Nova safra de jovens talentos do Lyon pede passagem, e você deve ficar de olho nela

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Apesar da surpreendente campanha semifinalista na última Champions League, o Lyon vive um momento de incerteza. Tendo terminado na 7ª colocação da Ligue 1 2019/20, reclamando com alguma razão do fim antecipado da competição, a equipe está, pela primeira vez desde 1996/97, fora de torneios continentais. A falta de Liga dos Campeões significa que alguns dos principais jogadores do elenco podem estar de saída, e a sensação é de fim de ciclo.

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Em meio às incógnitas, alguns elementos parecem ser cada vez mais certos. Tradicionalmente um clube recheado de jovens valores, o Lyon tem em seu atual elenco três nomes para o futuro que começam a se fazer presentes já no atual momento e pedem passagem. Um deles, Maxence Caqueret, já atingiu a condição de titular, enquanto os outros dois, por meio de suas boas aparições nos poucos minutos que ganharam até aqui, vindos do banco, fazem a torcida clamar por sua implementação nos onze iniciais: Melvin Bard e Rayan Cherki.

Comecemos por Caqueret. O meio-campista, de 20 anos, talvez dispense apresentações se você assistiu com atenção aos jogos do Lyon na reta final da Champions League passada. Àquela altura, o garoto acabara de se estabelecer como um dos nomes de confiança do técnico Rudi Garcia. Tendo estreado como profissional em janeiro de 2019, ainda sob as ordens de Bruno Génésio, passou a entrar na rotação da equipe lyonnaise apenas na temporada 2019/20, já com Garcia no comando, após passagem relâmpago de Sylvinho entre os dois.

Caqueret teve sua inserção na equipe facilitada pela lesão de Jeff Reine-Adélaïde em dezembro de 2019, mas, mesmo após a recuperação do companheiro que havia sido contratado do Angers, manteve seu espaço no time graças ao nível altíssimo apresentado até então. Sua posição hoje é tão confortável, formando dupla de meio-campistas com Bruno Guimarães, que Reine-Adélaïde, em declaração controversa, afirmou ver seu futuro próximo longe do clube.

Contra Juventus e Manchester City, e até na eliminação para o forte Bayern de Munique, na semifinal, Caqueret foi uma das boas notícias ao Lyon. Mesmo tão jovem, joga com tranquilidade no meio de campo, ditando o ritmo da equipe, distribuindo passes de qualidade e posicionando-se de forma inteligente não só para receber passes, mas também para fechar espaços adversários e lutar pela segunda bola. Tudo isso potencializado por uma distinta habilidade com a bola nos pés, usando dribles curtos para manter a posse. É um excelente sinal aos lyonnais que Caqueret possa ter mostrado tudo isso diante de adversários grandes, no mais pesado dos palcos.

Maxence Caqueret, do Lyon (Divulgação)

Melvin Bard e Rayan Cherki, por sua vez, vivem situação diferente. O torcedor do Lyon que acompanha também as equipes de base, à espera dos futuros protagonistas do time principal, há muito tempo tem a dupla como alguns de seus xodós. Cada qual à sua maneira e em sua posição, os dois vêm se destacando há anos no futebol de base, seja pelo Lyon ou pela França, e em seus primeiros momentos como profissionais dão razão para reforçar a expectativa por suas carreiras.

Bard tem 19 anos e atua principalmente como lateral esquerdo, podendo, no entanto, fazer as vezes de meia ou ponta pelo flanco. Em dezembro de 2019, fez sua estreia como profissional, entrando no lugar do brasileiro Rafael em partida contra o Nîmes, pela Ligue 1. Não jogou mais no restante da temporada 2019/20, mas começa a reaparecer neste início de nova campanha. Esteve relacionado para as três rodadas até agora da liga francesa, ficando no banco contra o Bordeaux, pela segunda rodada, e ganhando 11 e 22 minutos, respectivamente, na primeira e terceira jornadas. E foi justamente na última que fez mais barulho.

Melvin Bard em jogo contra o Montpellier (Pascal Guyot/AFP via Getty Images/OneFootball)

Prejudicado por um pênalti questionável e uma expulsão também controversa ainda no primeiro tempo, o Lyon acabou derrotado por 2 a 1 pelo Montpellier na terça-feira (15), gols de Savanier. Entretanto, apresentou um bom futebol na reta final da partida, sobretudo a partir da entrada de Bard e, por fim, Rayan Cherki. O primeiro, em poucos minutos em campo, foi mais perigoso e incisivo que Maxwel Cornet, a quem substituiu na ala esquerda, enquanto Cherki assumiu o lugar de Karl Toko Ekambi.

Rayan Cherki goza de ainda mais prestígio que Bard. Primeiro pela posição em que atua: é um jogador ofensivo e versátil, capaz de jogar em qualquer uma das posições de ataque, mas que mostra o seu melhor como segundo atacante. Assim como Bard, teve apenas cerca de 20 minutos na derrota para o Montpellier, mas infernizou a defesa adversária com seus dribles, conseguindo, em jogada individual, sofrer o pênalti que foi convertido por Depay e que chegou a recolocar o Lyon na briga por ao menos um empate. Contra o Dijon, na rodada de abertura, o garoto também entrou bem, driblando com autoridade e propondo jogo vertical sempre que pegava na bola.

Com 17 anos, que festejou apenas no mês passado, Cherki é considerado um pequeno fenômeno do futebol de base da França. Seus bons momentos neste início de temporada não são as primeiras manchetes que ele consegue como jogador profissional.

Rayan Cherki, do Lyon (Divulgação)

Na campanha passada, ganhando oportunidades na Copa da França, o atacante não se intimidou por jogar contra adultos. Com apenas 16 anos e 140 dias, se tornou o jogador mais jovem a marcar um gol oficial pelo Lyon, na goleada por 7 a 0 sobre o Bourg-en-Bresse. Mais tarde, contra um adversário de primeira divisão, o Nantes, Cherki foi o grande destaque ao marcar dois gols e dar duas assistências em vitória por 4 a 3.

Esse contexto, aliado ao descontentamento com Cornet pela esquerda e Toko Ekambi no ataque, já vinha sendo suficiente para que a torcida do Lyon pressionasse Rudi Garcia a colocar a dupla de garotos como titular. Depois da frustrante derrota para o Montpellier, que teve em Cherki e Bard suas duas únicas boas notícias, isso se intensificou. “É preciso ter merda nos olhos para não ver a diferença desde que Cherki e Bard estão em campo”, resumiu uma conta popular da torcida lyonnaise no Twitter.

O aparente excesso de cuidado de Rudi Garcia em dar mais minutos aos dois começa a irritar o torcedor, e mesmo a imprensa francesa aumentou nos últimos dias a frequência das conversas sobre uma possível entrada da dupla na equipe titular. Questionado sobre isso, Garcia, que é acusado por parte da crônica de não dar muitas chances a jovens jogadores (e que negou veementemente isso), começa a ceder.

“Temos um elenco em parte dedicado à evolução dos jovens. Quando acredito na possibilidade de que um jovem esteja pronto para contribuir com algo para a equipe, não é preciso recrutar para a sua posição. É isso o que tentamos fazer com os dirigentes. (…) Isso quer dizer que podemos contar com eles cada vez mais. Eles marcaram pontos para serem titulares (com a atuação contra o Montpellier)? Sim, mas Memphis (Depay) e Moussa (Dembélé) também. Todo mundo marca pontos quando vão bem. E um pouco menos quando não vão bem.”

Por ora, o Lyon ainda não negociou nenhum de seus principais destaques. Mesmo com o atual elenco, que não deve ser exatamente aquele que irá disputar a temporada, Cherki e Bard já estão na boca do torcedor e da imprensa local, e a expectativa é de que estejam cada vez mais presentes em campo, sobretudo a partir do momento que alguns nomes começarem a deixar o clube – ainda que atletas de posições que, em teoria, não afetaria seus minutos, como Aouar, especulado em Arsenal, Juventus e Manchester City até o momento.

É impressionante como, a cada ano, independentemente das vendas, a academia do Lyon consegue gerar novos jogadores com verdadeiro potencial para seguir o legado de formação de alto nível. Ferland Mendy, Nabil Fekir e Tanguy Ndombele deixaram o clube no verão do ano passado, e rapidamente outros jovens já começam a tomar seu lugar de destaque como nomes do futuro a se ficar de olho. Bard, Cherki e Caqueret em algum momento do futuro próximo deverão fazer tanto barulho – ou até mais – quanto seus antecessores.