A torcida do Estrela Vermelha é reconhecida como uma das mais temíveis do mundo. O Estádio Marakana (isso mesmo, batizado em referência ao nosso Maracanã) possui uma atmosfera bastante intimidadora, principalmente nos clássicos contra o Partizan Belgrado. E parte das torcidas organizadas dos alvirrubros serviu de força paramilitar durante a Guerra da Iugoslávia, após participar da famosa briga contra o Dínamo de Zagreb em 1990. É difícil encarar os sérvios sem ficar receoso. E mais difícil ainda conquistar o respeito deles. Algo que Diego Maradona conseguiu, em uma atuação incrível às vésperas de completar 22 anos.

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Enquanto muitos se recordam de Ronaldinho Gaúcho sendo aplaudido de pé no Santiago Bernabéu, Maradona sentiu o mesmo com a camisa do Barcelona. Porém, dentro do caldeirão do Marakana, em um duelo de mata-matas. Os blaugranas visitavam o Estrela Vermelha no primeiro jogo das oitavas de final da Recopa Europeia, sob uma pressão imensa. E o argentino, em seus primeiros meses no clube o, abriu o placar de uma maneira improvável: após escanteio, o baixinho subiu de cabeça na pequena área para estufar as redes.

Mais improvável ainda seria o segundo gol. Para qualquer reles mortal do futebol, é claro, não para Maradona. O camisa 10 recebeu na altura do círculo central e arrancou. Deixou o marcador no chão e, da meia-lua, mandou um lindo chute por cobertura. Golaço que, ao invés de provocar a ira dos sérvios, causou sua admiração. Logo após a bola entrar já é possível ouvir os aplausos, que se seguiram por alguns segundos. Os mais de 80 mil torcedores do Estrela Vermelha nas arquibancadas se renderam ao jovem craque. Uma ironia que a explosão do argentino na Europa acontecesse justamente no homônimo do Maracanã, casa de seus maiores rivais na América do Sul.

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Bernd Schuster marcou mais dois gols (o segundo, com um lançamento magistral de Maradona) nos 4 a 2 do Barça sobre os alvirrubros, ainda longe de montarem o timaço que conquistou a Europa anos depois. Os blaugranas também bateram os sérvios no Camp Nou por 2 a 1 e se classificaram, mas morreram cedo na competição, eliminados pelo Áustria Viena nas quartas de final. Aquela participação serviu apenas para engrandecer Maradona.

A passagem do Pibe pela Catalunha foi fugaz. O camisa 10 acumulou atuações fabulosas, mas os problemas de saúde e a indisciplina limitaram suas conquistas um título da Copa do Rei. Vendido ao Napoli é que o craque chegou ao seu auge, celebrado por todos como um dos maiores gênios da história do futebol. E nesta quinta o argentino completa 54 anos. Bem distante daquele menino que encantou Belgrado, mas que merece o respeito recebido naquela noite. Os aplausos dos alvirrubros já se estendem por 32 anos, para um craque que merece ser celebrado não apenas em seus aniversários.

Abaixo, o vídeo daquele jogo histórico. O lance genial de Maradona acontece a partir de 3:20