Poucos nomes são tão importantes para o pop-rock britânico quanto o de Rod Stewart. Em cinco décadas de produção musical, o londrino superou a marca de 100 milhões de discos vendidos. E poucos astros possuem uma ligação tão forte com o futebol quanto o cantor. Neste sábado, Stewart completa 70 anos de idade, todos eles vividos em meio à paixão de sua família pelo esporte.

A influência sobre Rod começou dentro de casa. Escocês de nascimento, o pai do roqueiro atuava em equipes amadoras de Londres. Já os seus irmãos mais velhos tinham nas paredes do quarto pôsteres de jogadores escoceses, entre eles George Young (ídolo do Rangers nos anos 1950) e Gordon Smith (que fez carreira com a camisa do Hibernian). Assim, o gosto pegou no garoto logo cedo. E, mais do que um fanático, sabia também tratar a bola nos pés. A ponto de ser capitão do time de sua escola e fazer testes nas categorias de base do Brentford.

“Eu chutava uma bola desde que saído do útero. Meus irmãos mais velhos jogavam, meu pai jogava, meu avô jogava. Era uma família maluca por futebol. Meu pai costumava jogar por dois ou três clubes amadores, então não tive outra opção quando criança a não ser jogar futebol”, declarou, em entrevista a revista Rolling Stone. “Cheguei a fazer um teste no Brentford, aos 16 anos. Eu ia lá três ou quatro vezes por semana para jogar. Mas meu coração não estava nisso. Eu tinha acabado de me apaixonar pela música, e acho que estava fazendo aquilo apenas para deixar o meu pai feliz. A ambição dele era ter um dos três filhos jogador de futebol”.

Mesmo sem se tornar profissional, Stewart manteve o futebol como uma de suas marcas, chutando bolas autografadas às plateias de seus shows. Também seguiu aparecendo em jogos festivos contra craques do futebol britânico. “Olhando para trás, eu poderia ter ido tão bem no futebol quanto fui na música. Joguei com meus heróis, como Dalglish e Law. Atuei seis vezes em Wembley, mais do que um monte de profissionais. Eu tive o melhor dos dois mundos. Joguei com os grandes craques e nos melhores estádios sem precisar me dedicar aos treinos ou fazer sacrifícios no meu estilo de vida”, disse à FourFourTwo, em 2001.

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E o roqueiro não abandonou o seu fervor de torcedor. Embora seu pai torcesse pelo Hibernian, Stewart se encantou com o Celtic. Tanto que fez referência ao clube em uma de suas músicas, “You’re in my heart”. Figura costumeira nas arquibancadas do Celtic Park, chegou a solicitar uma televisão no palco transmitindo um jogo dos alviverdes, durante um show recente na Austrália. Durante a juventude em Londres, Stewart torcia pelo Arsenal. Entretanto, um jantar em 1971 com Kenny Dalglish, então craque do Celtic, o fez adotar o verde e o branco de maneira fanática. Além disso, também passou a ter simpatia pelo Manchester United, dos escoceses Denis Law e Matt Busby.

Aliás, o fato de ter nascido na Inglaterra não impediu Rod Stewart de se tornar um dos torcedores mais simbólicos da seleção escocesa. Participou até mesmo da invasão de campo ao Wembley em 1977, após a vitória por 2 a 1 sobre os ingleses pelo Home British Championship. No ano seguinte, viajou com a Tartan Army para acompanhar a Copa do Mundo na Argentina, o que se repetiria no Mundial de 1998, na França.

Aos 70 anos, Rod Stewart continua batendo a sua bolinha. Dono de um campo de tamanho oficial em sua mansão em Los Angeles, o britânico mostra talento como meio-campista. Se não foi o estrelato na música que o afastou de sua paixão, não será a idade que o impedirá. Para ser visto por mais algum tempo vestido de verde e branco nas arquibancadas em Glasgow.

Abaixo, a emoção de Rod Stewart após a vitória do Celtic sobre o Barcelona na Champions 2012/13, assim como a declaração que talvez resuma melhor o seu amor pelo clube:

 “Alguém me perguntou quando eu realmente fiquei fascinado por alguém no futebol. Eu conheci a Rainha e um monte de estrelas do cinema, o que não me abalou completamente. Mas quando me reuni com os Leões de Lisboa, os jogadores do Celtic que venceram a Champions em 1967, isso me comoveu. Fui para o campo com eles antes de um jogo em Parkhead e estava absolutamente sem palavras. Sentar com eles no vestiário foi uma experiência fantástica. Seria ótimo pensar que alguns desses jogadores, que conquistaram tanto, gostavam da minha música. Isso seria fascinante”.

Rod Stewart