Levir Culpi perdeu o emprego depois do jogo de domingo. O time que comandava, o Fluminense, tomou uma sapecada do Cruzeiro por 4 a 2. O presidente do tricolor, Peter Siemsen, falou que o time precisa mudar a forma de jogar e deu até uns pitacos táticos, como dizer que o time vai melhor com três volantes. Enfim, demitiu Levir Culpi, que não falou com a imprensa no domingo, em Belo Horizonte. Mas nesta segunda, resolveu se pronunciar por uma nota e, bom, é simplesmente sensacional.

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Estou “puto da cara”, mas preciso dizer algumas palavras.

Quero agradecer a oportunidade de fazer parte da história do Fluminense. Trabalhar nove meses em um clube famoso por ser o que mais demite técnicos no mundo tem também seu mérito. Dos times que trabalhei, o Flu é um dos mais oscilantes no convívio entre vitória e derrota.

Conquistamos a Primeira Liga no ano mais difícil da história do Flu. Devido à Olimpíada, nunca jogamos em casa. Só no dia 28 de outubro é que fizemos o primeiro jogo no Maracanã.

Formamos um ambiente bom de trabalho, coisa também muito difícil de conseguir porque o Flu estava dividido entre Laranjeiras e CT da Barra. E o pior, terá eleições nesse mês. Sabe o que acontece num clube quando quatro candidatos disputam a presidência?

Depois de tantos meses, ainda não sei o nome de todos os funcionários e companheiros de trabalho, mas agradeço a torcida do Flu e todos àqueles que torceram por nós.

Não me arrependo de nada. Fui demitido pelos erros que cometi e não por influência de outros. Esses meses entre “céu” e “inferno” estarão inclusos no livro “De volta ao inferno”, quando falarei sobre o retorno ao futebol brasileiro depois de sete anos no Japão, com as passagens pelo Galo mineiro e agora o Flu.

Assim como o livro anterior, “Um burro com sorte”, esse livro terá toda a arrecadação revertida para o hospital Pequeno Príncipe, especializado em atendimento de crianças e que merece o apoio de todos, mesmo dos que não gostam de mim. Valeu!

Levir Culpi cometeu os seus erros. Os seus times continuam sendo muito vulneráveis defensivamente. Foi com o Atlético Mineiro em 2015, quando o time não conseguiu acompanhar o ritmo do Corinthians na disputa do Campeonato Brasileiro muito por essa característica, e foi novamente com o Fluminense neste ano, de março a novembro, enquanto esteve no comando do time.

Mesmo assim, teve seus bons momentos, embora o time não seja tão forte quanto foi em outros anos. Sempre esteve longe do G-4, mas a abertura de um G-6 deu esperanças ao time. Isso, porém, não tira a razão do técnico ao falar sobre a máquina de moer técnico que é o Fluminense dos últimos anos. Não há treinador que dure muito no clube das Laranjeiras.

A nota de Levir Culpi dá uma demonstração de um técnico que parece cansado dessa relação com os dirigentes, sempre impacientes. Demitir o treinador há quatro jogos do fim do campeonato é uma medida de desespero de quem realmente acredita em choque nos jogadores. Talvez Levir Culpi tenha se cansado disso. Pode ficar tranquilo cuidando dos seus negócios, falando de futebol, ou pode voltar ao Japão, onde é muito bem reconhecido também.