A participação do Lyon na Liga dos Campeões deve mesmo se resumir a míseros quatro jogos. Embora o time mantenha as esperanças de se classificar para a fase de grupos, a pífia apresentação diante da Real Sociedad deixa poucas dúvidas quanto ao futuro do OL na competição. A derrota por 2 a 0 em Gerland e a absoluta falta de qualidade diante do adversário colocam a eliminação prematura como algo praticamente selado.

Os lioneses já haviam passado por dificuldades para superar o Grasshoppers na fase anterior. Diante da Real Sociedad, culpar a inexperiência do elenco em uma competição como a Champions seria severo demais. Neste quesito, o time espanhol está no mesmo patamar. A diferença ficou por conta da coesão e da aplicação defensiva, duas qualidades que faltaram ao Lyon.

De cara, a Real Sociedad mostrou a fragilidade do setor defensivo do Lyon. A facilidade para roubar a bola e para avançar sem tanta resistência pela zaga dos donos da casa era latente. A bola na trave de Vela, aos 12min, serviu como um aviso de que a artilharia pesada estava a caminho. Cinco minutos depois, o próprio Vela avançou pela esquerda sem ser incomodado e cruzou para o belíssimo chute de Griezmann, absurdamente livre na área.

O gol apenas evidenciou as limitações lionesas. Incapazes de demonstrar algum poder de reação, o time continuou sem qualquer inspiração. O símbolo desta apatia foi Clément Grenier, longe de suas boas exibições nas rodadas iniciais da Ligue 1. Ironicamente, Yoann Gourcuff estava acordado e em um bom dia, mas ficou sobrecarregado com a lentidão de seu companheiro na armação.

Se alguém esperava alguma mudança de atitude por parte do Lyon no segundo tempo, o gol de Seferovic jogou por terra qualquer chance de reação. Adiantado e mal posicionado, o goleiro Anthony Lopes tem sua parcela de culpa, mas Miguel Lopes coroou sua péssima exibição neste lance. Os dois gols da Real Sociedad saíram nas costas do lateral, que pena para ocupar o lugar de Anthony Réveillère.

Quando conseguiu, enfim, ameaçar o gol da equipe espanhola, o Lyon viu seu ímpeto acabar de vez com a expulsão de Bisevac aos 30min. A Real Sociedad ainda desperdiçou duas chances para ampliar e matar o Lyon, mas o 2 a 0 já lhe dá grande margem para o duelo de volta. A diferença técnica entre as duas equipes ficou nítida em Gerland. Apesar do otimismo e do velho discurso do ‘sí, se puede’, os lioneses já devem pensar na Liga Europa – e nos € 20 milhões que deixarão de faturar com a Champions.

Começo com tropeços

Para quem fez tanto barulho na pré-temporada, a campanha do PSG nas duas primeiras rodadas da Ligue 1 decepciona por completo. Os empates contra Montpellier e Ajaccio frustraram quem esperava ver um início promissor. A concorrência (principalmente o Monaco) já abriu uma vantagem de quatro pontos e o técnico Laurent Blanc tem a certeza de que ainda precisa trabalhar muito para fazer seu time estelar jogar bola por música.

Nestes dois primeiros jogos na Ligue 1, Blanc ainda não dissipou a nuvem de dúvida que paira em torno de seu nome. Se sua escolha para comandar o elenco estelar do PSG já esteve longe de ser unânime, seu comportamento apenas reforça os argumentos dos críticos. Na entrevista coletiva após o 1 a 1 com o Ajaccio, por exemplo, o treinador abusou de termos como “o que você quer que eu faça?” – sinal de quem parece um pouco alheio ao seu trabalho e até mesmo impotente diante das primeiras dificuldades.

De cara, o PSG versão 2013/14 apresenta alguns pontos frágeis que devem ser corrigidos imediatamente. O primeiro se chama Jallet. Tanto em sua experiência na seleção francesa como em outras partidas pelo clube, o lateral direito parece fadado a se esconder nos jogos decisivos. Para piorar, os gols que complicam a vida dos parisienses têm saído justamente por seu lado. Embora seja uma pessoa do bem, Jallet está devendo em campo, e não é de hoje.

Lucas também tem sido tema de discussões acaloradas. O brasileiro, contratado por uma fortuna, até agora não fez um golzinho sequer pelo PSG. Carlo Ancelotti reclamava que o ex-são-paulino diminuía o ritmo de jogo da equipe, algo repetido contra Montpellier e Ajaccio. Sob o comando de Blanc, Lucas dá sinais de estar perdido em campo, sem saber direito sua função e o que fazer com a bola (e sem ela). Cabe a ele uma orientação específica do treinador para que a velocidade e os dribles do jogador se transformem em lances objetivos.

Javier Pastore esgotou a paciência de torcedores e críticos. O meia argentino despontou como um talentoso organizador de jogadas, mas raramente ele demonstrou essa capacidade com a camisa do PSG. Mesmo com as inúmeras chances recebidas, o discurso repetitivo é de que Pastore vai explodir no jogo seguinte, mas isso quase nunca acontece. Não dá para uma função crucial ser exercida por alguém tão instável.

Por enquanto, o PSG tem dependido demais do brilho individual de suas estrelas de ataque. Edinson Cavani e Zlatan Ibrahimovic ainda encontram dificuldades de entrosamento e o uruguaio não está com 100% de suas condições físicas. O 4-4-2 de Blanc ajuda a engessar o time, uma vez que Pastore e Lucas têm a tendência de centralizar o jogo em vez de abri-lo pelos corredores. Aliás, o brasileiro está com seu lugar entre os titulares seriamente ameaçado.

Também não dá para falar em uma hecatombe no Parc des Princes. Apesar dos tropeços iniciais, o PSG apresenta números interessantes. Contra o Ajaccio, o time fez 39 finalizações (!), das quais 17 na direção do gol. Na estreia contra o Montpellier, foram onze conclusões (cinco corretas). Com 44% de finalizações corretas, fica clara a necessidade do PSG de melhorar sua pontaria. Curiosamente, as duas únicas finalizações corretas feitas por seus rivais foram para as redes.

O PSG lidera outra estatística: a equipe acumula 71% de posse de bola nas duas partidas realizadas pela Ligue 1. Ou seja: o time teve amplo domínio sobre seus adversários, criou muitas chances para marcar, mas fracassou em suas conclusões e vacilou na defesa. Se serve como consolo, os parisienses nunca ultrapassaram a marca de três pontos conquistados nas duas rodadas iniciais da Ligue 1 desde que os qatarianos assumiram o comando do clube, em 2011. Há pontos a corrigir, mas longe de ser uma situação desesperadora.