Torcedores organizados e episódios de violência são praticamente sinônimos na América Latina, sobretudo na Argentina. O envolvimento de muitos barras bravas com organizações criminosas não é segredo para ninguém no país e, ainda assim, não há quem os tire de dentro dos clubes. E, infelizmente, os casos de agressão contra torcedores de outros times ou contra seus próprios jogadores têm se tornado cada vez mais comuns.

A história ocorrida nesta quinta beira o absurdo. Cerca de 150 – isso mesmo, CENTO E CINQUENTA – barras bravas invadiram o vestiário do centro de treinamentos do Huracán para bater em seus jogadores. Não só deixaram feridos, como também roubaram alguns de seus pertences. Tudo porque, na noite anterior, o Globo havia sido eliminado pelo Godoy Cruz na Copa da Argentina.

“Treinamos nesta manhã e, no final da prática, quando estávamos no vestiário tomando banho, entrou a barra brava do clube com capuzes no rosto e paus, amedrontando todos. Quando saímos, os carros de dois membros do time estavam arranhados. Também roubaram dinheiro dos jogadores. Alguns jogadores foram agredidos”, afirmou Juan Manuel Llop, técnico do Huracán.

O Globo ocupa a 14ª posição na tabela do descenso na Primera B Nacional, cinco colocações acima da zona da degola. No último final de semana, no entanto, o clube deixou de ter chances matemáticas de retornar à elite do Campeonato Argentino ao ser derrotado pelo Olimpo por 2 a 1.

Revoltado com a situação, Llop ameaçou deixar o comando da equipe: “Ontem, perdemos para uma equipe da primeira divisão nos pênaltis. É complexo que aconteça isso, não se pode trabalhar assim. Além disso, não estamos tão complicados com o rebaixamento do que quando assumimos o clube”.

O episódio não é inédito. Uma busca rápida mostra diversos casos nos quais barras bravas invadiram os vestiários para agredir os jogadores. Envolvendo torcedores do Boca Juniors, do San Lorenzo, do Almirante Brown. Uma insanidade que atinge até mesmo o tênis, como ocorrido em 2009, quando seguidores do Newell’s Old Boys entraram no vestiário de Juan Martín Del Potro pedindo para que ele “jogasse para a torcida” contra o chileno Fernando González.

A solução para o problema está longe de ser encontrada. Principalmente porque os barras bravas também estão arraigados na estrutura política do país, com direito a troca de serviços entre governantes e líderes de torcida. E, enquanto nada se resolve, é o futebol quem sofre com o poder de máfias instauradas nas arquibancadas.