Não é de hoje que o Lyon possui um elenco bastante promissor, sob a expectativa de reduzir as distâncias na Ligue 1 e também protagonizar boas campanhas continentais. Os Gones se mantiveram no pelotão inicial na França ao longo dos últimos anos, assim como chegaram a uma semifinal de Liga Europa. Porém, o momento mais relevante acontece quando menos se esperava. Numa temporada em que o clube atravessou momentos bem difíceis e terminou em uma posição intermediária no Campeonato Francês, acaba eliminando a Juventus e chegando às quartas de final da Champions League.

No papel, de fato, o Lyon não é time para a campanha cambaleante que fez na Ligue 1. Os Gones começaram muito mal com Sylvinho e temeram o rebaixamento. Conseguiram dar uma guinada com Rudi García, mas ainda assim insuficiente para alcançar a zona de classificação às copas europeias. A antecipação do final da temporada também encurtou o caminho e o clube não terá uma importante fonte de receitas, fora até da Liga Europa em 2020/21. Mas, nestes últimos dias, a equipe abraçou o papel de franco-atirador.

O Lyon pode estar sem ritmo de jogo, mas fez o suficiente para bater de frente com adversários bem mais renomados. Quase desbancou o Paris Saint-Germain na final da Copa da Liga Francesa, com uma boa atuação defensiva. Ficou o lamento pela taça que escapou nos pênaltis. Contra a Juventus, ao menos, a estratégia deu certo. Não foi uma partida individualmente brilhante dos jogadores dos Gones. Em compensação, coletivamente a equipe funcionou e travou a Velha Senhora, que já não vinha muito bem. Os dois pênaltis mal marcados movimentaram o placar e a insistência de Cristiano Ronaldo não foi suficiente para diluir a vantagem que se criou pelos gols fora de casa. A classificação ficou com os azarões.

Rudi García é um treinador experiente, que pode dar conta do peso dos compromissos. O elenco também possui jogadores capazes de decidir na base do talento, sobretudo Memphis Depay. Bruno Guimarães e Houssem Aouar formam uma excelente parceria no meio-campo, enquanto o capitão Marcelo renasceu após a perseguição da torcida e foi o melhor em campo contra a Juve. Por fim, o goleiro Anthony Lopes merece um pouco mais de consideração por sua capacidade, inclusive pelo histórico de grandes atuações em competições continentais. Bem armado, pode ser um adversário chato de se enfrentar.

Esta já é a melhor participação do Lyon na Champions desde 2009/10. Na ocasião, a equipe eliminou Real Madrid e Bordeaux, antes de cair na semifinal contra o Bayern. Como agora, aquela já não era a melhor fase dos Gones, que encerraram seu heptacampeonato nacional duas temporadas antes. Se este momento do clube não é tão vitorioso, ao menos guarda uma classificação para ser exaltada pelos torcedores.

O chaveamento, contudo, não é nada benevolente com o Lyon. O Manchester City deve oferecer um grau de exigência muito maior à concentração do time e à sua capacidade de fechar os espaços. É um adversário com mais alternativas que o PSG e em fase melhor que a Juventus. O fato de ser apenas uma partida e em campo neutro aumenta as chances de uma surpresa. Para tanto, os franceses precisarão de muita abnegação e uma pitada de inspiração. E não será a possível queda, afinal, que apagará o feito de ter encerrado mais cedo a campanha do eneacampeão italiano.