O Beira-Rio, lotadíssimo e vibrante, já indicava uma noite histórica. As arquibancadas foram ocupadas por 48.530 torcedores, um recorde desde a reforma do estádio. E o Internacional garantiu a grandiosidade da ocasião, com uma vitória inapelável. O triunfo por 1 a 0 em Montevidéu já encaminhava a classificação nas oitavas de final da Copa Libertadores. Independentemente disso, os colorados amassaram o Nacional no reencontro em Porto Alegre. Foi uma atuação de gala do Inter, orquestrado pelo maestro Andrés D’Alessandro. Os uruguaios pouco fizeram, em uma noite na qual os gaúchos foram supremos. Não correram perigos e a diferença de 2 a 0 no placar ficou até pequena, pelo domínio absoluto. Os colorados saem fortalecidos em direção às quartas de final.

A vantagem conquistada no primeiro jogo não acomodou o Inter. Pelo contrário, os colorados atuaram com uma confiança acima do comum e partiram para cima, se impondo no campo de ataque. O time de Odair Hellmann fez uma partida ofensiva e inteligente, que logo trouxe seus resultados. Nico López começou aparecendo bastante e tentando encerrar o jejum de gols, mas parou no goleiro Mejía quando acertou o pé. O gol, de qualquer maneira, não demorou a sair. Aos 16 minutos, D’Alessandro cobrou escanteio pela esquerda e Rodrigo Moledo apareceu livre para cabecear no canto.

O Inter manteve a sua postura depois do gol. A equipe tinha uma importante saída de jogo pelo lado esquerdo, onde Uendel subia e contava com a potência de Patrick. Além disso, D’Alessandro fazia grande papel ao recuar um pouco mais e orientar o time com seus passes. A partir dos 30 minutos, o que se viu foi um bombardeio colorado. O goleiro Mejía fez duas boas defesas, atento para bloquear o caminho de Patrick e Nico López. O uruguaio, aliás, ainda teve a infelicidade de ver dois gols anulados por impedimento. No primeiro deles, os anfitriões construíram uma linda jogada a partir da troca de passes, mas o bandeira flagrou a irregularidade.

E se o primeiro tempo viu um Internacional excelente, os espaços mais amplos ajudariam os colorados na etapa complementar. O Nacional avançou, mas pouco fez contra uma encaixada marcação. Na verdade, os uruguaios abriram o salão para as jogadas encadeadas pelos anfitriões. D’Alessandro, em especial, queria jogo. O camisa 10, aos 38 anos, parece consciente de que esta pode ser a última chance de conquistar a Libertadores. Já tinha ido muito bem em Montevidéu e desta vez gastou a bola. Acertou passes e lançamentos com uma naturalidade impressionante, além de se entregar a todo o momento. Faltou mesmo só deixar o seu gol.

A melhor chance do craque se deu aos 13 minutos. Em contra-golpe, tinha opções de passe, mas decidiu avançar e bateu com capricho de fora da área. A bola saiu ao lado da meta. Logo depois, o Inter construiu sua jogada mais bonita, numa troca de passes maravilhosa, que contou com a participação de D’Alessandro e Edenílson. Guerrero, que também tinha dado um toque estonteante, acabaria chutando em cima de Mejía. O Nacional parecia mero espectador na partida. Travados pela segurança defensiva do Inter, os tricolores sequer ameaçaram Marcelo Lomba. E, com o passar dos minutos, perderam as esperanças de uma virada, tornando-se meros coadjuvantes ao baile colorado. A fluidez era um ponto forte dos gaúchos, velozes e precisos em suas transições ao ataque.

Sob mais aplausos que vaias, Nico López saiu reconhecido por uma atuação na qual não acertou, mas se esforçou bastante. Rafael Sóbis veio do banco, assim como Nonato, que entrou bem e contribuiu à ofensividade. Em mais uma jogada de D’Alessandro, o garoto ficou próximo de ampliar, mas chutou para fora. O próprio Sóbis quase marcou em chute cruzado que também foi sem direção. O Nacional, no máximo, furou bisonhamente a chance do empate na pequena área. Àquela altura, o fim da partida parecia servir mesmo para desfrutar um pouco mais de D’Ale, com direito a chapéu, antes que o camisa 10 saísse ovacionado para dar lugar a Wellington Silva.

E, num restinho de gás, o placar ficou bem mais justo no último minuto. Guerrero fechou a contagem aos 49, premiando também a sua boa partida, com o trabalho incansável como pivô abrindo os espaços. O tento teve origem em um contragolpe. A jogada puxada por Edenílson pela esquerda teve continuidade com Rafael Sóbis, até que o artilheiro recebesse livre pela direita. Diante da abertura, ele não costuma desperdiçar, e chutou firme na saída de Mejía. Um gol que coroava a noite de festa no Beira-Rio.

De todos os times classificados até o momento na Copa Libertadores, nenhum deles avançou com a autoridade do Internacional. A atuação em Montevidéu já serviu para animar a torcida. E a exibição em Porto Alegre, mais pela forma do que pela diferença na contagem, reforça a confiança rumo às quartas de final. Se dentro de seu campo os colorados costumam ser um time  duríssimo, desta vez mostraram que também podem encher os olhos. D’Alessandro com a batuta orienta o caminho, para encarar Emelec ou Flamengo na próxima etapa.