O Campeonato Brasileiro ofereceu uma quarta-feira dramática aos clubes que lutam contra o rebaixamento. Exceção feita ao Palmeiras 3×0 São Paulo, todas as outras partidas envolviam equipes que tentam se safar da degola – algumas com temores mais remotos, outras com chances mínimas de salvação. Foram três confrontos diretos. E, ao término da noite, o trio nordestino que entrou em campo saiu aliviado. CSA, Ceará e Fortaleza conquistaram vitórias revigorantes. Outra equipe a sorrir foi a Chapecoense, ainda longe de respirar, mas que em compensação fez a sirene soar no Atlético Mineiro.

O jogo no Estádio Independência ajudou a abrir a rodada. E o Galo sentiu a vontade da Chape rapidamente. O Verdão do Oeste buscou o ataque desde cedo e saiu em vantagem logo aos cinco minutos, com Henrique Almeida. Não surpreenderia se os catarinenses marcassem o segundo. O Atlético demorou um tempo para recobrar os sentidos, mas parou na trave em sua melhor chance antes do intervalo. E quando os alvinegros tentavam o empate, viram o segundo gol sair do outro lado, numa sobra aproveitada por Everaldo aos quatro minutos da etapa complementar. A partir de então, seria só desespero dos atleticanos. Ricardo Oliveira perdeu um gol feito, Tiepo pegou um pênalti de Di Santo, Igor Rabelo teve um gol anulado e as tentativas no final se limitavam a chutes de longe. Pouquíssimo aos mineiros.

Enquanto a Chapecoense comemorava a vitória por 2 a 0, a torcida do Atlético Mineiro vaiou fortemente sua equipe. Os gritos de “burro” a Vágner Mancini soaram no Horto, externando uma insatisfação demonstrada pelos torcedores desde o anúncio do novo técnico. E, com um rendimento pífio nos últimos meses, os atleticanos temem o pior. A equipe já soma 14 derrotas na campanha, número similar ao dos demais ameaçados. Além disso, são apenas duas vitórias nas últimas 15 rodadas. Com 35 pontos, o Galo se apega à calculadora.

A Chape, por outro lado, também precisa se apegar aos números. Contudo, neste momento, a equipe parece muito mais uma franco-atiradora. Com 21 pontos, precisa de um milagre para alcançar a salvação. Está a nove pontos de sair do Z-4, restando mais nove rodadas. O lado bom é que, a um time que antes parecia desenganado, há alguns sinais positivos recentes. Depois de arrancar alguns empates contra concorrentes diretos, o Verdão do Oeste encerrou o jejum de quase dois meses sem vencer – curiosamente no segundo triunfo em BH neste Brasileirão.

Bem mais longe da esperança está o Avaí. Nesta quarta, dias depois do controverso pênalti sobre Deyverson, a torcida na Ressacada protestou contra o VAR. Mas o fato é que também falta bola à equipe. Sem muita apelação, o Fortaleza conquistou a vitória por 3 a 1 em Florianópolis. Os avaianos, depois de uma breve reação em setembro, voltaram a se afundar desde então. São nove rodadas em jejum, com oito derrotas no período. Com 17 pontos até o momento, parece impossível evitar o rebaixamento.

O Fortaleza, em contrapartida, faz o caminho inverso. O Leão do Pici comemorou bastante o triunfo desta quarta, com direito a gol de bicicleta de Paulão, além dos tentos de Wellington Paulista e Romarinho. Os tricolores se alavancaram desde o retorno de Rogério Ceni e elevaram seu aproveitamento. São quatro vitórias e um empate nas oito partidas sob as ordens do novo velho treinador. Os 35 pontos já deixam o clube no patamar do Atlético Mineiro, por exemplo. E o Galo será justamente o próximo oponente a visitar o Castelão, no sábado. Poderá se tornar uma partida essencial nesta inversão de perspectivas, com os nordestinos já almejando uma vaguinha na Copa Sul-Americana.

No próprio Castelão, o Ceará cumpriu sua missão contra o Fluminense nesta quarta. O Vozão fazia o famoso jogo de seis pontos contra os tricolores, no qual quem ganhasse se distanciaria na tabela. Melhor aos cearenses, que aproveitaram o apoio de sua torcida com o triunfo por 2 a 0. Bergson abriu o placar no primeiro tempo, que viu o domínio dos anfitriões. Já na segunda etapa, o Flu melhorou a partir das alterações ofensivas feitas por Marcão, o que não adiantou muito. Sem aproveitar suas chances, os cariocas viram os nordestinos arrematarem a vitória no apagar das luzes, em contragolpe arrematado por Mateus Gonçalves.

Depois de um maremoto iniciado em agosto, com 11 rodadas sem vencer, o Ceará parece voltar a navegar em águas um pouco mais tranquilas. Desde que reencontrou o caminho dos triunfos, o Vozão somou 10 pontos em 15 possíveis. Chega aos 33 pontos, mas terá uma sequência difícil nesta reta final de campeonato. Já o Fluminense parou nos 30. O empate contra a Chapecoense na rodada passada, dentro de casa, tinha sido suficientemente desesperador. E um dos tantos problemas dos tricolores neste segundo turno é a forma como a equipe tem desperdiçado pontos contra adversários diretos na fuga ao rebaixamento.

O CSA não ganhou de um adversário direto, mas soube se aproveitar da draga que ronda o Corinthians. A produtividade ofensiva dos alvinegros anda próxima de zero. Até marcaram um gol na visita ao Trapichão, o que pouco adiantou ante a postura aguerrida dos azulinos. Depois de darem trabalho ao Flamengo no Maracanã, não seria agora que os alagoanos deixaram a vitória escapar. O time de Argel Fucks abriu o placar num lance rápido de Apodi, após bola perdida por Sornoza no primeiro tempo. Os alvinegros empataram antes do intervalo com Pedrinho, que se emocionou ao balançar as redes na terra natal. Nada que tenha comovido os anfitriões, que foram mais efetivos aos 34 do segundo tempo. Ricardo Bueno determinou o triunfo por 2 a 1, que premiou a atmosfera contagiante em Maceió.

O Corinthians chega à sexta rodada sem vencer e, com 45 pontos, vê sua situação no G-6 correr sérios riscos. Por bola, os alvinegros não andam merecendo a vaga na Libertadores. Já o CSA, condenado em outros momentos, recebe o direito de lutar. Os alagoanos chegam aos 29 pontos e seguem na zona de rebaixamento, mas ultrapassam o Cruzeiro graças ao número de vitórias. Depois de quatro rodadas sem vencer, os azulinos esperam retomar a reação exibida com Argel a partir de agosto.

Por fim, o Vasco anda mais relaxado, mas não pode se dar ao luxo de se descuidar. Com 38 pontos, o objetivo é evitar qualquer risco. E os cruzmaltinos lamentaram a derrota para o Grêmio nesta quarta. Os tricolores buscaram a virada por 3 a 1 dentro de São Januário. Guarín anotou o seu primeiro gol com a camisa vascaína, em cobrança de falta que Paulo Victor aceitou. Porém, Renato Gaúcho teve influencia direta no resultado, sobretudo ao consertar a falta de ligação de seu time ainda no primeiro tempo, com a entrada de Pepê. O substituto precisou de poucos minutos para empatar. No segundo tempo, Everton Cebolinha e Luciano (de pênalti) viraram ao tricolor. Apesar da insistência dos cariocas no fim, parou nisso.

O Grêmio chega ao G-6, com 47 pontos. Ultrapassou o Corinthians e o Internacional, que entra em campo nesta quinta. Já o Vasco perdeu a boa sequência recente. Após emendar três vitórias e sonhar com algo mais acima na tabela, o time de Vanderlei Luxemburgo tropeça pela segunda rodada consecutiva. É o 11°, com 38 pontos. Até pelo nível apresentado pelos concorrentes, não deve sofrer ameaças do Z-4. De qualquer maneira, é prudente não dar margem ao azar.

Na quinta-feira, o grande jogo na parte inferior da tabela envolve Botafogo e Cruzeiro, no Estádio Nilton Santos. Mais um confronto direto que vale demais, entre todos os temores dos celestes e a derrocada que os alvinegros não desejam. Ainda vale olhar o Goiás, que recebe o Flamengo. Os esmeraldinos até deram um gás na virada do turno, mas estão em situação parecida com a do Vasco. Nestas últimas semanas, a corrida contra o descenso se promete ainda mais emocionante que a disputa pela taça. A semana é emblemática.

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