As torcidas de Athletico Paranaense e Grêmio guardam boas recordações do ano de 1996. Ambos os clubes tiveram desempenhos bastante honrosos no Campeonato Brasileiro. De volta à elite após duas temporadas na Segundona, o Furacão marcou o célebre ataque composto por Oséas e Paulo Rink. Os rubro-negros terminaram a fase classificatória na quarta colocação, mas caíram para o Atlético Mineiro nas quartas de final. Melhor sorte teve o Grêmio, de Jardel e Paulo Nunes. Os tricolores já vinham de um ano prolífico, com o título da Libertadores, e emendaram também o taça da Série A em 1996. Também nessa temporada, pela primeira vez, os caminhos de ambos se cruzaram na Copa do Brasil. O embate então inédito aconteceu pelas oitavas de final e serve de prévia ao que se reviverá nesta quarta-feira decisiva.

O favoritismo estava ao lado do Grêmio, com seu reconhecido copeirismo sob as ordens de Luiz Felipe Scolari. Os tricolores ainda mantinham a base principal que conquistou a Libertadores, encabeçada por Paulo Nunes, Jardel, Adílson, Arce, Danrlei e outros ídolos históricos. Além do mais, outros nomes começavam a ascender no Olímpico, a exemplo do meio-campista Emerson. Àquela altura, também havia chegado Aílton, que meses depois se tornaria o herói do título na conquista do Brasileirão.

O Atlético Paranaense era treinado por ninguém menos do que Emerson Leão naquele início de 1996. E moldava a equipe que deixaria ótima impressão no Brasileirão. Oséas e Paulo Rink formavam a dupla principal, mas apoiados por outros jogadores importantes na Baixada, a exemplo de Ricardo Pinto, Reginaldo e Alex Lopes. Quem também vestia rubro-negro naquela época era o uruguaio Gustavo Matosas, que não deixou marcas tão profundas em Curitiba.

Ainda nos 16-avos de final, o Atlético demonstrou que estava disposto a surpreender. O Furacão despachou o Santos, vice-campeão brasileiro pouco antes. Em partida na qual Giovanni terminou expulso, os rubro-negros encaminharam a classificação no Paraná. Oséas fez dois gols e Paulo Rink completou a conta no triunfo por 3 a 0, que garantiu a classificação junto ao empate na Vila Belmiro. Assim, todo cuidado era necessário ao Grêmio, mas os tricolores souberam se impor.

O Grêmio conseguiu arrancar o empate por 1 a 1 dentro da Baixada. E até saiu em vantagem, com um belo gol aos quatro minutos. Carlos Miguel mandou um míssil de fora da área, sem dar chances a Ricardo Pinto. Foi apenas antes do intervalo que o Furacão reagiu. Andrei marcou em mais uma batida de média distância, que desviou no meio do caminho e contou com a colaboração de Danrlei. Já na definição da vaga, dentro do Olímpico, os gremistas provaram sua superioridade.

A vitória do Grêmio por 3 a 0 aconteceu pouco depois que o time retornou do Japão, onde havia derrotado o Independiente na Recopa Sul-Americana. E a “Lei do Ex” esteve a toda em Porto Alegre. Os três gols tricolores foram anotados por Adílson. Depois de um primeiro tempo truncado, o zagueiro converteu três pênaltis e permitiu a contagem larga. Saiu de campo ovacionado pela torcida gaúcha. Não que o Atlético tenha sido mero espectador no duelo, chegando a acertar a trave quando a vantagem era mínima. Entretanto, a precisão do capitão gremista na marca da cal foi decisiva. O time de Felipão cairia nas semifinais daquela Copa do Brasil, contra o Palmeiras.

Já o Atlético Paranaense teria sua revanche cinco meses depois, na fase de classificação do Brasileirão. Sem piedade, os rubro-negros derrotaram os gremistas por 3 a 1 na Baixada. Evaristo de Macedo era o comandante atleticano naquela época e o time havia recebido reforços, incluindo os poloneses Piekarski e Nowak. Já o Grêmio não contava mais com Jardel, negociado com o Porto e substituído pelo atacante Saulo naquela noite.

O poderio do Furacão no jogo aéreo fez estrago contra a defesa tricolor e assim nasceram os três gols. Paulo Rink abriu o placar no primeiro minuto e, depois de algumas boas oportunidades desperdiçadas pelos gaúchos, o próprio “alemão” ampliou. Na etapa complementar, aproveitando a segunda assistência de Alberto Valentim, Oséas deixou o dele. O Grêmio ainda teve Roger Machado e Carlos Miguel expulsos, antes que Paulo Nunes descontasse. Curiosamente, os dois times faziam campanhas modestas na competição àquela altura, na oitava rodada. Só depois embalariam à zona de classificação e aos mata-matas.

Desde então, Atlético Paranaense e Grêmio se encararam em três oportunidades distintas pela Copa do Brasil. O Furacão levou a melhor nas semifinais de 2013, enquanto o Grêmio seguiu em frente nas oitavas de 2016 e nas quartas de 2017 – a primeira, em ocasião especial também por marcar o início da atual passagem de Renato Portaluppi. O comandante tentará fazer valer o favoritismo na Baixada, após a vantagem garantida no jogo de ida.