Já se passaram 23 anos da estreia daquele garoto que despontava nas categorias de base. Que muitos poderiam imaginar como um talento, mas talvez não como o símbolo que se tornou do Peñarol. Tony Pacheco não foi o jogador mais memorável do futebol uruguaio ao longo das últimas duas décadas. Todavia, poucos encarnaram as cores de uma equipe como o meio-campista. Embora tenha vestido outras camisas, as quatro passagens pelos carboneros o credenciam como um verdadeiro ídolo. Em 16 temporadas como profissional pelo clube, conquistou oito títulos uruguaios. E teve a sua despedida neste final de semana com as honras que sua história merece.

A longevidade de Pacheco garantiu alguns recordes importantes. Que, de qualquer maneira, também representam o papel decisivo do camisa 8. É que mais marcou em finais do Campeonato Uruguaio. Também quem mais venceu o arquirrival Nacional na história do clássico. Feitos que já valeriam o seu lugar especial, não fosse também a sua grandeza durante os últimos anos, conduzindo os aurinegros a suas duas últimas taças de maneira brilhante.

“Tudo foi muito forte. Não tenho palavras, não as encontro para explicar o que sinto. Isso foi demasiado para mim. Tivemos sorte de conquistar glórias que se escreveram na história do Peñarol. Sempre joguei e tentei dar sempre o máximo. Sou um grato à vida por me dar a possibilidade de ter jogado no Peñarol”, declarou, durante o evento de despedida.

O Estádio Campeón del Siglo se encheu para festejar Pacheco. As homenagens começavam na entrada do estádio e se seguiram de várias formas nas arquibancadas. Já dentro de campo, veteranos do Peñarol e amigos do meio-campista participaram da partida. Até mesmo os filhos do jogador de 40 anos puderam bater a sua bola na nova casa carbonera. Mas a emoção maior ficou para o intervalo, quando cenas marcantes de Pacheco no clube foram reproduzidas no telão. A cada momento, um velho companheiro surgia para um abraço.

Lembrar de números ou momentos, no entanto, não basta para recontar a trajetória do ídolo pelo Peñarol. É uma questão de sentimentos. Cujo melhor resumo, talvez, tenha vindo de uma senhora no almoço realizado antes do amistoso festivo: “Não viemos nos despedir de Tony, porque nunca irá embora dos nossos corações”. Ao ouvir isso, o senhor de 40 anos chorou como um menino. O menino que cresceu, viveu e se fez homem por duas cores: o amarelo e o negro dos carboneros.