Quando a Fenway Sports Group chegou ao Liverpool, em 2010, Anfield era um problema. A renda de bilheteria estava em aproximadamente £ 40 milhões por temporada, pouco para o que o clube precisava para chegar aonde queria chegar. Demolir o lendário estádio para construir outro teria potencial de causar uma guerra civil na cidade. Os americanos foram por outro caminho, com um plano de expansão cuja segunda etapa ganhou novos detalhes nesta quarta-feira. A arquibancada Anfield Road ganhará 7.000 novos assentos, ao custo de £ 60 milhões, e as obras devem terminar a tempo para a temporada 2022/23.

O Liverpool fez uma primeira consulta pública em dezembro do ano passado e recebeu 800 respostas para calibrar o projeto. Nesta quarta-feira, começou a segunda etapa desse processo e, depois de todas as opiniões e preocupações serem avaliadas, o clube planeja pedir permissão à prefeitura em março. Se tudo der certo, as obras começam ao fim deste ano e terminam no verão europeu de 2022. O impacto deve ser mínimo na capacidade de Anfield durante a reforma.

Com a expansão, Anfield Road deve superar a capacidade da Kop, principal arquibancada do estádio, e levar a capacidade total a 61 mil pessoas, o que tornaria Anfield o terceiro maior campo de futebol da Premier League, atrás de Old Trafford (75 mil) e a nova casa do Tottenham (62 mil). Atualmente, o Etihad Stadium (55 mil), o Estádio Olímpico (60 mil) e o Emirates (60,2 mil) ainda estão à frente. Dos 7 mil novos assentos, 5,2 mil serão para o público em geral, com o resto reservado a camarotes e bares.

Em 2016, o clube inaugurou a nova Main Stand, que elevou a capacidade de Anfield de 45 mil pessoas para 54 mil – embora na Premier League sejam utilizados apenas 53.394 assentos. Aquela reforma custou £ 110 milhões e foi bancada com um empréstimo do Fenway Sports Group. A próxima será bancada pelo próprio clube, provavelmente com uma linha de crédito, e não está descartada a venda dos naming rights específicos da nova arquibancada para reforçar o caixa.

O Liverpool costuma ter casa cheia e atualmente conta com uma lista de espera de 23 mil pessoas para os carnês de temporada. A expansão deve ajudar a aliviar a demanda, mas dificilmente a capacidade irá além de 61 mil. “Com base em nossos planos atuais, esta é a conclusão a que chegamos. Por quê? O design, a planta, o espaço que temos. Olhamos para este design muitas e muitas vezes e acho que otimizamos o espaço disponível”, disse o diretor comercial do clube, Andy Hughes, ao The Athletic.

Financeiramente, a esperança da diretoria é que a nova expansão ajude a reforçar ainda mais a arrecadação do Liverpool com os dias dos jogos. Em 2015/16, antes da inauguração da nova Main Stand, essa parte do faturamento vermelho estava em £ 60 milhões. O último relatório da Deloitte, sobre 2018/19, coloca-a em £ 83 milhões. Os dois anos tiveram campanhas europeias que chegaram até o fim, embora uma na Liga Europa e outra na Champions League. Segundo o The Athletic, £ 15 milhões desse extra são por causa da nova Main Stand.

Apesar da melhora, o dia de jogo do Liverpool, entre as potências inglesas, ainda está abaixo de Manchester United (£ 106 milhões) e Arsenal (£ 96 milhões). Em outros países, Barcelona (£ 140 milhões), Real Madrid (£ 127 milhões), PSG (£ 102 milhões) também superam os Reds, que seguem acompanhando seu desenvolvimento em campo com novidades fora dele.