Não é segredo para ninguém que o futebol na Europa movimenta mais dinheiro do que em qualquer outro canto do mundo. Os maiores salários do esporte estão concentrados lá. Portanto, é descabido querer traçar comparações financeiras entre o mercado da bola na Europa e na América do Sul. Não há como equilibrar, economicamente falando, a Eurocopa e a Copa América Centenário em uma balança. Mas a diferença entre as premiações de ambos os torneios é tão gritante, mas tão gritante, que é difícil não se impressionar. Ainda mais sabendo o que há por trás da entidade que rege o futebol na América do Sul.

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A Conmebol desembolsou para esta edição especial da Copa América pouco mais de US$ 21 milhões em recompensa financeira para as seleções participantes do torneio. A quantia total, que, para nós, corresponde a R$ 75 milhões e meio, é gigantescamente inferior ao que a Uefa pagará às nações que disputarão a Eurocopa. E, inclusive, ao que outras confederações pagam em outros torneios ao redor do mundo. Esse valor será distribuído da seguinte forma: a entidade sul-americana dará US$ 250 mil para todos os países que jogarão a competição. Cada seleção que não passar das quartas de final ganhará US$ 1 milhão e meio, enquanto o quarto lugar recebe U$ 2 milhões e meio e o terceiro, meio milhão a mais do que essa quantia.

Os finalistas do torneio que, pela primeira vez na história, contará também com seleções da Concacaf, receberão juntos US$ 10 milhões (US$ 3,5 milhões para o vice e US$ 6,5 milhões para o campeão). Já na Eurocopa, a distribuição dos € 301 milhões reservados pela Uefa será bem mais equilibrada. Só para participar da competição, as 24 seleções europeias vão conseguir € 8 milhões. Durante a fase de grupos, cada vitória valerá € 1 milhão e empate € 500 mil. Quem se classificar para as oitavas de final receberá € 1,5 milhão. Nas quartas, os países ganharão € 2,5 milhões. Semifinais, € 4 milhões. Enquanto a equipe campeã será premiada com € 8 milhões e a vice com € 5 milhões. Ou seja, a seleção que obtiver menos sucesso na Euro será melhor remunerada do que a vencedora da Copa América Centenário.

É óbvio que há uma disparidade entre os direitos de transmissão do torneio europeu, que é bem mais atraente aos olhos do restante do mundo, e o nosso. Mas é válido mencionar que é justamente isso o que mais choca nessa diferença abissal entre as premiações. Ao comercializar os direitos de transmissão das três últimas edições do evento mais a deste ano com a Datisa (sim, aquela mesma, envolvida no Fifagate), a Conmebol acertou o recebimento de US$ 462,5 milhões. Porém, o valor total desembolsado pela entidade para a premiação da Copa América é muito inferior à quantidade destinada em propinas aos presidentes das federações sul-americanas (US$ 110 milhões), que, aliás, foi algo que fez parte do escândalo que estourou ano passado.

Se por um lado ficamos contentes que, pela primeira vez, a Conmebol e a Concacaf decidiram se unir em torno de um evento esportivo e podem estar começando a estreitar relações visando uma integração entre as Américas para um futebol melhor, por outro, continuamos decepcionados com os bastidores das competições organizadas pela Confederação Sul-Americana de Futebol.

Apesar de tudo, essa instituição tão honesta não poderia ter sido mais previsível nos valores estipulados para a divisão dos prêmios do torneio que a própria organiza, já que na Libertadores a história não é muito diferente.

Por potencial, a Copa América é tão atraente quanto a Eurocopa. A diferença é a competência em vender os direitos de TV. E olha que nem estamos falando de honestidade, porque não dá para colocar a mão no fogo por ninguém – Olar, Platini. A questão é, ao menos, saber administrar melhor, de forma mais transparente. Enquanto isso, as seleções europeias seguem faturando milhões e milhões a mais.