O Benfica terminou a temporada em Portugal da maneira mais gloriosa. Goleou o Santa Clara por 4 a 1, em mais uma atuação avassaladora do seu ataque, e conquistou o seu 37º título português. Uma história que parecia improvável quando foi feita a troca de técnico, no dia 2 de janeiro. Bruno Lage entrou no time e conduziu uma campanha histórica a partir de então, tirando uma diferença de sete pontos para ficar com a taça na última rodada.

A campanha até aquele dia 2 de janeiro não era mesmo boa. O técnico Rui Vitória tinha problemas para armar o time. Após aquele dia, uma derrota por 2 a 0 para o Portimonense, o Benfica era apenas o quarto colocado na tabela. Bruno Lage, técnico do Benfica B, foi alçado a técnico do time principal interinamente. Os encarnados tinham 32 pontos, com o Porto em primeiro com 39, o Sporting em segundo com 34, Braga em terceiro com 33. Eram 15 jogos, 10 vitórias, dois empates e três derrotas.

A partir dali, a campanha do Benfica foi avassaladora. Foram 19 jogos, 18 vitórias e um empate. Basicamente, o time de Bruno Lage só venceu na liga portuguesa, exceto por um empate por 2 a 2 com o Belenenses no dia 11 de março. A diferença de pontos para o Porto foi destruída e foram os encarnados que entraram na última rodada dependendo apenas de uma vitória simples para chegar ao título. Até porque um dos jogos que o time venceu foi justamente um duelo contra o Porto, fora de casa. Os 2 a 1 no Estádio do Dragão se provaram fundamentais.

Bruno Lage não é nenhum mago. O que foi feito, então? O time mudou taticamente, para começar. Saiu de um 4-3-3 e foi para um 4-2-3-1. Algumas mudanças foram feitas em nomes também. Samaris se tornou um jogador fundamental no meio-campo. Jogadores como Zivkovic e Cervi passaram a ser opções, Rafa Silva entrou no time para não sair mais. E a base veio forte. João Félix, que como os portugueses diriam, é um puto maravilha, virou titular como o meia central, marcando muitos gols e brilhando ofensivamente. Foi uma aposta do técnico Bruno Lage, que rendeu muito bem.

O jovem Florentino foi outro que ganhou espaço a partir de março, sendo um volante importante para a equipe manter o seu equilíbrio. Aos 19 anos, passou a ser o titular na equipe e termina bem a temporada. Haris Seferovic foi outro que cresceu de produção com o novo técnico, se tornando a referência, até pelas lesões de Jonas. Termina como artilheiro da liga, com 23 gols, ocupando o espaço de artilheiro que o time precisava.

Há ainda o capítulo do principal artilheiro do time. Jonas, tão importante e tão ídolo, parece ter se despedido do futebol. Nos últimos dias, se especulou que o brasileiro poderia pendurar as chuteiras depois do último jogo da temporada. E pelo que se viu em campo, no Estádio da Luz, ele vai mesmo se aposentar. Ao entrar em campo, o jogador parecia ter lágrimas nos olhos.

Depois, os jogadores procuraram muito Jonas, que finalizou muito a gol tentando um gol que poderia ser o da despedida. Não aconteceu. Mas nem precisou. A emoção tomou conta do estádio depois do apito final, com os torcedores e os jogadores comemorando a conquista do título. Um título que ninguém imaginaria em janeiro. Ou, ao menos, era uma aposta alta àquela altura. O time se recuperou, mostrou consistência e chega ao topo do Campeonato Português.

Seferovic fazendo gols, Pizzi dando assistências. O jogador terminou com 18 assistências na liga portuguesa, sendo o líder no quesito. Rafa, outro que brilhou, foi o terceiro colocado na artilharia do Português, atrás de Seferovic, com seus 23 gols, e de Bruno Fernandes, destaque do Sporting, com 20. Fez 17 gols, uma marca bastante relevante. João Félix termina a temporada com 19 gols marcados nos 38 jogos que disputou pelo time principal.

Os encarnados comemoram o quinto título português em seis temporadas. Na temporada passada, o Porto foi o campeão, mas nos quatro anos anteriores, foi o Benfica que venceu. Um time que tem dado muita alegria à torcida nas últimas temporadas.