A realidade foi percebida de diferentes maneiras pelos clubes ameaçados de rebaixamento nesta quinta-feira alucinante à rabeira do Brasileirão. O Fortaleza é quem mais sorri com uma situação afável, já garantido na elite para 2020. O Fluminense não pode relaxar, mas deu um passo firme ao conquistar uma vitória essencial no Maracanã. E o contraste maior aconteceu no Mineirão, onde Cruzeiro e CSA se encararam num jogo vital a ambos os clubes. O sopro de esperança recaiu aos alagoanos, antes desenganados. Enquanto isso, os mineiros sentem o maior golpe entre os muitos recebidos nos últimos meses. Cada vez mais parece que a Raposa pede para cair, numa derrota que escancara a crise celeste.

O primeiro a entrar em campo foi o Fluminense, que recebia o Palmeiras no Maracanã. E a vitória por 1 a 0 recaiu como uma benção aos tricolores, que somaram três pontos gigantescos em sua luta pela sobrevivência. Mesmo contra o time reserva, os alviverdes incomodaram no primeiro tempo. Mas o Flu tomaria o controle da situação e teria um lampejo sensacional para garantir o resultado pouco antes do intervalo. Chutaço de Marcos Paulo, que deixou Weverton plantado na meta palmeirense. Já no segundo tempo de provação, seria a vez do time de Marcão se segurar. Suportou a pressão palestrina, com direito a uma bola heroicamente salva por Digão.

O Fortaleza logo faria sua parte contra outro adversário de peso no Castelão. O Santos poderia se isolar na vice-liderança, mas encarou um adversário duríssimo, numa partida que mal permitiu respirar. O triunfo por 2 a 1 foi o primeiro da história do Leão do Pici contra o Peixe, o que diz muito sobre o tamanho do feito da equipe de Rogério Ceni. Mesmo sem gols, o primeiro tempo já seria intenso, com uma coleção de chances claras. Já na etapa complementar, os tricolores abriram distância. Edinho esquentou os motores com um golaço de falta, pouco antes que Osvaldo ampliasse. Carlos Sánchez até descontou, mas lamentaria um pênalti que carimbou a trave e jogou fora o empate. O êxtase seria dos anfitriões.

Olhando de cima, Fortaleza e Fluminense esperavam a definição do confronto direto entre Cruzeiro e CSA. Secar a Raposa era uma obrigação a qualquer time nas posições logo adiante na tabela. E o que seria insensato se a lógica valesse, mas é totalmente factível na draga cruzeirense, de fato aconteceu: os azulinos calaram o Mineirão, ao arrancarem o triunfo por 1 a 0  – apenas o segundo do time como visitante neste Brasileirão. Daqueles resultados que parecem escancarar o destino fatal de um Cruzeiro que segue milimetricamente o roteiro dos grandes que caem.

O Cruzeiro era o time que possuía volume de jogo e encurralava o adversário, mas não conseguia anotar o gol. Faltava mais clareza nas ideias da equipe, com um punhado de chances que não levavam o perigo que deveriam. Fechado na defesa, o CSA jogava por uma bola. Apostava nas escapadas de Apodi e buscava os atalhos para encontrar um lance vadio. Ele veio, aos 42. Após uma cobrança de escanteio, Fábio até espalmou a cabeçada de Ricardo Bueno, mas o rebote ficou pronto para ser arrematado por Alan Costa. Era o gol de desespero do Mineirão. Fábio ainda evitaria o segundo antes do intervalo.

Para o segundo tempo, Abel Braga voltou com mudanças. O Cruzeiro tinha pressa e sitiava o campo de ataque, o que não adiantava muito com sua falta de organização. As únicas alternativas eram as bolas alçadas, inúteis. Quando o perigo surgia, era nos chutes de longe, que paravam nas boas defesas de Jordi. O gol poderia ser questão de tempo, mas não a uma Raposa que parece paralisada pelo medo de sofrer o rebaixamento inédito.

E o sinal inegável de que há algo tenebroso no presente do Cruzeiro aconteceu aos 16 minutos. Pedro Rocha sofreu pênalti e Thiago Neves partiu para a cobrança. O veterano até conseguiu deslocar Jordi, mas não teve a precisão necessária. Inacreditavelmente, o chute saiu para fora, gerando a fúria dos torcedores com o medalhão. Como se não bastasse, Rafinha acertaria a trave de Fábio logo depois. Apesar dos lamentos e do susto, a Raposa era mais ativa. Só não era simples passar por Jordi, que mantinha a inspiração e acumulava ótimas intervenções.

O Cruzeiro se perdeu por volta dos 30 minutos, e não só dentro de campo. Torcedores atiraram sinalizadores no gramado, enquanto bombas estouravam nas arquibancadas. Houve um certo clima de tensão e a névoa branca provocou a paralisação do jogo. O descontrole não ajudou em nada os mineiros, que também perderam o ritmo dentro de campo e pareciam mais tensos. A impotência dos anfitriões não rompeu a marcação do CSA. Na melhor chance, Joel de novo esbarraria em Jordi. O goleiro foi o herói da sobrevida aos azulinos e o carrasco da aflição celeste. A revolta se misturava com certa resignação em aceitar a incompetência.

Por fim, a última demonstração da falta de direção do Cruzeiro aconteceu já depois da partida. Abel Braga disse que não estava em condições de comparecer à coletiva de imprensa. Também nenhum dirigente teve peito de aparecer, num clube que acumula denúncias de corrupção. Num evento patético, o diretor de comunicação se colocou diante dos microfones, para responder as questões dos jornalistas – e, na verdade, fugir delas. A impressão é de que ninguém assume a responsabilidade, quando os contornos do drama são óbvios.

O CSA ainda tenta se safar com 32 pontos, na antepenúltima posição. Logo acima na tabela, o Cruzeiro tem 36 pontos e trava sua luta direta com o Ceará, com 37. Fluminense (41), Atlético Mineiro (42) e Botafogo (42) só correrão riscos com muito esforço. Já o Fortaleza, que chegou aos 46, se salvou matematicamente e pode até arriscar uma escalada em busca da Libertadores, restando cinco pontos para alcançar o Internacional. Na disputa até então acirrada contra o rebaixamento, esta parece ter sido uma rodada definitiva para apontar os reais clubes fadados a fugir da degola. E o Cruzeiro, sem dúvidas, é o grande perdedor.

Classificações Sofascore Resultados