O Wolverhampton não escondeu sua insatisfação em enfrentar o Olympiacos nesta quinta-feira, pela Liga Europa, diante da pandemia de coronavírus. Dono do clube grego, Evangelos Marinakis testou positivo para o vírus no início da semana. Todos os jogadores alvirrubros precisaram passar por exames, mas ninguém foi infectado. Os ingleses pediram o adiamento do jogo e, diante da resposta negativa da Uefa, chamaram a decisão de “risco desnecessário”. E o técnico Nuno Espírito Santo também foi bem crítico ante a ocasião.

Antes da partida, o português conversou com a equipe de reportagem da BT Sport: “É lógico que estou com o coração pesado, por causa de tudo o que está acontecendo no mundo. Você joga uma partida de futebol e pensa no que está acontecendo em todo o planeta, com tanta gente sofrendo e morrendo. Mesmo com tudo isso, temos que disputar o jogo? É um absurdo”.

Já depois da partida, o treinador analisou: “O início do jogo foi estranho. Os níveis de energia não estavam presentes… Faltou alguém que puxasse as equipes. Não foi um bom jogo de futebol. Tivemos controle e posse de bola, mas não fomos capazes de aliar a isso chances de gol. Com certeza não foi o melhor jogo para se ver”.

Dias antes, Espírito Santo já tinha questionado a ideia de manter as partidas de futebol, mesmo com portões fechados: “Entendo a decisão de jogar com os portões fechados, mas qual o sentido do futebol? Não faz sentido. É mais que apenas o esporte, é uma situação social de saúde pública. Todo mundo está preocupado. Algo deve ser feito. Fechar os portões do estádio não é uma solução, isso não é normal. Estamos fingindo levar uma vida normal, quando as coisas não estão normais. Há uma outra solução? Por que não parar?”.

Conor Coady foi mais um a se manifestar no Wolverhampton. O defensor demonstrou sua preocupação não apenas com a viagem até a Grécia, mas também com a volta para casa, sem o risco de que alguém seja infectado. Por causa da pandemia, o Campeonato Grego suspendeu as suas atividades nas próximas semanas.

“Você volta para casa depois do jogo, para sua esposa e seus filhos, então essa é a prioridade. Precisamos garantir que esteja tudo certo quando voltarmos para casa. Nós lemos tudo, vemos tudo, mas somos jogadores profissionais e precisamos jogar. As pessoas têm muito a dizer, mas, seja certo ou errado, temos que estar prontos para competir ao máximo”, declarou o jogador.

Anteriormente, o Wolverhampton havia enfatizado: “A viagem representa um risco desnecessário para nossos jogadores, funcionários, torcedores e famílias de todos que viajam neste momento tão crítico e incerto. Nossa preocupação também é com nosso adversário, cujos jogadores e funcionários foram testados, e agora terão que disputar uma partida importante, sob as difíceis e desafiadoras circunstâncias de seu dono sofrer com o vírus. Há ainda uma decepção de que a partida seja disputada sem torcedores, pois são eles que fazem uma competição europeia ser tão especial”.

“Acreditamos que há algumas coisas mais importantes que o futebol, e que a boa saúde de nosso elenco e do público em geral é uma delas. Entretanto, respeitamos a decisão da Uefa e a integridade da competição. Esperamos que nosso pedido à Uefa e nossa aceitação à decisão possam agir como catalisadores para que considerem alternativas na sequência do torneio, já que este não será o último jogo afetado pelo coronavírus”, complementou o clube.

Dentro do vazio Estádio Karaiskakis, Olympiacos e Wolverhampton empataram por 1 a 1. Youssef El Arabi abriu o placar aos gregos, enquanto Pedro Neto igualou aos ingleses. Rúben Semedo havia sido expulso do lado alvirrubro quando o placar ainda estava zerado. O reencontro no Estádio Molineux, em teoria, ocorrerá na próxima quinta-feira.