A Argentina tem cinco clubes considerados grandes. Boca Juniors e River Plate são os mais populares e campeões nacionais. Independiente tem o recorde de títulos da Libertadores. O Racing foi a maior potência do amadorismo e era o time preferido de Juan Domingo Perón. E o San Lorenzo? Bem, o San Lorenzo era o único que nunca havia conquistado a Libertadores. Mas agora a torcida do Ciclón já tem do que se gabar sobre todos os rivais: é o time do papa.

Jorge Bergoglio, desde esta quarta conhecido como Papa Francisco, é torcedor declarado dos Corvos. E não é uma torcida tão discreta. Seu pai foi jogador de basquete do clube e ele frequentava o estádio Gasómetro na infância. Sua equipe preferida era a de 1946, que conquistou o terceiro título do clube na era profissional. O ataque daquele time tinha Armando Farro, René Pontoni e Rinaldo Martino, que ficaram conhecidos como “Terceto de Oro”.

Nas festividades do centenário do San Lorenzo, o então cardeal de Buenos Aires ganhou um título de sócio (veja abaixo a imagem da carteirinha, divulgada pelo próprio clube). Além disso, foi convidado para celebrar a missa no dia do 100º aniversário da instituição.

A relação de Bergoglio com o San Lorenzo vem de família, mas envolve uma curiosa coincidência: um padre teve participação decisiva na fundação do clube, e acabou homenageado na escolha do nome da equipe.

Na primeira década do século passado, um grupo de garotos jogava futebol nas ruas do bairro de Almagro. Um dia, um deles quase foi atropelado por um bonde. O padre local, Lorenzo Massa, viu a cena e ofereceu os jardins da igreja, desde que os jovens frequentassem a missa aos domingos. O grupo aceitou.

Em 1º de abril de 1908, os garotos resolveram oficializar a criação de um clube. O nome seria Forzozos de Almagro, como a equipe já se chamava na época dos jogos de rua. No entanto, o Padre Lorenzo não gostava. A segunda opção foi San Lorenzo, em homenagem ao padre que ajudou a consolidação do time. O padre participava da reunião e achou desnecessário, mas foi convencido ao dizerem que também servia de homenagem a São Lourenço de Roma e à Batalha de São Lourenço, uma das mais importantes para a independência da Argentina.

O San Lorenzo hoje vive uma péssima fase. Ameaçado de rebaixamento, enterrado em dívidas. Quem sabe se ter um torcedor como papa não ajuda ao renascimento do clube que surgiu com a participação de um padre.

Cartão de sócio de Francisco I no San Lorenzo
Cartão de sócio do Papa Francisco no San Lorenzo (Foto: Divulgação)