O duelo entre Ajax e Juventus na Liga dos Campeões representa uma ambição do presente, que também reflete o talento do futuro. O elenco dos Godenzonen é repleto de jogadores prontos a se reivindicarem como craques – como David Neres provou com sua pintura. Da mesma maneira, a Velha Senhora possui os seus jovens em ascensão. E a partida em Amsterdã guardou um duelo particular na faixa central, entre dois prodígios de enorme capacidade. Frenkie de Jong e Rodrigo Bentancur estiveram entre os melhores em campo, mesmo travando uma ferrenha batalha para saber quem dominaria a meia-cancha.

De certa maneira, De Jong prevaleceu. Não apenas porque o Ajax foi melhor na partida, apesar do empate no placar, mas também porque exerceu enorme influência na forma de atuar da sua equipe. “Completo” é um adjetivo que cabe muito bem ao versátil meio-campista, já negociado com o Barcelona. “Completa” também define a participação do garoto na noite, fazendo um pouco de tudo para conduzir os Godenzonen. Seu papel na marcação foi essencial, sobretudo ao executar um carrinho soberbo em contra-ataque puxado por Federico Bernardeschi. Além do mais, executou a distribuição de jogo com inegável excelência. As construções de jogadas dependiam do carimbo do camisa 21, pronto para pensar o jogo um pouco mais recuado e buscar a melhor opção.

Bentancur não conseguiu ser onipresente como De Jong, mas contribuiu bastante ao funcionamento de seu time. Se a Juventus não jogou tão bem, o meio-campista se salva desta avaliação. Entregou-se na marcação e tentou encarar as intensas investidas do Ajax pelo lado esquerdo do ataque. O uruguaio terminou com sete desarmes, evitando um estrago maior diante da pressão holandesa. E, pontualmente, fez a diferença no placar. A jogada do gol da Juventus dependeu bastante do camisa 30. Ele avançou com a bola e abriu os primeiros espaços na defesa adversária, antes que Cristiano Ronaldo e João Cancelo dessem continuidade ao lance. Sua qualidade para sair jogando valeu demais.

De Jong e Bentancur ainda se encararam em vários momentos do jogo. O uruguaio havia sido designado por Massimiliano Allegri para acompanhar o holandês e conseguia dificultar seu jogo. O problema é que a leitura do prodígio do Ajax também pesou. Soube recuar e se livrar do marcador, também aproveitando-se da liberdade que seu time permite na movimentação. Assim é que se sobressaiu tanto na organização. Se Bentancur fez mais com menos, De Jong foi melhor no todo. Há um repeteco do encontro, no qual apenas um ficará com a classificação.

A disputa particular, além do mais, mostra como o talento na Champions floresce muito além da experiência. Ambos com 21 anos, nascidos com pouco mais de um mês de diferença, jogaram com tamanha personalidade no maior dos palcos. É a confiança de que a técnica sempre vai prevalecer. E, a dois garotos que não sentem o peso da responsabilidade, esta edição do torneio continental já oferece um notável reconhecimento. Quem sabe, a se ampliar também nas semifinais.