A Supercopa da Espanha tem ares de torneio amistoso, por mais que seja referendada pela federação espanhola. E a segunda semifinal do torneio realizado na Arábia Saudita, entre Atlético de Madrid e Barcelona, foi um jogo maluco que não seguiu grandes lógicas em seu desfecho. Após o primeiro tempo zerado, a etapa complementar guardou duas viradas. O Atleti abriu a contagem com um gol-relâmpago, mas Messi chamou a responsabilidade para si e comandou a virada do Barça. Claramente superiores, os blaugranas tiveram dois tentos anulados pelo VAR. E isso fez toda a diferença para a reação colchonera no fim. Maltratando os catalães nos contragolpes, o time de Diego Simeone provocou outra reviravolta no marcador e encerrou com o triunfo por 3 a 2. Irá disputar a decisão contra o Real Madrid, numa final de Supercopa sem os dois campeões da temporada anterior.

Durante um primeiro tempo de poucas emoções, o Atlético de Madrid fazia o trabalho de congestionar a entrada de sua área e travar o Barcelona. Os colchoneros até chegaram vez ou outra nos minutos iniciais, mas os blaugranas cresceriam a partir dos 20 e encontrariam mais espaços. Jan Oblak trabalhou bem. O goleiro realizou uma defesa com os pés em chute de Lionel Messi, antes de salvar conclusões de Antoine Griezmann e Luis Suárez pouco antes do intervalo. Em algumas trocas de passes em velocidade, o Barça descobria as brechas. Já o Atleti raramente assustava, como em falta venenosa de Héctor Herrera que Neto tirou com um soco.

Na saída para o intervalo, houve mesmo um desentendimento entre os jogadores, quando Messi e João Félix bateram boca. E a partida esquentaria de vez no segundo tempo. Koke saiu do banco e, logo aos 20 segundos de bola rolando, abriu o placar para o Atlético. A defesa do Barcelona parecia um tanto quanto desatenta e os colchoneros viram um clarão na faixa central. Ángel Correa serviu e Koke não teve problemas para tirar do alcance de Neto. Ao menos, o Barça não demorou a reagir. O empate veio aos seis minutos, com Messi. Suárez ajeitou ao camisa 10, que ganhou a dividida e chutou forte no canto, longe do alcance de Oblak.

O Barcelona seguiu melhor e partia para cima do Atlético. Oblak voltaria a ser exigido, parando as tentativas de Messi e Griezmann. Já aos 13 minutos, Messi anotaria outro lindo tento, que acabaria anulado por causa de um toque em seu braço na construção da jogada. Nada que retardasse a virada, consumada aos 16. Jordi Alba cruzou e Suárez cabeceou para uma defesa à queima-roupa de Oblak. Todavia, Griezmann apareceu livre no rebote e não teve dificuldades para balançar o barbante. A superioridade do Barça era clara e só não se tornava mais ampla por causa de Oblak, que voltou a negar o tento de Suárez com ótima intervenção.

Diego Simeone colocou o time para frente, ao trocar Renan Lodi por Vitolo. Já o Barcelona lamentava os gols anulados. Pela segunda vez, o VAR flagrou uma irregularidade e negou o tento aos blaugranas. Aos 28, Gerard Piqué apareceu na área para emendar a bola escorada por Arturo Vidal, mas o chileno estava centímetros impedido. E o Atleti cresceu depois disso. Com espaço para contra-atacar, os rojiblancos davam muito trabalho à zaga barcelonista em suas arrancadas em velocidade. Assim, conquistaram a vitória.

O primeiro aviso aconteceu aos 31 minutos, em lance de Correa que Neto salvou, por mais que o argentino estivesse impedido. Logo depois, Neto cometeu pênalti sobre Vitolo. Álvaro Morata assumiu a cobrança e empatou o placar. Os colchoneros até reclamaram de um segundo pênalti, mas o árbitro não assinalou o toque no braço de Piqué. De qualquer maneira, a nova virada sairia. Aos 40, em mais um contragolpe, Morata entregou linda bola para Correa e o argentino finalizou na saída de Neto. O goleiro espalmou a bola, que acabou espirrando para dentro. No fim, Ernesto Valverde trocou Frenkie de Jong por Ansu Fati, mas a melhor chance foi mesmo do Atlético. Marco Llorente saiu de frente para o crime e Neto salvou. O Barcelona sucumbiu.

O Atlético de Madrid não teve uma boa atuação na Arábia Saudita. Oblak fez toda a diferença para a equipe e os gols anulados também respondem bastante ao destino positivo dos colchoneros. Em compensação, o time de Diego Simeone cresceu na hora certa e soube definir o placar quando preciso. Pior ao Barcelona, que deixou de jogar no fim e sofreu a eliminação justamente no momento em que a semifinal parecia em suas mãos. E, por tudo o que se viu nestes primeiros jogos, o favoritismo na decisão recai sobre o Real Madrid. O time de Zidane demonstra mais recursos para o dérbi da finalíssima, marcado para este domingo.