Não existe Palmeiras x Corinthians “tranquilo”. O coração acelerado está na essência do clássico. E, definitivamente, o Dérbi deste sábado seria aflorado, ainda mais pelo momento decisivo do Brasileirão. Os alviverdes jogavam não apenas para confirmar sua superioridade em relação aos rivais, mas também para encurtar as distâncias para o Flamengo. Os corintianos, por sua vez, queriam colocar a água no chope dos oponentes, quem sabe para dar mais tranquilidade a este momento de transição e não desgrudar o olho da Libertadores. Ao final, uma enxurrada de emoção, sobretudo nos acréscimos. Os palmeirenses abafaram o segundo tempo todo e pareciam prontos à vitória. Quase sofreram a derrota no fim. Mas foi o empate por 1 a 1 que prevaleceu, favorável aos corintianos, ainda que o sorriso seja dos demais concorrentes.

Na impossibilidade de atuar no Allianz Parque, onde acontece um festival de música, o Palmeiras mandou o jogo no Pacaembu e levou 36 mil pessoas ao Municipal. Empurrado pela torcida, o time de Mano Menezes tinha a obrigação e o favoritismo de vencer. Demonstrou tal postura, ainda que os 45 minutos iniciais, de poucas emoções, tenham sido marcados pelo equilíbrio.

O Corinthians, afinal, começou indicando as suas novas ideias sob as ordens de Coelho. Os alvinegros marcavam em cima e davam trabalho aos palestrinos, jogando de igual. Era uma postura interessante das equipes, tratadas como retranqueiras nos últimos tempos, mas dispostas a jogar. O problema era acertar. Os dois times não encaixavam muitas jogadas ofensivas. Os corintianos começaram tentando primeiro, os alviverdes responderam depois, mas a verdade é que nenhum dos rivais estava com o pé calibrado. Uma cabeçada de Boselli e um chute para fora de Gustavo Scarpa foram as melhores chances, nada muito impressionante. Mas o cenário começava a se desenhar, com os palmeirenses exibindo mais iniciativa. Cresceram aos poucos e limitaram os adversários aos contragolpes ainda na etapa inicial.

O jogo de um lado só começaria a partir do segundo tempo, quando o Corinthians fechado lembrou mais o de Fábio Carille. Um prenúncio das dificuldades veio logo no primeiro minuto, em lateral bobo cedido por Walter. O goleiro se redimiu, com uma defesaça em cabeçada à queima-roupa de Deyverson. Seria praticamente um monólogo do Palmeiras durante minutos, com o goleiro corintiano evitando o pior. Logo depois, Walter se esticaria outra vez para frustar Deyverson, buscando uma bola no cantinho.

O Palmeiras tinha muito mais volume de jogo e empurrava o Corinthians contra sua área. Naturalmente, as chances de gol surgiam. Coelho tentou mudar a equipe com Clayson e Mateus Vital, o que não faria muito efeito. A provação era enorme aos corintianos. O time de Mano Menezes insistia e Deyverson teria mais um bom lance, ao bater para fora. Desde o primeiro tempo, Dudu era a cabeça pensante dos alviverdes, e ganharia o apoio outros coadjuvantes com o passar dos minutos. Logo Mano também mexeria, com as entradas de Willian e Borja. O colombiano daria mais gás. E pouco depois, aos 28, o árbitro marcaria pênalti por toque no braço de Manoel. Era a grande oportunidade dos palestrinos.

Walter, entretanto, vivia mesmo uma noite inspirada. O goleiro reserva quase sempre corresponde quando precisa substituir Cássio. Já tinha sido assim no meio da semana, ao contribuir bastante na vitória sobre o Fortaleza. E salvaria a pele do Corinthians nos 11 metros, diante de Gustavo Scarpa. O meia bateu ao lado esquerdo, nem tão colocado, e o arqueiro se antecipou para espalmar. Restavam ainda mais 20 minutos e o Palmeiras estava no fio da navalha em busca da vitória.

Coelho foi ousado o suficiente ao trocar Ramiro por Vágner Love, mas não evitou a saraivada do Palmeiras nos minutos seguintes. Os alviverdes tentavam, e tentavam, e tentavam. Borja era quem mais levava perigo. Teve uma finalização que passou muito perto do travessão e um passe de Dudu que não conseguiu alcançar. Já aos 44, a certeza de que a sorte não estava ao lado do Palmeiras. Depois de uma cobrança de falta perigosa, Willian ajeitou a sobra para Bruno Henrique e o capitão carimbou a trave. O pior estava por vir.

Num raríssimo ataque do Corinthians no segundo tempo, já durante os acréscimos, Love foi travado pela zaga. Escanteio. A bola na área não deu frutos, mas o rebote ficou com Michel Macedo, que se livrou de dois. E poucos imaginavam que o lateral seria tão feliz no arremate, com um tirambaço cruzado que Weverton não teve como salvar. Pintura. Por mais dominante que o Palmeiras fosse, não sairia com os três pontos. Mas o lamento não significou que os alviverdes se entregassem. Dois minutos depois, aos 48, saiu o empate.

A jogada nasceu em uma cobrança de escanteio. Dudu mandou a bola na área e, com o cochilo da zaga do Corinthians, Bruno Henrique apareceu livre para emendar o chute forte. Desta vez, não houve Walter ou a trave para brecá-lo. O Palmeiras cresceu e o Pacaembu veio junto, incendiado. A atmosfera vibrante fazia acreditar até mesmo na virada, em longos acréscimos por causa do pênalti. Mas não aconteceu. Apesar da defesa corintiana se enroscar em alguns lances, os palmeirenses não puderam aproveitar. Os rivais só empataram. A vitória do sábado ficou mesmo com Flamengo, sobretudo, além dos concorrentes dos alvinegros ao G-4.

O Palmeiras chega aos 67 pontos, a sete do Flamengo. Os rubro-negros recebem o Bahia no Maracanã neste domingo. Já o Corinthians é o sexto e pode perder seu lugar na zona da Libertadores caso o Internacional bata o Fluminense. Não foi o melhor cenário para ambos, embora os alvinegros saibam muito melhor o valor do empate. A equipe viu a derrota parecer certa em vários momentos, deu uma boa dose de sorte e contou com o seu goleiro. Considerando as diferenças entre os elencos, sai de bom tamanho – ainda mais pelo gosto de frustrar os palmeirenses em sua empreitada pelo Brasileirão. É isso que fica.

Classificações Sofascore Resultados