Ajax e Bayern de Munique protagonizaram alguns dos maiores duelos da história da Liga dos Campeões entre as décadas de 1970 e 1990. Ao longo deste século, porém, as distâncias entre os gigantes aumentaram e os holandeses passaram a se acostumar com o papel de coadjuvantes nas competições continentais. Não foram poucas as derrotas nos últimos anos contra equipes de maior poderio financeiro. Nesta terça-feira, havia reticências sobre o que os Godenzonen poderiam aprontar na Allianz Arena. O começo avassalador dos bávaros esboçava uma vitória tranquila. Entretanto, os visitantes tiveram uma ótima atuação. Que a crise aflija o lado de Niko Kovac, não se nega os méritos de Erik ten Hag e seus comandados. Jogaram de igual e poderiam muito bem ter vencido o duelo em Munique, no qual o empate por 1 a 1 reflete uma partida de chances abertas aos dois times.

Em mau momento após sofrer a derrota ao Hertha Berlim e deixar escapar a liderança da Bundesliga, o Bayern seguiu a rotação costumeira para o duelo na Champions. Desta vez, privilegiou a sua “velha guarda”, com Arjen Robben e Franck Ribéry nas pontas, além de Thomas Müller e Robert Lewandowski completando o quarteto de ataque. Enquanto isso, o Ajax confiava em Dusan Tadic como homem de referência, servido por uma trinca de meias leve, composta por David Neres, Donny van de Beek e Hakim Ziyech.

Como era de se imaginar, o Bayern começou mandando no jogo. E, criando boas oportunidades, via Robben e Ribéry chamando a responsabilidade. Depois de alguns lances claros, incluindo ótima defesa de André Onana, os bávaros abriram o placar aos quatro minutos. Cruzamento primoroso de Arjen Robben, para Mats Hummels emendar ao gol com uma cabeçada firme. O time da casa manteve o ritmo forte, com e sem a bola, até os 15 minutos, mas logo passou a reduzir a marcha e a encontrar problemas. Encarava um Ajax que não desejava apenas assistir ao jogo na defesa. Os Godenzonen tentavam partir ao campo de ataque e se aproveitavam bastante da mobilidade de Tadic na linha de frente.

Enquanto o Bayern teve um chute perigoso com Müller, que saiu ao lado da meta de Onana, as chances do Ajax se tornaram mais frequentes. Manuel Neuer apareceu pela primeira vez em arremate de Ziyech, espalmando para escanteio. Já aos 22, o arqueiro não conseguiu evitar o empate. Excelente jogada do lateral Noussair Mazraoui, que avançou pela direita, tabelou com Tadic e aproveitou a brecha deixada por Hummels para fuzilar Neuer. O gol pareceu motivar os Godenzonen, que seguiam com uma atitude agressiva. David Neres e Ziyech traziam problemas à marcação pelas pontas. As melhores jogadas do Bayern acabavam limitadas às bolas paradas. Já aos 45, mais uma boa defesa de Neuer, para rebater o chute de longe dado por Ziyech.

O Ajax voltou ao segundo tempo com a mesma mentalidade, aproveitando bem as combinações de seu ataque. Tadic pegou mal o cruzamento de Neres e, logo depois, Tagliafico apareceu com liberdade para soltar a bomba em cima de Neuer. Era uma partida franca, embora os holandeses demonstrassem um ímpeto maior. O cenário só começaria a mudar um pouco mais quando James Rodríguez entrou no lugar de Robben, aos 17 minutos, e ajudou o Bayern a aumentar o controle da partida. Apesar do crescimento dos bávaros, os Godenzonen seguiam levando perigo sempre que chegavam. Aos 27, Van de Beek teve uma oportunidade claríssima em bonita tabela de seu time e acabou desperdiçando. A resposta viria em chute de James que Onana foi buscar no cantinho.

Na reta final do jogo, o Bayern se esforçava pela vitória e apostou em Serge Gnabry no lugar de Ribéry. O Ajax, por sua vez, renovou as energias entre os meias com Dani de Wit e Kasper Dolberg. Apesar da posse muito maior aos bávaros, o time encontrava dificuldades em abrir as brechas, com Lewandowski particularmente anulado na noite, diante da maturidade de Matthijs de Ligt na zaga. E a vitória não ficou nas mãos dos holandeses porque Neuer foi espetacular. Em uma cobrança de falta de Lasse Schöne, a bola seguia ao ângulo. O arqueiro espalmou e a redonda ainda triscou na trave, antes de ser neutralizada no rebote. O empate parece o mais justo, dentro das circunstâncias. Entretanto, não seria desmerecido se os Godenzonen levassem os três pontos para casa. Mais que uma atuação honrosa, valeu pela postura de não se esconder da partida.

Individualmente, vários jogadores do Ajax merecem elogios. Tadic, Neres e Ziyech funcionaram bastante na linha de frente, enquanto De Ligt transmitiu enorme segurança atrás. O coletivo, de qualquer maneira, prevalece em uma atuação afirmativa como essa. Já no Bayern não foi mal, mas não manteve o ímpeto dos primeiros minutos e teve problemas para se impor no ataque. Fica um gosto mais amargo ao time que ainda possui um bom elenco, só que paga pelo envelhecimento de jogadores importantes e pela falta de encaixe com a troca de técnico. O favoritismo para alcançar os mata-matas permanece entre os alemães, embora os Godenzonen tenham se mostrado adversários em potencial para a sequência da competição. Festa da torcida que invadiu Munique e poderá aproveitar a Oktoberfest em uma noite mais leve.