O Arsenal acumulou algumas apostas frustradas ao longo dos últimos anos. Jogadores que chegaram ao Estádio Emirates sob expectativas e, depois de algum tempo compondo os problemas do clube, saem distantes do mesmo prestígio. Henrikh Mkhitaryan se torna mais um a engrossar essa lista. O armênio se juntou aos Gunners em negócio de ocasião, é verdade, depois de não emplacar no Manchester United e entrar como contrapeso na transferência de Alexis Sánchez. Mesmo assim, as esperanças de um ressurgimento do meia em Londres logo caíram por terra. Se na semana passada Sánchez saiu pela porta dos fundos em empréstimo à Itália, o mesmo caminho será seguido por Mkhitaryan. Nesta segunda, ele foi anunciado como reforço da Roma até o final da temporada, por €3 milhões.

Quando aguardava-se que Mkhitaryan recobrasse o protagonismo no Arsenal, após sua morna estadia no Manchester United, o armador teve números tão modestos quanto no Emirates. Não lembrou mais o jogador criativo e decisivo dos tempos de Borussia Dortmund ou Shakhtar Donetsk. Seus primeiros meses em Londres não foram tão ruins, embora também não oferecessem um jogador com tantos diferenciais. Ao final, o excesso de lesões minaram o espaço do armênio, ao mesmo tempo em que parecia não se encaixar no ritmo de jogo dos Gunners. Pouco utilizado por Unai Emery neste começo de temporada, embora tenha entrado no último clássico contra o Tottenham, escolheu um novo rumo. E também não terá vida simples na Roma.

Aos 30 anos, Mkhitaryan entra em um momento da carreira no qual não há muitas perspectivas de crescimento. Até por suas limitações físicas, a tendência é que sua queda esteja próxima. As expectativas se concentram na maneira como poderá se reencontrar em uma nova liga e em uma equipe que se reconstrói. A intensidade de jogo menos intensa da Serie A é um fator a seu favor. Além do mais, pode se adaptar em diferentes posições. Paulo Fonseca começou a temporada com uma trinca extremamente jovem no apoio a Edin Dzeko, formada por Justin Kluivert, Nicolò Zaniolo e Cengiz Ünder. O time ainda não venceu e o armênio oferecerá um equilíbrio maior nas possíveis formações.

O empréstimo de um ano confere poucos riscos à Roma. A necessidade de render e se reencaixar fica nas mãos de Mkhitaryan. Há outros veteranos em dívida no elenco, e Javier Pastore poderá ser um concorrente direto ao novo contratado neste sentido. Em uma equipe que soa como uma incógnita pelas mudanças e pela falta de rodagem, o novo camisa 77 precisará chamar a responsabilidade um pouco mais para si e redescobrir seu talento. Pode ser uma referência, mesmo que seu passado recente ofereça poucas garantias.

“É uma grande oportunidade para começar um novo capítulo, com um grande clube. Eu sei o que a Roma significa e tenho certeza que podemos alcançar grandes conquistas juntos”, declarou o meia, durante sua apresentação. Já o diretor esportivo Gianluca Petrachi deu as boas vindas ao novo atleta: “Henrikh se encaixa em nosso desejo de adicionar jogadores ao elenco que possam servir de exemplo aos mais jovens e que possuam qualidade técnica para se ajustar ao futebol da Serie A”.

De uma forma geral, a Roma apostou mais na manutenção de jogadores do que em contratações bombásticas. O investimento principal foi realizado em Leonardo Spinazzola, Pau López, Amadou Diawara e Bryan Cristante. No mais, a diretoria se voltou ao empréstimo de atletas, muitos deles com viés de baixa. Enquanto Jordan Veretout e Gianluca Mancini foram boas aquisições nesta estratégia, ambos em ascensão, a dúvida se torna maior ao redor de peças rodadas como Davide Zappacosta, Nikola Kalinic e Chris Smalling. Mkhitaryan entra neste último grupo. A desconfiança resiste, e o armênio precisará encará-la. As expectativas mais contidas desta vez podem ajudá-lo a não se queimar rapidamente.