O Estádio Azteca foi palco do Brasil e Itália que coroou a seleção de Pelé com o tricampeonato mundial. Também viu Diego Maradona marcar o gol mais bonito das Copas, deixando uma fila de ingleses pelo caminho, em uma vitória importantíssima no bicampeonato argentino. No entanto, o templo do futebol mexicano nunca havia recebido uma partida tão épica quanto à deste domingo. Um roteiro primoroso em suspense e heroísmo, que tornou o América campeão do Torneio Clausura.

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O drama havia começado na última quinta-feira, durante o primeiro jogo da decisão. O Cruz Azul fez valer o mando de campo no Estádio Azul e venceu por 1 a 0, gol de Christian Giménez. Um triunfo que dava aos Cementeros a vantagem do empate contra o América, em uma das maiores rivalidades do futebol mexicano.

E o roteiro dava toda a pinta de título do Cruz Azul. Aos 14 minutos do primeiro tempo, Jesus Molina foi expulso e deixou o América com um jogador a menos. Seis minutos depois, Téo Gutiérrez marcou para os visitantes e calou o Estádio Azteca. Parecia tudo encaminhado para o nono título nacional dos Cementeros, o primeiro desde 1997. Um clube marcado pelo estigma do vice-campeonato, que havia perdido oito das nove últimas finais da liga que disputou.

A reação histórica começou aos 44 minutos do segundo tempo, quando Arquivaldo Mosquera igualou. O gol do zagueiro, porém, era insuficiente dentro do placar agregado. E, no terceiro minuto dos acréscimos, surgiu o herói improvável. O goleiro Moisés Muñoz foi à área adversária em desespero e, de peixinho, virou a partida para o América. O tento que levava a decisão para a prorrogação. Anotado por um atleta que, em junho do ano passado, estava em estado grave no hospital por sofrer um traumatismo craniano em acidente de carro.

Mais do que dar sobrevida ao América, o gol de Muñoz impulsionou sua equipe na prorrogação, enquanto o Cruz Azul se abalou. O artilheiro Chucho Benítez teve a chance de liquidar o jogo no tempo extra, mas perdeu excelente chance diante do goleiro Jesús Corona. Como um bom épico, a final só seria encerrada nos pênaltis. Muñoz, outra vez, foi o salvador, ao defender a cobrança de Javier Orozco e abrir o caminho para a vitória por 4 a 2 na disputa. A justa comemoração do título nacional.

A conquista é a 11ª da história do América no Campeonato Mexicano. As Águilas encerram um jejum de oito anos sem levantar o troféu da liga e, de quebra, igualam o número de títulos do Chivas Guadalajara como maiores campeões nacionais. Elementos que só engrandecem a vitória na final, em um clássico, nos pênaltis, com um a menos durante a maior parte do tempo, com uma virada nos acréscimos, com gol de goleiro. Uma série de milagres, presenciados pelos 100 mil fiéis presentes no Azteca.


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