A temporada não terminou da maneira como o Wolverhampton esperava, ao ficar a uma posição da zona de classificação às copas europeias na Premier League. Assim, aproveitar a Liga Europa se fazia mais do que necessário ao time de Nuno Espírito Santo. O compromisso nas oitavas não era tão simples, contra o Olympiacos que já tinha sido o algoz do Arsenal. E, depois do empate por 1 a 1 na Grécia, os Lobos comemoraram a classificação no Estádio Molineux. Foi uma partida bastante difícil aos ingleses, em que o goleiro Rui Patrício operou ao menos dois milagres. Já do outro lado, apesar das boas chances, um pênalti juvenil cometido pelo goleiro adversário permitiu que Raúl Jiménez confirmasse a vitória por 1 a 0.

Firme desde os primeiros minutos, o Wolverhampton logo desenhou sua vitória. Raúl Jiménez levou perigo no primeiro ataque, em arremate que passou perto da trave. E o gol sairia aos oito minutos, graças a uma pixotada do goleiro Bobby Allain. O arqueiro errou um domínio e derrubou Daniel Podence num lance desnecessário. Jiménez converteu a cobrança com categoria. E o segundo gol quase veio em outra falha de Allain. O goleiro caçou borboleta e Jiménez escorou para as redes, mas a arbitragem assinalou uma falta mínima no arqueiro do Olympiacos.

Não demoraria para que o Olympiacos também reagisse. Rui Patrício foi convocado ao milagre com 20 minutos, salvando com a ponta dos dedos a batida de Konstantinos Tsimikas rente à trave. Já aos 28, os gregos também teriam um gol anulado. Mady Camara aproveitou a jogada de Yossef El-Arabi e chutou da entrada da área para vencer Rui Patrício, mas o companheiro estava impedido na construção, em infração só flagrada pelo VAR. Os alvirrubros seguiram melhores até o intervalo e incomodavam, ainda que Jiménez quase tenha anotado uma pintura por cobertura, em linda tentativa de letra que passou por cima da meta adversária.

O Olympiacos voltaria ao segundo tempo em busca da pressão, enquanto o Wolverhampton tentava esfriar a partida e cadenciar um pouco mais o ritmo. Era um embate aberto, em que os gregos tinham mais iniciativa e os ingleses buscavam os espaços para contragolpear. E os donos da etapa complementar seriam os goleiros. Allain se redimiu com duas grandes defesas, ao buscar um chute no alto de Podence e se agigantar diante de Diogo Jota no mano a mano. Já do outro lado, enquanto os alvirrubros insistiam e a defesa se desdobrava para travar, Rui Patrício virou o herói da classificação.

Ao longo do segundo tempo, o Olympiacos criou diversas boas chances. El Arabi, em especial, incomodava a marcação do Wolverhampton. Faltava acertar os arremates. E, aos 35, quando Koka desferiu uma cabeçada potente de dentro da área, Rui Patrício estava lá para realizar outra defesa inacreditável, à queima-roupa. Depois disso, os alvirrubros tentaram pressionar, mas os Lobos negavam os espaços – mesmo sentindo o desgaste físico. Além do mais, o time de Nuno Espírito Santo até conseguiu gastar o tempo no campo de ataque. Sem criatividade, os gregos não aproveitariam muito os longos acréscimos. No máximo, Omar Elabdellaoui acertou o lado de fora da rede.

O Olympiacos termina a Liga Europa com uma campanha digna, em que bateu de frente com dois times da Premier League. O Wolverhampton, entretanto, é quem ganha o direito de seguir escrevendo uma belíssima história na competição continental. Os Lobos disputarão as quartas de final de um torneio da Uefa pela quarta vez, mas desde 1971/72 que não vão tão longe. E terão um teste de fogo nas próxima etapa, ao se encontrarem com o Sevilla. O cansaço dos ingleses é um ponto importante, diante da exigência da Premier League e de uma temporada que começou ainda nas preliminares da Liga Europa. Mas, se quiserem mesmo protagonizar uma façanha, encarar o maior campeão do torneio será chave.