

Vendagens

Fonte: Gamasutra

Semana 1: 17 de julho

Xbox 360 – Reino Unido

1. Gears of War 2 (Microsoft), 2. FIFA 09 (EA Sports), 3. Fight Night Round 4 (EA Sports), 4. The Bigs 2 (2K Sports), 5. Prototype (Activision).

PlayStation 2 – Reino Unido

1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Transformers: Revenge of the Fallen (Activision), 3. SingStar: ABBA (SCEE), 4. Harry Potter and the Half-Blood Prince (EA Games), 5. Grand Theft Auto: San Andreas (Rockstar).

PC – Reino Unido

1. The Sims 3 (EA Games), 2. Football Manager 2009 (Sega), 3. World of Warcraft: Wrath of the Lich King (Blizzard), 4. Empire: Total War (Sega), 5. Warhammer 40,000: Dawn of War II (THQ).

PlayStation Portable – Reino Unido

1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Transformers: Revenge of the Fallen (Activision), 3. Football Manager Handheld 2009 (Sega), 4. Crisis Core: Final Fantasy VII — Platinum Edition (Square Enix), 5. Monster Hunter Freedom Unite (Capcom).

Semana 2: 24 de julho

Playstation 2 – Reino Unido

1. SingStar: ABBA (SCEE), 2. FIFA 09 (EA Sports), 3. SingStar: Singalong with Disney (SCEE), 4. Grand Theft Auto: San Andreas (Rockstar), 5. Harry Potter and the Half-Blood Prince (EA Games).

PC – Reino Unido

1. The Sims 3 (EA Games), 2. International Cricket Captain 2009 (Empire), 3. Football Manager 2009 (Sega), 4. Fallout 3 (Bethesda), 5. World of Warcraft: Wrath of the Lich King (Blizzard).

PlayStation Portable – Reino Unido

1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Monster Hunter Freedom Unite (Capcom), 3. Grand Theft Auto: Liberty City Stories — Platinum Edition (Rockstar), 4. Resistance: Retribution (SCEE), 5. Virtua Tennis 3 (Sega).