Paris é uma festa. E mesmo em uma partida sem tanto interesse à tabela da Ligue 1, o Paris Saint-Germain conseguiu movimentar ao máximo a noite na capital. A vitória por 4 a 3 sobre o Bordeaux foi cheia de acontecimentos, não apenas pelas sete vezes em que as redes balançaram. Dentro de campo, o mais feliz era Cavani, maior artilheiro da história do clube, que alcançou a marca de 200 gols. Marquinhos também se daria bem, com dois tentos, enquanto Thiago Silva saiu lesionado. Já Neymar ficou sob os holofotes não pelos motivos devidos. O camisa 10 foi um dos melhores em campo, mas, depois de sofrer uma falta dura, revidou e terminou expulso. Surge uma discussão desnecessária, em uma semana já turbulenta ao PSG.

Antes do jogo, o clima no Parc des Princes já não era tão leve. A torcida vaiou o anúncio de Thomas Tuchel no telão. Difícil saber o motivo exato: se foi pelas péssimas escolhas do técnico contra o Borussia Dortmund na Champions, pela briga que teve com Icardi ao barrá-lo da equipe ou pelas rusgas públicas com os jogadores após suas últimas festas. Fato é que a situação não favorece o alemão. Além disso, também surgiram faixas cobrando um maior compromisso dos atletas e os comparando com craques do passado que “honravam a camisa” – como Antoine Kombouaré, David Ginola e Raí.

Durante os primeiros minutos, o PSG dominava amplamente a partida, até perder Thiago Silva, que se lesionou fora do lance. A atenção da equipe pareceu se perder após a saída do zagueiro e o Bordeaux abriu o placar logo na sequência, aos 17. Após cobrança de escanteio, Hwang Ui-jo cabeceou sozinho na linha da pequena área. Os parisienses, ao menos, não demoraram a responder. Benoît Costil negou a primeira tentativa de Edinson Cavani, mas nada pôde fazer quando Ángel Di María executou um cruzamento perfeito. Cabeçada de manual do uruguaio, que celebrou bastante seu tento de número 200.

A partida se abriu ao PSG a partir de então. Cavani quase anotou um gol fantástico, em desvio de letra que bateu na trave. Depois, Costil salvaria o tento de Kylian Mbappé. Com Neymar se encarregando da armação, os parisienses perdiam várias chances. A virada só saiu nos acréscimos, em falta cobrada por Di María que Marquinhos desviou meio sem querer no meio do pagode. Todavia, o Bordeaux empatou antes mesmo do intervalo. Sergio Rico foi rifar uma bola e carimbou Pablo, num lance cômico do arqueiro.

Sergio Rico quase entregou o ouro de novo no início do segundo tempo, ao furar um chute dentro da área, mas Marquinhos salvou sua pele. O goleiro se redimiu ao espalmar uma cabeçada de Pablo. E a tranquilidade ao PSG viria com 18 minutos, em mais uma bola parada. Cavani parou em Costil, mas não Marquinhos, que completou quase em cima da linha e retomou a vantagem aos parisienses. O time da casa martelava, até marcar o quarto aos 23. Mbappé tabelou com Cavani e recebeu de volta o presente, para emendar às redes vazias. O uruguaio ainda desperdiçaria uma ótima chance, pouco antes de ser substituído por Mauro Icardi. Saiu de campo aplaudidíssimo.

O jogo parecia resolvido quando o Bordeaux ressurgiu das cinzas aos 38. Numa sobra de bola na meia-lua, Rubén Pardo pegou de primeira e mandou um míssil na gaveta de Sergio Rico, sem qualquer chance de defesa. Golaço. Os girondinos pareciam acreditar no empate, até que tivessem um banho de água fria em tento de Icardi, mesmo anulado logo depois. E quando a situação parecia contornada pelo PSG, só aguardando o apito final, eis que Neymar voltou às manchetes.

Neymar foi inicialmente vítima no lance. O camisa 10 foi jogado no gramado por Youssouf Sabaly e o árbitro deixou por isso mesmo, assinalando apenas a falta. Na retomada da partida, o brasileiro revidou com uma entrada dura em Yacine Adli e recebeu o segundo amarelo. Podia ter se contido, mas há um contexto além do destempero. Na saída de campo, Neymar saiu aplaudindo ironicamente o quarto árbitro – o que pode render um gancho maior. Mesmo sem gol ou assistência, o craque fez uma boa apresentação. Apresentou-se bastante, criou jogadas aos companheiros e bagunçou a defesa do Bordeaux com seus dribles. O que vende, contudo, são as polêmicas.

Já depois da partida, Cavani voltou ao centro das atenções: o PSG organizou uma homenagem pelos 200 gols. O centroavante ganhou um troféu e um palco foi armado no círculo central, antes que o uruguaio desse uma volta olímpica. Os 200 tentos de Cavani estão divididos por sete temporadas e 298 jogos. Foram 138 tentos pela Ligue 1, 32 pelas copas nacionais e 30 pela Champions. O centroavante arrebatou a artilharia do Francesão duas vezes. Segundo maior goleador da agremiação, Zlatan Ibrahimovic somou 156 tentos em sua passagem por Paris.

O Paris Saint-Germain volta a vencer após o empate da rodada passada e chega aos 65 pontos na Ligue 1, 13 de vantagem sobre o vice-líder Olympique de Marseille. Com seu gol, Mbappé se igualou a Wissam Ben Yedder na artilharia, ambos totalizando 16 tentos. Já o Bordeaux é o 12° colocado, a oito pontos da zona à Liga Europa.

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