Santa Fé representou uma das partidas mais frustrantes ao Atlético Mineiro em 2019. O Colón interrompeu o sonho do clube na Copa Sul-Americana e encerrou um ano bem insosso à torcida. E o retorno à cidade argentina guardou nesta quinta-feira um pesadelo, de certa maneira, maior. O Galo não perdeu em uma fase tão aguda da Sul-Americana, mas tomou uma lavada inapelável contra o outro time da cidade, o Unión. Numa atuação em que tudo parecia dar errado aos atleticanos, Walter Bou comandou o passeio dos santafesinos por 3 a 0. Os minutos finais ainda guardaram um pênalti perdido e uma expulsão aos atleticanos.

Rafael Dudamel chegou ao Atlético trazendo consigo esperanças de dias melhores, mas a verdade é que o começo de ano continua torturante aos torcedores. O time não vai bem no Campeonato Mineiro e a estreia na Copa Sul-Americana escancarou os problemas. O Galo apresentou uma defesa frágil, que não conseguiu acompanhar os jogadores adversários e concedeu alqueires de espaço. O goleiro Michael até evitou um placar pior. Já no ataque, a lentidão e a previsibilidade dos mineiros impediu qualquer reação concreta.

O pesadelo do Atlético atendia pelo nome de Walter Bou – irmão de Gustavo. O atacante com passagens por Boca Juniors e Vitória arregaçou as mangas cedo, começando a arrebentar com os adversários a partir dos três minutos. O argentino abriu o placar para o Unión ao dominar uma cobrança de lateral em direção à área. Girou para cima de Gabriel e finalizou com força, para vencer o goleiro Michael. Com isso, os santafesinos puderam fazer o seu jogo. Enquanto o Galo trocava passes no ataque sem muito resultado, os alvirrubros maltratavam na base da velocidade. A desorganização e os muitos erros dos mineiros permitiram aos anfitriões atropelarem a cada avanço.

Di Santo chegou a exigir uma defesa de Sebastián Moyano aos 25 minutos, mas as principais jogadas ofensivas eram do Unión, que sempre subia com perigo. Gabriel Carabajal e Franco Troyansky participavam bastante, rondando a meta do Atlético. Aos 30 minutos, após outras boas intervenções, Michael realizou uma defesaça em cabeçada de Claudio Corvalán. E por mais que Moyano tenha voltado a aparecer aos 40, espalmando o tiro venenoso de Jair, os santafesinos mereciam bem mais o segundo gol. Ele saiu logo depois, aos 43. Bou fazia um ótimo trabalho também na construção e deu um lançamento belíssimo de trivela. Achou Javier Cabrera, que dominou e soltou um foguete rumo às redes.

Quem esperava que o Atlético se acertasse para o segundo tempo acabou ficando frustrado. O Unión voltaria a expor os problemas dos mineiros ao marcar o terceiro gol com apenas seis minutos. Depois de mais um lançamento longo, agora de Juan Elias, Carabajal dominou com liberdade e bateu na saída de Michael. Neste momento, a impressão era de que os alvirrubros poderiam impor uma goleada histórica. Até mesmo a câmera da transmissão balançava, em meio à vibração da torcida no Estádio 15 de Abril.

Até os 20 minutos, o Unión desperdiçou mais algumas oportunidades de fazer o quarto gol. O técnico Leonardo Madelón preferiu sacar os seus principais homens de ataque e poupá-los. Limitados a chutes de longe que seguiam para fora, os atleticanos ganhariam a chance de diminuir a diferença aos 44, quando Guilherme Arana (que saíra do banco) sofreu um pênalti. Allan cobrou mal e facilitou a defesa de Moyano. Como se não bastasse, nos acréscimos, o próprio Allan recebeu o segundo amarelo e terminou expulso. Simbolizou a noite fora de sintonia dos mineiros.

O Unión Santa Fé não vem bem no Campeonato Argentino, ocupando o 17° lugar. No entanto, o clube pareceu mordido para dar uma resposta ao rival Colón na Copa Sul-Americana e viveu uma noite memorável. Jogou acima das expectativas e mereceu o resultado elástico. Não é uma situação completamente inacessível para o Atlético na volta. O problema é que o Galo também não passa confiança neste momento. Coletivamente não funciona e individualmente diversos jogadores se saíram mal na Argentina, sobretudo os defensores. Dudamel terá duas semanas para tentar transformar o time. E sabe que a potencial eliminação no torneio continental, ainda mais pela forma como se deu este jogo, cria pressão sobre o seu trabalho. Parte do planejamento neste início de ano já se perderia.